Favoritos de Deus

25/07/21 - 08:15

Aloísio Vander

Quem não conhece o adágio: “Ajuda-te que o céu te ajudará”. Seu significado: se já recebemos de graça a vida e as suas oportunidades de crescimento, cabe-nos conquistar a felicidade pelo esforço próprio, para que o mérito seja o alicerce da nossa ventura.

“Tudo me é lícito, mas nem tudo convém”. Outra frase lapidar. Esta é do apóstolo Paulo. O bom uso do livre arbítrio é peça fundamental na engrenagem do sucesso. Acertar nas escolhas adianta a caminhada, evitando percalços em demasia. Mas o livre arbítrio, para funcionar bem, necessita da cooperação da vontade. E esta, por sua vez, não prescinde das ponderações da razão, da lógica e do bom senso.

Emmanuel nos chama a atenção afirmando que, mesmo quando buscamos apoio espiritual, não abrimos mão da realização dos próprios caprichos. E aponta alguns: estamos sempre à cata do predomínio das nossas opiniões; da subordinação dos outros aos nossos pontos de vista; da consideração alheia ao nosso modo de ser; dos caminhos mais agradáveis e das comodidades fáceis da vida.

O admirável evangelizador nos leva a reconhecer que não queremos verdadeiramente ser discípulos de Jesus. Vejamos o que Jesus disse aos seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”; “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”; “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus.”

O mentor, enfático, conclui que nós não desejamos galardão nos céus, queremos galardão aqui e agora, na Terra. Não queremos ser discípulos de Jesus, queremos, isto sim, é ser os favoritos, os prediletos, os protegidos de Deus, sem esforço e, por conseguinte, sem mérito.

Queremos fazer como o filho pródigo: receber a herança antes da hora e gastar tudo nos prazeres do mundo. O problema é quando os recursos se esgotam e temos que empreender a jornada de volta à Casa Paterna, recolhendo pelos caminhos os espinhos que espalhamos.