O impacto de queimadas das matas sobre a pele

15/10/21 - 08:45

Dr. Bernardo Teixeira da Costa

As queimadas vão além da questão de aquecimento global e impacto ambiental. Elas têm se tornado um problema dermatológico.

Acordar e vislumbrar uma nuvem cinza cobrindo a cidade se tornou uma cena triste, porém cotidiana neste período do ano.

Com a natureza em chamas e fuligem em cada esquina, muitas pessoas têm se perguntado: será que toda essa fumaça pode prejudicar a pele, além da saúde em geral? Infelizmente, a resposta é um sonoro “sim”! Com certeza, ela pode, irá ou provavelmente já prejudicou o maior órgão do corpo humano.

Durante a queima de biomassa, ou seja, matéria orgânica (como árvores), libera-se um grande número de diferentes poluentes, como monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, material particulado e hidrocarbonetos. Isto é, grandes quantidades de partículas nocivas à saúde, cujos efeitos incluem desde o aumento do risco de desenvolver/agravar doenças respiratórias (asma, bronquite e rinite) até quadros de dor e ardência na garganta, rouquidão, dor de cabeça e irritação ocular.

Com a pele não é diferente. Ela também sofre com a fumaça, o calor intenso e o clima de baixa umidade. Afinal, por ser um órgão de interface, sua principal função é exercer um método de barreira entre o organismo e os agentes externos.

A questão é que, uma vez absorvido pela pele, o material produzido em um incêndio pode infligir seus danos ao criar estresse oxidativo por meio da produção de radicais livres. Essas moléculas instáveis podem gerar o envelhecimento precoce e causar danos à saúde da pele e do organismo. Além de propiciar o surgimento de rugas e manchas, as partículas também podem agravar doenças inflamatórias da pele – como psoríase, dermatite atópica (coceira) e acne.

Um recente trabalho científico, publicado na prestigiosa revista JAMA Dermatology, mostrou que as queimadas são muito mais do que uma questão de aquecimento global e impacto ambiental: têm se tornado um problema dermatológico.

Nesse estudo, realizado em um hospital universitário de San Francisco, Califórnia, entre Outubro de 2018 e Fevereiro de 2019, avaliaram-se 8.049 visitas dermatológicas de 4.147 pacientes. Independentemente da idade, e mesmo a 281 quilômetros do epicentro das queimadas, a poluição ambiental transitória produzida levou a um aumento de visitas por crises de dermatite atópica e prurido (“coceira”), em comparação ao mesmo período de 2015 e 2016, quando não houve grandes queimadas na região.

É recomendável que você procure atendimento profissional para avaliar a complexidade e gravidade da sujeira e dos danos que a fumaça trouxe para sua pele. Assim, o médico dermatologista recomendará o tratamento adequado.

Para além disso, como sempre, certifique-se de beber bastante água e prosseguir com os cuidados diários com sua pele para recuperar a sensação de frescor. A propósito, as queimadas liberam uma quantidade considerável de fumaça, o que pode criar mais névoa no ar. Mas, não se engane: essa “cortina” não impede totalmente a ação dos raios ultravioleta, que é um dos principais causadores de danos à pele. Ou seja, use protetor solar – sempre.

Para saber mais e tirar suas dúvidas, procure ajuda profissional. A clínica Derm Way está localizada na Rua Princesa Isabel, 245, Centro em Sete Lagoas e atende de Segunda a Quinta de 08 às 17:30h e Sexta de 8h às 17h. Telefone para contato: (31) 3773 1234.

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