Os tempos mudaram e o comportamento tem que mudar também. Na condenação do Robinho, momento de reflexão e mea-culpa também da imprensa

20/01/22 - 10:37

Chico Maia

Nos últimos anos as pessoas em geral e a imprensa têm tratado com dureza merecida os casos de racismo, preconceito, discriminação e agressão sexual em todos os lugares. Muito do que antes era considerado “normal” ou “brincadeira”, hoje é crime, inaceitável. Além dos fatos ganharem grandes espaços na mídia, a pressão popular e principalmente dos patrocinadores vem exigindo e conseguindo punições cada vez mais severas. Os tempos são outros e todos temos que respeitar e acatar a nova realidade, de respeito aos nossos semelhantes.

A revista Placar aproveitou a condenação, hoje, do Robinho pela justiça italiana e também fez um “mea-culpa”, que serve para toda a imprensa, dos menores aos maiores veículos, que sempre fazia piadas partindo de onde não deveria e minimizava o que hoje merece ser tratado como escândalo.

Confira:

* “Arquivo: caso Robinho foi tratado em capa com ‘mea culpa’ de PLACAR”

Atacante foi condenado pela Justiça italiana por violência sexual nesta quarta, 19

Não há movimento mais civilizatório do que aprender com os erros — e para sentir na pele os tropeços do passado, só mesmo o passar do tempo. Ou, como escreveu o francês Marcel Proust, “os dias talvez … sejam iguais para um relógio, mas não para um homem”. Nos anos 1990, PLACAR tinha como slogan a frase “Futebol, Sexo e Rock & Roll”. Publicamos capas evidentemente machistas, como a que aparece abaixo, com a modelo e atriz Susana Werner seminua.

Eram outros tempos, a sociedade mal começara a reagir contra os preconceitos, e o que hoje conseguimos enxergar como um erro lá atrás era apenas névoa.

Ria-se do que não tem graça nenhuma. E PLACAR, naquele período um tanto irresponsável, navegava sem se dar conta dos incômodos que poderia provocar. Os jornalistas da revista, antes como agora, eram sérios, rigorosos, profissionais cuidadosos e avessos a qualquer tipo de discriminação — e todos eles, tendo em mãos a régua do presente, neste momento fariam de outra maneira. Os tempos mudaram, e que bom terem mudado.
A capa desta edição vê o mundo com os olhos de hoje. Os mesmos que levaram o Santos, pressionado por torcedoras e torcedores, além de patrocinadores, a suspender o contrato firmado com Robinho, acusado de estupro na Itália. Ele foi condenado a nove anos de cadeia em primeira instância — o caso está previsto para voltar a julgamento em dezembro.

Estaríamos mais felizes se fosse possível ficar apenas com as lembranças do jogador que, em 2002, surgiu para o mundo com pedaladas mágicas — mas isso não é possível. Robinho não pode apagar sua trajetória dentro e fora de campo, precisa assumir suas responsabilidades, com o direito de defesa que cabe aos acusados de qualquer crime…

https://placar.abril.com.br/placar/arquivo-caso-robinho-foi-tratado-em-capa-com-mea-culpa-de-placar/

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