Consórcio de saúde - Cismisel - revoluciona atendimento médico na região

Em entrevista ao SETE DIAS, Clécio Gonçalves da Silva (Clecinho), presidente do Cismisel, destaca os avanços e benefícios do consórcio para a saúde pública dos 14 municípios associados.

24/05/24 - 14:00

Prefeito Clécio Gonçalves (Clecinho)
Prefeito Clécio Gonçalves (Clecinho)

Desde a sua fundação em 18 de março de 1996, o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Microrregião de Sete Lagoas – Cismisel tem se destacado como uma referência em fornecer serviços de saúde de qualidade e eficiência para os seus munícipes.

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Composto por 14 municípios: Sete Lagoas, Araçaí, Baldim, Cachoeira da Prata, Caetanópolis, Cordisburgo, Fortuna de Minas, Inhaúma, Jequitibá, Maravilhas, Papagaios, Paraopeba, Pompéu e Santana de Pirapama, o Cismisel enfrenta diversos desafios, mas mantém firmemente seu compromisso com a saúde e bem-estar de quem recorre a seus serviços.

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Prefeito Clécio Gonçalves (Clecinho, esq.) e Flávio Juliano, gerente administrativo do Cismicel./Foto SD
Em entrevista ao jornal SETE DIAS, Clecinho, prefeito de Cachoeira da Prata e presidente do Cismisel, detalha as estratégias e conquistas do Consórcio na melhoria do atendimento médico para os 14 associados. Ele ressalta a importância da união entre os municípios para a redução de custos e ampliação dos serviços de saúde, especialmente em tempos de grande demanda como o período pós-pandemia.

 

SETE DIAS: Como é conciliar a presidência do Cismisel com a gestão da Prefeitura de Cachoeira da Prata?

CLECINHO: A primeira coisa que você precisa é de uma equipe forte. Com bons amigos, lealdade no trabalho e pessoas que assimilem e apoiem suas ideias, tudo flui melhor. Você não consegue fazer tudo sozinho, então é essencial ter pessoas que te ajudem. O trabalho começa cedo e termina tarde, é uma dedicação total. Isso significa sacrificar seu descanso e tempo com a família em prol da vida pública. Mas quando você vê que está ajudando pessoas e salvando vidas, você encontra forças que nem sabia que tinha.

SD: Quais as vantagens de um consórcio de saúde, como o Cismisel?

CLECINHO: A principal vantagem é a redução de custos. Em Cachoeira da Prata, por exemplo, temos 4.400 pessoas cadastradas na saúde. Se fôssemos comprar 300 ressonâncias anualmente de forma individual, pagaríamos um preço elevado. Porém, no consórcio, estamos falando de 1.000 a 2.000 ressonâncias, o que nos permite negociar preços muito mais baixos. Essa lógica se aplica também às consultas médicas. Em vez de atender poucas pessoas por mês em determinadas especialidades, unimos as demandas dos municípios, permitindo contratar profissionais terceirizados a preços mais acessíveis. Isso vale para exames de imagem, consultas, compra de insumos e medicamentos.

SD: Estes serviços valem também para cirurgias?

CLECINHO: Desde janeiro de 2023, quando iniciamos nossa gestão, lançamos um projeto de compra de cirurgias. A pandemia interrompeu muitas cirurgias eletivas, criando uma fila enorme de pacientes. Como o Estado e a União não conseguem atender toda a demanda, os municípios assumiram esse custo. Temos parcerias com a Santa Casa de Lagoa Santa e a Santa Casa de Bom Despacho, e estamos em negociações avançadas com outros hospitais, como Luxemburgo, Baleia e Evangélico, de Belo Horizonte, para realizar diversos tipos de cirurgias. Hoje, graças ao consórcio, as prefeituras conseguem comprar esses serviços de forma mais eficiente.

SD: Qual é a contrapartida de cada município? Há uma contribuição proporcional à população de cada associado?

CLECINHO: Sim, há um rateio proporcional para a manutenção do Consórcio. Para consultas, é acrescido um valor de 25% para cobrir os custos administrativos, que incluem o pagamento dos nossos 28 colaboradores, além de despesas com energia e manutenção do prédio. Esse valor é suficiente para cobrir nossas necessidades e, ao final do ano, qualquer sobra é devolvida aos municípios na forma de serviços, como consultas e cirurgias. Para cirurgias, o rateio é de 5%, que vai para um fundo de reserva para cobrir eventualidades. Se esse fundo não for utilizado ao longo do ano, ele também é devolvido aos municípios.

SD: Como é feito o controle desses números de custos e atendimentos?

CLECINHO: A prestação de contas é feita bimestralmente, com assembleias realizadas seis vezes por ano para discutir os números. Temos um conselho fiscal que verifica todas as transações e aprova as contas, garantindo transparência total. Cada município recebe um relatório detalhado com todos os procedimentos realizados, valores recebidos, extratos bancários e a relação de notas fiscais.

SD: Como funciona o processo de adesão de novos municípios ao Cismisel?

CLECINHO: Quando um município deseja aderir ao Cismisel, ele entra em contato conosco e agendamos uma assembleia para a admissão do novo consorciado. Temos um grande interesse em expandir nossa abrangência, pois quanto maior o número de municípios participantes, maior será nosso poder de compra e a quantidade de serviços que podemos oferecer.

SD: Existem muitos consórcios de saúde como o Cismisel no estado?

CLECINHO: Sim, cada região pode criar seu próprio Consórcio, e eles adotam diferentes nomes. Em todo o estado de Minas Gerais, existem cerca de 72 consórcios.

SD: Como surgiram esses consórcios?

CLECINHO: A ideia dos consórcios vem da Constituição de 1988. Eles foram criados para atender às demandas das prefeituras, especialmente aquelas que, individualmente, seriam mais difíceis de gerenciar. Por exemplo, um município pode ter apenas 10 pacientes necessitando de urologia por mês, mas quando juntamos a demanda de vários municípios, temos 200 pacientes. Isso torna o consórcio financeiramente viável e mais eficiente.

SD: Como funciona a contratação dos médicos e a oferta de especialidades?

CLECINHO: Para o médico, é mais atraente trabalhar em um consórcio onde a demanda é maior. Em vez de atender poucos pacientes em vários municípios, ele pode atender muitos pacientes em um local centralizado. Realizamos processos licitatórios para contratar médicos, e aquele que oferece o menor preço por consulta ganha o contrato. Atualmente, oferecemos consultas em 23 especialidades através do consórcio.

SD: Há especialidades de muita demanda que o Consórcio ainda não oferece atendimento?

CLECINHO: Ainda não temos odontologia, mas estamos trabalhando nisso. Recentemente, estive em contato com parceiros universitários, como a Facsete, para estabelecer uma parceria que leve atendimento odontológico, local, a todos os municípios. Outro projeto em andamento é a oftalmologia, que pretendemos expandir para todas as escolas municipais, incluindo a consulta e, se necessário, a distribuição de óculos. Temos atendimento oftalmológico no Consórcio, incluindo tratamento de glaucoma e fornecimento de medicamentos.

SD: São 29 consultórios para o atendimento na sede em Sete Lagoas?

CLECINHO: São 29 salas na área de atendimento ao paciente, com 12 consultórios abertos diariamente, dependendo do momento, podendo expandir para 15. Mas o nosso sonho é ampliar isso, construindo um segundo andar na nossa sede, dedicado a um bloco cirúrgico de oftalmologia, capaz de atender 95% dos casos localmente. Temos atendimento em saúde mental, incluindo consultas com psiquiatras e psicólogos. O atendimento odontológico ainda está em desenvolvimento.

SD: As faculdades de medicina, como a Atenas, unidade Sete Lagoas, têm algum papel nas atividades do Cismisel?

CLECINHO: Sim, estamos em diálogo com a Atenas para estabelecer parcerias. As universidades têm programas de consultas e cirurgias, e precisam de demanda para treinar seus alunos. Estamos abertos a colaborar com todas as instituições que queiram se associar ao Cismisel. Além disso, oferecemos estágios para estudantes de medicina, que ajudam na atenção primária nas unidades de saúde dos municípios consorciados. É uma colaboração que beneficia tanto os alunos quanto a população.

SD: Como é o entrosamento com o Hospital Nossa Senhora das Graças e como será com o futuro Hospital Regional?  

CLECINHO: Temos total interesse em fazer parceria com o Hospital Nossa Senhora das Graças e o futuro Hospital Regional. Acredito que será um grande ganho para a nossa região. Nosso objetivo principal é reduzir ao máximo a fila de cirurgias em todas as cidades consorciadas. Ainda não temos uma relação direta, pois o Hospital Regional ainda está nas fases iniciais de construção. Assim que a obra estiver concluída e a gestão definida, se será 100% SUS ou parcialmente SUS.

SD: Quais outras fontes de recursos ajudam o Consórcio?

CLECINHO: Também utilizamos emendas parlamentares, das quais 50% são destinadas à saúde, para custear cirurgias e procedimentos pelo Cismisel. Isso é algo que incentivamos os prefeitos e deputados a apoiar. Estamos lutando para mudar a legislação federal, permitindo que os deputados possam enviar diretamente ao consórcio os valores dessas emendas. Isso seria benéfico para todos, já que o Cismisel, por exemplo, abrange 14 municípios. O modelo dos consórcios tem demonstrado ser extremamente eficiente. É importante destacar que seguimos rigorosamente a fila do SUS para todos os procedimentos. As emergências têm prioridade, mas fora isso, respeitamos a ordem da fila. Conseguimos realizar muitos procedimentos a custo SUS e, às vezes, até a preços um pouco mais elevados, mas sempre com alta eficiência e um excelente retorno para os municípios. Nosso desejo é que o Cismisel continue crescendo para oferecer esses benefícios a toda a população da região.

SD: Pode-se dizer que o tamanho da fila dos atendimentos pelo Cismisel é muito menor do que dos outros sistemas de saúde?

CLECINHO: Sim, posso afirmar com tranquilidade que a nossa fila é proporcionalmente menor. Em Cachoeira da Prata, por exemplo, conseguimos resolver a maioria das necessidades de saúde em três meses, o que é um grande avanço. Mesmo casos mais complexos que necessitariam de um ano de espera no SUS, conseguimos resolver de maneira eficiente através do Consórcio. Recentemente, um paciente que aguardava há mais de três anos para uma cirurgia de vesícula conseguiu atendimento em apenas quatro meses através do Cismisel. Isso mostra que nossa capacidade de organização e gestão eficaz tem trazido muitos benefícios à população.

SD: Então também pode-se afirmar que os municípios associados ao Cismisel oferecem melhor qualidade de vida às suas populações?

CLECINHO: Sem dúvida. A maior satisfação para nós é ver as pessoas retornarem às suas atividades normais e viverem sem dor. O consórcio é uma ferramenta poderosa para a gestão municipal, capaz de proporcionar uma vida mais saudável e produtiva para os cidadãos. Isso é especialmente importante em uma área como a saúde, onde o impacto direto na vida das pessoas é tão significativo. Trabalhamos com a missão de tornar o atendimento em saúde mais acessível, ágil e eficiente para todos os municípios consorciados, e os resultados até agora têm sido extremamente positivos.

 

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