Abril Indígena - Semana dos povos indígenas

18/04/21 - 06:55

Padre Warlem Dias

SOBREVIVÊNCIA E RESISTÊNCIA

"Meu pai contou para mim, eu vou contar para meu filho. Quando ele morrer? Ele conta para o filho dele. É assim: ninguém esquece." Kelé Maxacali 

A defesa dos povos indígenas é compromisso cristão.

O abril indígena não é arremedo de um “não indígena” de penas e cocar. A semana dos Povos Indígenas objetiva dar a conhecer à sociedade, a realidade e diversidade dos povos indígenas e suas lutas por direitos na superação de preconceitos e discriminação. 

Ao fixar o nosso olhar nos Povos Indígenas, vem na memória uma longa e traumática história de invasão, sujeição, violência e negação da identidade que perpassam os nossos dias. Tal qual, um rolo compressor, o projeto colonizador esmagou as aspirações mais profundas dos povos originários. 

Na pandemia a luta é contra os vírus que encobrem e matam seus direitos à terra do bem viver. Os povos indígenas não querem somente dançar e serem fotografados como exóticos. Querem ser reconhecidos e ouvidos ao falar de terra, língua, religião, saúde, educação, violência ... 

Dos 18 povos indígenas presente em Minas, destaco: “O Povo Kaxixó, guardião do cerrado”

 “Ao levantarmos a nossa história, nos levantamos também”. Cacique Nilvanio

Sou índio kaxixó, na luta vou entrar (bis). Conquistar a nossa terra e pra sempre aqui morar (bis). Com muita coragem e vontade de vencer (bis). Sou índio e vou à luta pra vitória a gente ter (bis).  Cantando e dançando para nossa festa animar (bis). 

Povo resistente e sobrevivente na luta pela terra e no reconhecimento étnico. Hoje, 29 famílias, cem indígenas. Localizados às margens do Rio Pará, no Capão do Zezinho - Martinho Campos/MG, espremidos pela monocultura do eucalipto, vivem em 20 dos 5.411 hectares de direito. Silenciados e perseguidos, perderam a terra, língua e religião. Reconhecidos oficialmente em 2001 e negados localmente.  

No lugar da proteção à vida e a ecologia, interesses econômicos falam mais alto do que a terra do povo Kaxixó, embargada na Justiça Federal. 

A parceria e presença do Cedefes, CIMI e CPT ao acompanhar a luta do povo kaxixó, contribuem para organização de sua história, cultura e dos testemunhos arqueológicos que existem na área kaxixó, na afirmação de sua identidade e conquistas por direitos.

A Diocese de Sete Lagoas, através da Promoção humana e Ecologia Integral, quer   contribuir na luta pela terra e identidade do povo kaxixó.