Contribuições para pensar um futuro pós pandemia

04/07/21 - 11:50

Padre Evandro Bastos

Ainda não sabemos dizer com precisão sobre o pós pandemia. Muitas coisas já são novas, apesar dos interesses do velho mercado insistir em retornar nos antigos moldes. Impossível! Quem enfrentou o vírus, quem perdeu amores, quem está aprendendo a viver com as sequelas, não consegue fazer tudo como se nada tivesse acontecido. Mudamos e estamos mudando! A forma de ver e ser diante dos coisas produz uma nova maneira de responder à vida, principalmente expondo o fato de que tudo está interligado e exige comprometimento.

Sei que bate uma sensação de saudade de momentos que foram tão interessantes e prazerosos na liberdade das aglomerações, no agito de ir e vir que mesmo cansativo era oportunidade de tantos encontros e abraços. Sei também que reinventamos formas diferentes de expressar a busca por um mundo melhor, quando tudo parecia impossibilidade e o novo era estabelecido. Enfim, precisamos contrabalancear esse desejo de passado e essa vivência de conhecimentos amplos e fortalecidos pela integridade humana.

O primeiro passo já demos: não nos desesperamos frente aos impactos desses tempos. Passamos a pensar, refletir e inteligentemente discernir aquilo que já sinaliza verdadeiramente o direito à vida. Agora, é hora de um segundo momento importante: um projeto pedagógico com nossas escolhas e possíveis caminhos. Pensar um caminho pedagógico é algo muito importante! Nele firmamos os passos rumo ao lugar onde queremos chegar. Quem fica preso ao passado não vai conseguir seguir, e muito menos vai chegar. Ao contrário, vai regredir. Quem quer chegar, segue em frente, mas precisa saber onde quer chegar. O projeto ajuda a concretizar propostas reais. Nada de afirmações falaciosas. Nada de verdades prontas, mas sim, passos concretos em conformidade com as realidades e situações pessoais.

Não é ponto de chegada e sim, ponto de partida. É hora de tatear um novo jeito de viver, e isso só poderemos ou saberemos fazer com dedicado empenho de reciprocidade e categorias humanizantes.

Ousando, quero propor o terceiro passo: o esperançar. Esse verbo vamos conjugar noutro momento, mas não tenho medo de dizer que essa será a aula mais difícil. O verbo exige movimento e concretiza as ações. Só os que tiverem bem fundamentados nas primeiras etapas conseguirão chegar nesse nível.