
WASHINGTON MUNAIER -
Rádio Santana - 87,9 FM
Já pensaram como deve ser terrível pensar que se ganhou na Mega-Sena e depois descobrir que a lotérica não registrou a aposta? Foi o que aconteceu com 38 moradores de Novo Hamburgo – RS. O prêmio de R$ 53 milhões seria dividido e cada cota daria R$ 1,3 milhão. A Caixa Econômica Federal está se recusando a pagar sob as alegações de não ter sido registrada (portanto, não entrou o dinheiro na instituição) e, também, porque os bolões não estão autorizados. Não seria lógico se pensar que as lotéricas são uma extensão da Caixa? Ela também não pode alegar que não sabia dos bolões. Eles vêm sendo feitos há séculos, desde que esses tipos de jogos foram criados. Desconhecê-los, é um verdadeiro acinte, um abuso por parte de uma instituição que se diz séria e que, de acordo com suas peças publicitárias, trabalham em benefício social da população.
As lotéricas oferecem e vendem os bolões (pelo menos até aqui), dando recibo da própria casa, não sendo o documento da máquina registradora. Como a possibilidade de ser uma aposta sorteada é de 1 para cerca de 800.000, é bem provável que exista no Brasil um punhado de proprietários de lotéricas que vinham surrupiando dinheiro (da Caixa e/ou dos apostadores), há longo e tenebroso inverno. A possibilidade da aposta ser sorteada é tão ínfima que se trata de um crime quase perfeito. Como no Brasil os crimes mais que imperfeitos, de um modo geral, não são punidos, um delito dessa natureza fica sendo bem atrativo para aqueles que têm uma vocaçãozinha para a desonestidade. O proprietário da lotérica de Novo Hamburgo também tinha cota do bolão. Não seria uma maneira de se inscrever nos bolões não registrados para ter um álibi, ou atenuante, para uma improbalissíma falta de sorte e o bolão ser premiado, conforme aconteceu? Agora, depois da casa arrombada, certamente a Caixa Econômica Federal vai colocar a tranca e evitar futuras encrencas. Mas, que houve incompetência, isto houve!