Quem será o maior?

19/09/21 - 10:21

Padre Evandro Bastos

É errado querer ser grande e realizado? NÃO! Está errado querer ser reconhecido? NÃO! Nada disso está proibido, nem é contrário ao plano de Deus que sempre desejou a realização e a plenitude da vida humana. Porém, melhor é ser grande diante dos olhos de Deus, e não dos olhares invejosos dos homens. Todos querem as glórias, os aplausos, os reconhecimentos. Para isso, estão sempre prontos à competição. De que vale o reconhecimento dos outros, as brigas por poder e riqueza, e nada diante de Deus?

Sabemos que há valores incríveis em buscar por saberes, autoconhecimento, amadurecimento e desenvolvimentos das capacidades. Como é bom ver as pessoas conquistarem seus sonhos, realizarem grandes movimentos e serem reconhecidas. É bom ver o sucesso de uma luta, é bom celebrar uma conquista, é grandioso o desenvolvimento e capacidade de superação que temos. O que não faz sentido, é ter tudo isso e não se sentir, inteiro. Continuar se degladiando por migalhas de poder e bens passageiros. 

É próprio do ser humano a busca pelo reconhecimento. Nós precisamos de reconhecimento: de pai, mãe, chefes, grupos e outros. O problema é quando isso é tomado por rivalidades. Quando colocamos os outros em condição de inferioridade. Quando diminuímos os companheiros de caminhada. Tudo para nos mantermos no lugar dos privilégios e horarias, valorização e reconhecimento.

No caminho para Jerusalém, os discípulos estavam pensando que Jesus tomaria o poder, e dividiria entre eles os cargos e funções. Ele está ensinando o caminho da entrega, mas nem todos darão conta dessa missão. A preocupação é com status e influências.  Por isso, no Evangelho, Ele vai dizer que o caminho não é de superioridade. É caminho de serviço. Não há disputa no Reino de Deus. Quanto mais inteiros estamos, menor é o risco de cair nas armadilhas de “quem será o maior?”

Enquanto essa for a preocupação inclusive política, no Brasil e no mundo, haverá “inveja e rivalidade, e aí estará toda espécie de obras más”, diz a Carta de São Tiago. E segue, “a sabedoria, que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos”.