“Deixar o Cruzeiro sangrando até as próximas eleições é uma maldade com a Nação Azul”

19/07/21 - 08:29

Presidente do Cruzeiro gosta de se vestir como jogador ou membro da Comissão Técnica, até em entrevista coletiva. Promessas feitas na campanha para se eleger não se concretizaram
Presidente do Cruzeiro gosta de se vestir como jogador ou membro da Comissão Técnica, até em entrevista coletiva. Promessas feitas na campanha para se eleger não se concretizaram

CHICO MAIA

Neste domingo uma facção da torcida do Cruzeiro invadiu a Toca da Raposa na ilusão de que encontraria o presidente Sérgio Santos Rodrigues, com o objetivo de exigir a sua renúncia. Certamente ele responderá a mais este protesto, com a mesma fala do dia sete de julho, quando deu coletiva sobre os protestos e o mesmo pedido da torcida em junho, registrado no dia 07/07 pelo Superesportes:

“Presidente do Cruzeiro minimiza protestos da torcida e descarta renúncia”

Sérgio indicou que ato na porta da Toca da Raposa II, em junho, foi político

Em meio à crise do Cruzeiro, o presidente Sérgio Santos Rodrigues voltou a conceder entrevista coletiva após longo período. Nesta terça-feira, dentre vários outros assuntos, ele descartou renunciar ao cargo, mesmo que o clube permaneça por mais uma temporada na Série B do Campeonato Brasileiro.

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O que motiva um advogado de prestígio como ele a se agarrar ao cargo, mesmo sabendo que não está dando conta da missão? Pior, sabendo que as coisas estão piorando e a desesperança dos cruzeirenses batendo às portas do desespero.

Um dos mais tradicionais cruzeirenses que conheço, Carlos Ferrer, o “Baiano”, foi líder de torcida organizada nos tempos românticos da criação das mesmas, nos anos 1970/1980. Com a mudança de perfil deste movimento, ele deixou a torcida, que inclusive nem existe mais. Porém, a paixão pelo Cruzeiro permanece intacta e ele nunca deixou de ir aos jogos e acompanhar o time de perto. Excelente escritor, escreveu, sexta-feira, antes do vexame no Mineirão contra o Avaí, pedindo que o atual presidente tenha bom senso e entregue o cargo. Confira:

*Azul Desbotado e Estrela Cadente*
Carlos Ferrer / Baiano

Se houvesse público nos jogos atuais, o azul celeste não estaria tão desbotado como está. A alma cruzeirense está nas arquibancadas.

O Conselho do Cruzeiro nunca teve nenhuma influência e só serviu para eleger dirigentes que falavam _”sim, senhor”_.

Se as arquibancadas estivessem cheias, jogadores medíocres como os que compõem hoje o nosso elenco não continuariam nos envergonhando.

O Cruzeiro, infelizmente, não tem direção. E, sem direção, não sabe o rumo a tomar.

O Cruzeiro é improviso, é a vaidade acima de tudo e de todos que amam o azul profundo.

Pelo menos 4 grupos dentro do Clube não se entendem, e o abraço do náufrago leva para o fundo do poço o sonho e a paixão de 9 milhões de torcedores.

O Cruzeiro, por ser um gigante, sairá dessa, mas o preço será um sofrimento jamais imaginado.

Em um mundo em que um jogador vale 700 milhões de reais, como o brucutu centroavante da seleção inglesa, uma marca do tamanho do Cruzeiro não poderia ter tanta dificuldade para
encontrar uma parceria.

A camisa do Cruzeiro está parecendo uma colcha de retalhos de pequenos negócios.

Mesmo conhecendo o tamanho da vaidade humana, nunca consegui entender porque o atual presidente quis sentar na cadeira que foi do Felício.

Se não tinha projetos e nem investidores, seria melhor cuidar dos seus processos. Ou será que tem maribondo nessa laranja madura?

É possível. No Brasil de hoje, tudo é possível.

O mínimo de bom senso manda pegar o boné e partir para outras aventuras.

Deixar o Cruzeiro sangrando até as próximas eleições é uma maldade com a Nação Azul.

Para a felicidade geral da Nação, diga ao nosso povo que você não fica, Presidente.

Belo Horizonte, 16 de julho de 2021

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