Chamaram-me Poeta, e Eu Acreditei! - Um deleite poético 

06/01/22 - 18:57

O poeta Paulo Lopes
O poeta Paulo Lopes

Wellberty Hollyvier D’Beckher

“Não me queira
Não pense que eu sou seu
Não quero ser de ninguém
Para que ninguém seja meu”

Com estes versos o poeta Paulo Lopes abre seu livro de poesias, Chamaram-me Poeta, e Eu Acreditei!. O autor escreve desde muito novo e teve seu primeiro poema revisado pela grande poeta, Mariza da Conceição Pereira, na época sua professora. Muitos de seus poemas se perderam em guardanapos de papel de bares que ele frequentava.

 Paulo teve uma vida boêmia, mas hoje está mais sossegado. É uma pessoa de astral elevadíssimo. Com seu jeito “bonachão”, é confundido às vezes com um padre ou um professor. Ele é um guerreiro que luta pela vida, tem insuficiência renal e faz hemodiálise quatro vezes por semana em Belo Horizonte, às terças, quartas, quintas e sábados. 

Mas chega de falar de seu autor, vamos falar do livro. Chamaram-me Poeta, e Eu Acreditei!, é o resultado de anos de trabalho, é um livro com poesias elegantes, pulsantes, ternas e até cômicas. Seu estilo modernista é ricamente talhado, suas poesias podem nos levar as lágrimas ou nos arrancar um sorriso. 

Uma vez contei uma história minha para ele e, genial com o ele só, fez uma linda poesia que me emocionou muito e que está neste livro. Ele é assim, feito de fatos, de emoções e sentimentos, mas também de raiva, de expiação e de culpa. Me faltam adjetivos para definir seus poemas, que lembram muito Gregório de Matos, o Boca do Inferno, guardada as devidas diferenças de épocas.

“Nos debates dos botecos
Entre cervejas e cachaças
Deixamos os nossos protestos
Para cuidarmos da ressaca”

O livro é dividido em quatro partes: Amor, Protestos, Cotidiano e Cenas, partes estas que tive a honra de fazer os prefácios. O livro conta com 61 poemas, tem um pouco de tudo, amores, bebidas, mulheres, sexo, indignação, amizade e dor de cotovelo. A parte quatro, Cenas, parecem ser tirada de uma peça de teatro. Não tem diálogos, mas parecem, sim, serem cenas, principalmente o poema O Canto da Coã (Cunhã), um dos meus preferidos, se é que se pode gostar mais de um do que de outro. 

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Sua poesia homogênea nos atinge em cheio e é impossível desgrudar do livro até que se sorva toda sua essência. O poeta regurgita sabedoria, alcançada ao longo do tempo. Seus poemas são sólidos e plenos, seu vocabulário parece conter mais palavras que nossa língua conhece. Ele é erudito, mas também popular, sua poesia é para todos e até mesmo quem não é amante do gênero fica extasiado com seus poemas.

“É poesia que contagia
Nos remete à euforia
Desabrochar de ideias 
Desabrochar de flores
Novos Amores
Novos sonhos”

Tenho uma relação estreita com o autor, somos grandes amigos e confidentes. Tive o privilégio de dirigir duas peças com poemas dele: Poesias em Chamas e Uma História de Som e Fúria, esta para comemorar meus 25 anos de direção. 

O livro, Chamaram-me Poeta, e Eu Acreditei!, pode ser adquirido na livraria Creative, no Pátio Lagoa Shopping ou com o autor pelo e-mail: paulohenriqueoliveiralopes@yahoo.com.br 

Nota do livro 9,5\10

imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.

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