O sábado

12/09/21 - 09:02

Aloísio Vander

“Ora, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ao ouví-lo, se maravilhavam, dizendo: Donde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe é dada? e como se fazem tais milagres por suas mãos?” (Marcos, 6:2)

O sábado pode ser interpretado de diversos modos nas Escrituras, a depender do contexto em que se insere. Pode simbolizar as convenções organizadas para as diversas atividades humanas e pode igualmente exprimir a culminância de uma série de experiências evolutivas em que um indivíduo ou uma coletividade têm a oportunidade de dar um salto para frente e para o alto.

O texto diz que Jesus aguardou o sábado para começar a ensinar, o que deixa claro que o sentido dessa palavra no versículo em tela se identifica com o segundo significado, o de fim de um ciclo de experiências evolutivas e início de outro.

Emmanuel nos afirma que, com a descida de Jesus em pessoa ao solo poeirento da Terra, “começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações”.

Jesus veio na época em que o psiquismo humano já se encontrava apto para compreender as leis divinas apreciadas de um patamar mais elevado, totalmente espiritual.

Mas a reação dos circunstantes às palavras e ações de Jesus nos deixa contemplar a rápida reação de mecanismos psíquicos de retenção às faixas sombrias da retaguarda, nada obstante a grande alvorada de luz que se apresentava diante deles.

As indagações: “Donde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe é dada? e como se fazem tais milagres por suas mãos?”, denunciam que, embora o terreno do coração pudesse estar habilitado, o raciocínio permanecia vincado pelos prejuízos da convenção humana.

Essas torturadas inquirições refletem as dificuldades que enfrentamos até hoje em absorver o “código da fraternidade e do amor” em nossos corações. Admiramos os feitos do Mestre, mas a servidão às convenções do mundo não nos permitiu ainda entronizar as mudanças que nos trariam a definitiva libertação.