Charles Foucauld e a oração da Confiança

01/08/21 - 08:11

Padre Warlem Dias

Com o botijão de gás a R$95,00 e a inflação camuflada; 5,7 bilhões para o fundo eleitoral; a Igreja na escuta dos novos desafios, em vistas de uma Igreja sinodal de discípulos missionários, em saída.

Acolho e apresento-lhes Charles de Foucauld (1858 – 1916) um irmão universal, toque da acolhida e solidariedade, portador de Cristo no deserto, imitador da vida oculta de Jesus, pobre e despojado de tudo e sentado no último lugar. 

Foucauld “empreendeu um caminho de transformação até sentir irmão de todos os homens e mulheres. (..) Ele orientou o desejo total de sua pessoa a Deus para identificação com os últimos, os abandonados, nas profundezas do deserto africano”. (Fratelli Tutti, 286-287).

Os muros construídos pelo medo devem ser abatidos, mas para isso é preciso, aproximar-se, encontrar-se, conhecer-se. O encontro com o outro é imprescindível, amá-lo gratuitamente, na hospitalidade e fraternidade. 

Foucauld é a imagem na qual todos os fracassados da história podem se reconhecer. Ele caminha na contramão da sociedade, “não é o único; há outros com ele, todos solitários, todos loucos. O primeiro da fila é o próprio Jesus, o mais louco de todos”, Pe. Pablo d’Ors. 

Vale conhecer este símbolo da loucura e do fracasso, nestes tempos pandêmicos e de deserto, através da oração da confiança, suspiro e força no caminho. 

ORAÇÃO DA CONFIANÇA
Dai-me, Senhor, meu Deus o que vos resta
Aquilo que ninguém Vos pede.
Não vos peço repouso nem a tranquilidade
Nem da alma e nem do corpo.
Não vos peço a riqueza, nem o êxito, nem a saúde.
Tantos vos pedem isso, meu Deus,
Que já não vos sobra para dar,
Dai-me, Senhor, o que vos resta.
Dai-me aquilo que todos recusam.
Quero a insegurança e a inquietação.
Quero a luta e a tormenta.
Dai-me isso, meu Deus, definitivamente.
Dai-me a certeza de que essa será a minha parte para sempre,
Porque nem sempre terei a coragem de Vo-la pedir.
Dai-me, Senhor, o que vos resta.
Dai-me aquilo que os outros não querem.
Mas dai-me também a coragem, a força e a fé. Charles de Foucauld.

Essa oração vai na contramão das demais orações, não se vê nenhum santo nesta audácia. Expressa loucura e fracasso para a teologia da prosperidade e para as nossas relações capitalistas com Deus. É preciso coragem para pedir o “resto” na VIDA, na Igreja e em nossa sociedade.  No complemento está o abandono, totalmente ao Pai, sem medida, com infinita confiança.