O verdadeiro grito dos excluídos

06/06/21 - 12:50

Padre Evandro Bastos

Quando a organização coletiva na luta por causas dignas e humanitárias consegue dar o seu grito, não há como silenciar. Isso aconteceu em Sete Lagoas nesse um ano da Ocupação Cidade de Deus. Sobre críticas destrutivas, julgamentos preconceituosos e mentiras do olhar de fora, o povo simples, mulheres, crianças e jovens mantiveram o Grito: “CDD É DE LUTA”. Os direitos conquistados são fruto de muita luta. Aqueles que se assentam nas confortáveis cadeiras do poder esquecem quem os colocou lá para a representação das lutas populares e facilmente abandonam bandeiras legítimas e urgentes. Por isso, não podemos deixar de lutar e gritar por direitos.

O processo de reintegração suspenso por 60 dias, parece apenas uma extensão do tempo de sofrimento para as partes. A prefeitura, que se diz aberta ao diálogo, só foi para a mesa depois de ter fugido do grito do povo e ter sido pressionada. Tentou achar um tapete para esconder a realidade, mas não conseguiu abrigar dignamente quem está muito bem organizado sobre o chão duro da ocupação. Por sua vez, as famílias acampadas, continuam sem casa, alguns ainda debaixo de lona e com muitas demandas de atenção e cuidado. Recebendo ajuda material e moral de voluntários, sem ação efetiva de políticas públicas em defesa da vida. A diferença é que a prefeitura se respalda no poder e o povo sem teto, se agarra ao amor.

Estamos tendo uma aula de organização, participação e luta popular. Precisamos aprender muito com os movimentos de apoio e efetiva ação política nos meios mais pobres e vulneráveis que conseguiram dar esse grito. A OcupaCDD é uma escola de formação humana, sonhos e conquista de direitos. Está ensinando para uma cidade, tão estruturada e aberta ao diálogo, uma verdadeira forma de sentar-se à mesa e trabalhar por dignidade e vida.

    A luta não terminou. Esse primeiro ano de resistência é um passo inicial que nos diz que é possível um mundo melhor! A força da liderança, da articulação aberta, da organização com a diversidade, a coragem, a partilha e o envolvimento dos que acreditam na defesa da vida e da paz, alimenta a luta. Seguimos firmes e confiantes em uma ação transformadora e justa por políticas públicas de habitação, educação, saúde, alimentação, e todos os direitos das minorias. Não vamos nos calar, recuar, nem fugir!

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