Jornal Sete Dias

Sete Lagoas, 27 de Novembro de 2014
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Oito pessoas assassinadas em seis dias em Sete Lagoas

A onda de homicídios este ano em Sete Lagoas – sobretudo nos últimos dias quando, de 18 a 23 de outubro, oito pessoas foram assassinadas – tem tirado o sono da Polícia Civil e deixado a população alarmada. Apesar da alta da violência, os números até então se mostram abaixo se comparados ao mesmo período do ano passado. De janeiro a 24 de outubro de 2011 foram 59 homicídios; este ano, no mesmo espaço de tempo, foram 52; no entanto, vale lembrar que outros três foram registrados, mas por roubo seguido de morte, o que configura latrocínio. A Delegada de Crimes Contra a Pessoa, Mariza Andrade, faz questão de dizer que o quadro preocupa a Polícia Civil, que não está de braços cruzados. 

 
Ela, no entanto, aponta problemas para mais agilidade no combate à violência.  A conclusão de inquéritos, por exemplo, esbarra na falta de efetivo e de fatores inerentes à investigação, como o silêncio velado de possíveis testemunhas. “O trabalho começa no local do crime, com a chegada da perícia para coleta de provas físicas. Na maioria dos casos os autores estão de moto, em dupla e não são identificados. Quando identificamos testemunhas, elas temem represálias, principalmente em casos relacionados ao tráfico de drogas. Desta forma a investigação começa do zero, com levantamento da vida pregressa da vítima”, explica.
 
Os principais motivos apontados pela polícia, dos homicídios em decorrência do envolvimento das vítimas com o tráfico de drogas são: usuários endividados, disputa por território e pontos de venda do produto, vingança de traficantes na ocasião de morte de seus “empregados”, dentre outros. A delegada garante que não há distinção de vítimas quando iniciadas as investigações. “O empenho é o mesmo, independente se a vítima tenha um passado marcado por crimes. Essas vítimas deixam filhos menores, esposas, mães. Não ficamos felizes quando um criminoso é morto, não há menor ou maior esforço dependendo de quem é a vítima. O trabalho é sério e pode durar meses, devido a fatores diversos”, considera Mariza Andrade.
 
A delegada ressalta que a falta de pessoal e recursos não são exclusividade da Polícia Civil, mas também da Polícia Militar na prevenção de crimes. Acúmulo de processos é outra dificuldade da Vara Criminal. “Até 2015 há tribunais de júris agendados para julgamento de criminosos já indiciados”, afirma. Segundo Mariza Andrade, a interiorização da violência atinge cidades de pequeno e médio portes, como é o caso de Sete Lagoas. “O progresso não traz só o desenvolvimento, mas problemas sociais e de violência. Não é só em Sete Lagoas que acontece, mas em todo o país. Aguardamos definições do Estado quanto à realização de concursos públicos e disponibilização de pessoal”, finaliza a delega.
 
Assassinato em plena luz do dia 
Dois crimes na semana passada assustaram moradores da região dos bairros Esmeraldas II e Progresso. O primeiro foi na noite do dia 18, quinta-feira. Um jovem identificado como Bruno Lopes Gonçalves, 23, foi morto próximo à Churrascaria Sete Lagoas. De acordo com a Polícia Militar, a vítima estava em sua moto quando dois homens, em outra moto, o abordaram e fizeram vários disparos. De acordo com informações da PM, a perícia constatou que cinco disparos atingiram a vítima. Bruno faleceu no local.

Da mesma forma, outro jovem foi morto brutalmente na manhã de sexta-feira, 19, por volta de 10h na altura da Avenida Perimetral com a Rua Equador. Um veículo da marca Fox, conduzido por Romanery Magalhães Costa, de 19 anos, foi perseguido por uma dupla em uma moto desde a Avenida Norte Sul. Já no sinal de trânsito no cruzamento próximo à escola do Senai, a vítima foi alvejada várias vezes e morreu no local. O passageiro do carro, Antônio Carlos Barbosa de Freitas, 34 anos, também foi atingido e, ferido em estava grave, internado no Hospital Municipal. Os suspeitos não foram identificados.

TUNICO – A polícia prossegue as investigações do assassinato do empresário Antônio Claudio Maciel, de 48 anos, mais conhecido como Tunico, ex-proprietário dos restaurantes Donana em Sete Lagoas. Ele foi morto há duas semanas depois de ser atingido por quatro disparos de arma de fogo quando saía de um imóvel em construção na rua Uberlândia, próximo à escola Professor Rousset (Polivalente).

De acordo com a delegada Mariza Andrade, as investigações estão avançadas e detalhes não podem ser divulgados para não atrapalhar a prisão dos suspeitos. No dia 8 de agosto Tunico sofreu a primeira tentativa de homicídio, ao ser atingido por disparos no braço e ombro esquerdo, na avenida Villa Lobos. Na ocasião, nada foi levado naquela oportunidade. A delegada não descarta ligação entre os dois crimes, assim como a autoria. “Já ouvimos diversas testemunhas e as investigações estão em andamento”, resume Mariza Andrade.
 
 
NÚMEROS DA VIOLÊNCIA
* De 1º de janeiro a 24 de outubro
 
- 59 homicídios em 2011
- 52 homicídios e outros 3 latrocínios em 2012
- 46 pessoas presas em flagrante
- 2 autuações de menores envolvidos em assassinatos
- 250 procedimentos envolvendo menores em crimes violentos
- 193 inquéritos abertos este ano
- 171 já concluídos e encaminhados para a Justiça, aguardando julgamento
- 80% dos assassinatos estão relacionados ao tráfico de drogas
- 12 a 30 anos: é a pena prevista em homicídios qualificados

Por Celso Martinelli