DE OLHO NA POLÍTICA, por João Henrique Faria

29/08/21 - 10:19

* João Henrique Faria é jornalista e consultor político eleitoral e governamental, proprietário da Fator Consultoria.
* João Henrique Faria é jornalista e consultor político eleitoral e governamental, proprietário da Fator Consultoria.

João Henrique Faria *
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COVID
Do positivo...
A CPI vai chegando a cada dia mais perto de responsabilizar governos, pessoas e empresas pelo caos que vivenciamos em relação às vacinas. Essa bagunça das compras, as supostas – quase certas – negociatas e o consequente atraso de entregas estão sendo elucidadas.

Ao negativo...
Mas a vacinação ainda segue irregular. Capitais e cidades do interior do país, incluindo aí Minas, sofrem com disparidade em relação ao fluxo da vacinação. Cataguases, no interior de Minas (zona da Mata), fechou a primeira dose até 18 anos, no meio desta semana, enquanto em BH isso só vai ocorrer na semana que vem. E o pior não é isso. O percentual dos totalmente vacinados (duas doses ou dose única) é o terceiro pior entre 130 países que disponibilizam dados da vacinação. Estamos longe, bem longe, de escapar do perigo. E os caras querem público no futebol...

PROBLEMAS DE VIZINHOS 
Durante esta semana que termina, o clima não esteve muito bom entre o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.
Lira deu uma pressionada para Pacheco colocar a minirreforma política em votação. E Pacheco foi na linha “cada um no seu quadrado” e não deu bola pra Lira.
A cada dia, Pacheco vai dando sinais de que não seguirá a linha de atendimento ao presidente da República Jair Bolsonaro – a isso chama-se independência entre os poderes. O contrário está a cada dia mais claro em relação a Lira.

OS MOTIVOS DE PACHECO
Para além do fato do derretimento constante de Bolsonaro, Rodrigo Pacheco tem outros motivos para criar uma postura mais independente em relação ao Palácio do Alvorada. Com a cautela e tranquilidade que lhes são peculiares, Pacheco está sendo colocado na linha de sucessão de Bolsonaro, como a tal terceira via.
Cresce o movimento para tirá-lo do DEM e levá-lo para o PSD, partido presidido nacionalmente por Gilberto Kassab. A estrada para a candidatura de Pacheco a presidente está sendo pavimentada, de forma consistente até o momento. 

KALIL FAZ CORO
O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, em entrevista recente, destacou as qualidades de Rodrigo Pacheco e afirmou que o nome seria muito bem-vindo para ser a terceira via entre Bolsonaro e Lula. O interesse de Kalil certamente cresce, à medida em que passaria a ter um candidato a presidente para ancorá-lo e, ao mesmo tempo, um adversário a menos em uma possível disputa pelo governo de Minas.

DO COXÃO À PICANHA
Sucesso total a foto de Ricardo Stuckert com Lula e a namorada Janja. Stuckert afirma que o objetivo foi aproveitar a belíssima lua, mas a foto gerou sucesso total nas redes sociais e suscitou análises políticas.

No momento em que os bolsonaristas iam de vento em popa com suas ideias estapafúrdias para as manifestações do 7 de setembro, a foto quebrou tudo, em termos de acesso e engajamento, por mostrar um Lula sarado de “coxão” malhado.

A brincadeira política foi: “Já temos o coxão, agora falta ter a picanha de volta à mesa”.

Fato importante: a foto gerou forte engajamento entre aqueles que não têm a política como assunto preferencial.

EM TEMPO
O jornalista e apresentador de TV, Pedro Bial, gerou polêmica, há poucos meses, ao afirmar que para entrevistar Lula em seu programa seria necessário colocar um polígrafo (aparelho utilizado para medir verdades e mentiras ditas). Porém, em entrevista esta semana com Fernando Haddad, Bial pediu para que ele intercedesse junto a Lula, para que viesse ao programa. A terra gira.