Podres poderes

ALOÍSIO VANDER (alvp@uai.com.br)

 

Qual será o maior poder que um homem pode deter no planeta? O poder econômico, o político, o jurídico, ou o da mídia?
Difícil saber?!...
Por eles, as pessoas lutam de todas as formas: mentem, matam, negociam a honra e até perdem a própria vida física. E, quando finalmente alcançam seu desiderato, percebem, atônitos, que não lograram a tão sonhada felicidade. E ainda mais, se reconhecem onerados de chagas morais abertas, purulentas e esfogueantes.
É possível que abafem, num primeiro momento, e esfriem, com o tempo, as brasas na consciência, porém a paz lhes será inatingível, até que soe o momento do ressarcimento, do acerto de contas perante a Contabilidade Divina.
Nessas reflexões, recordo-me de um trecho de música de Caetano Veloso: "Enquanto os homens exercem seus podres poderes, morrer e matar de fome, de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais..."
Realmente, mesmo com todo o poder secular nas mãos, morre-se de "fome", de "raiva" e de "sede".
Jesus ofereceu-nos um poder diferente: "Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; porque a água que eu lhe der fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.". (João, 4:14)
No belo livro "Há 2000 Anos", no capítulo 5 da primeira parte, encontramos Jesus em colóquio íntimo e franco com o senador romano Públio Lentulus, convocando-o à conversão, enquanto este pensava, desorientado, na sua posição frente ao império, e o que lhe acarretaria tornar-se um seguidor do profeta nazareno. Percebendo-lhe os óbices e condicionamentos espirituais, Jesus lhe fez uma advertência, que ecoa por dois milênios e que nós também ouvimos toda vez que escolhemos a porta larga do mundo, às árduas disciplinas do Cristo:
"Todos os poderes do teu império são bem fracos e todas as suas riquezas bem miseráveis.
As magnificências dos césares são ilusões efêmeras de um dia, porque todos os sábios, como todos os guerreiros, são chamados no momento oportuno aos tribunais da justiça de meu Pai que está no Céu. Um dia, deixarão de existir as suas águias poderosas, sob um punhado de cinzas misérrimas. Suas ciências se transformarão ao sopro dos esforços de outros trabalhadores mais dignos do progresso, suas leis iníquas serão tragadas no abismo tenebroso destes séculos de impiedade, porque só uma lei existe e sobreviverá aos escombros da inquietação do homem - a lei do amor, instituída por meu Pai, desde o princípio da criação..."