La Casa de Papel - 5a. temporada

A história parou, tá em loop. 

10/09/21 - 22:40

Wellberty Hollyvier D’Beckher

Não podemos negar que La Casa de Papel é uma série ruim, mas um ruim que não incomoda. A série elaborada por Alex Pina foi criada inicialmente como uma minissérie dividida em duas partes: a primeira parte com nove episódios e segunda com seis. Foi exibida pelo canal Antena 3 e, curiosamente, foi quase um fracasso, digo quase, porque na sua reta final deu uma reagida na audiência.

Mas a Netflix viu alguma coisa que os espanhóis não viram na série e naquele mesmo ano de 2017, adquiriu os direitos globais de streaming, adaptou os episódios para 22 no total e dividiu em duas partes: a primeira com 13 episódios, lançando a primeira parte no catálogo global no dia 20 de dezembro de 2017, e a segunda parte em 6 de abril de 2018. O sucesso foi imediato, logo só se falavam em La Casa de Papel e o mundo passou a ser dividido em quem assistiu e quem não assistiu a série.

Com a série ganhando cada vez mais adeptos e tendo ganhado o status de série mais popular da Netflix, é lógico que uma segunda temporada viria. Mas se contarmos do jeito Netflix, terceira temporada, e ela veio com 16 episódios lançada em duas partes, cada uma com oito episódios, a parte três lançada em 2019 e a quarta em 2020. Mas a história ficou sem final, eles não largam o osso fácil, esticaram ao máximo a série e encomendaram a Alex Pina mais 10 episódios de uma quinta temporada também dividida em duas partes: a primeira em 3 de setembro e a segunda em três de dezembro de 2021.

A série que na prática tem cinco temporadas, na teoria só tem duas histórias: a primeira é um assalto na Casa da Moeda da Espanha e a segunda um assalto ao Banco Central. Muda-se o local, mas no fundo é a mesma história, um grupo de assaltantes carismáticos que ganham o apoio da população e grande espaço na mídia, contra o serviço de inteligência da polícia e o exército, que no mundo de La Casa de Papel, são os vilões: é “o poste mijando no cachorro”.

A primeira história é até interessante, o líder do grupo de assaltantes liderados pelo “Professor” invade a Casa da Moeda, fazem reféns e se defendem da polícia. O Professor parece ser um gênio, ele consegue prever e reagir a toda tentativa da polícia de invadir o local. Para toda ação da polícia, ele tem a solução e reação e o grupo é escolhido conforme suas habilidades. Em um primeiro momento é só alegria, mas quando o bicho pega, cada um demonstra sua real natureza, eles não sabem o nome uns dos outros, são conhecidos pelo nome de grandes cidades, como Tóquio, Berlin, Rio e por aí vai, mas dentro da Casa da Moeda, conforme a tensão aumenta, a hierarquia é abalada. Em um primeiro momento Berlim é o líder, depois Nairóbi e Tóquio e, por fim, Berlim de novo. E como planejado, algumas baixas acontecem, amores nascem, uma inspetora da polícia muda de lado, e tudo acaba bem, porém, se analisarmos bem, não foi propriamente dito um roubo, eles não assaltaram o cofre da Casa da Moeda, não, eles imprimiram seu próprio dinheiro usando as prensas do local. Em tese, o dinheiro não existia, foi criado por eles, para eles.

Se o primeiro “roubo” deu certo e a audiência global foi gigante, por que não fazer um novo assalto?  Mas se já estavam milionários, qual o motivo de se arriscarem de novo? A saída foi simples, a polícia consegue prender um dos homens do professor, e o que ele faz? Reúne todo o grupo e invade o Banco Central, mas agora o plano não é dele, é do Berlim, que morreu ao final do primeiro assalto. Mas agora tudo é grandiloquente: os desafios, os inimigos e a estratégia. Mas, a grosso modo, nada que não tenhamos visto antes, porém melhor. Esta quinta temporada liga o nada ao lugar nenhum, serviu apenas para algumas teorias dos fãs serem derrubadas. Por Tóquio narrar toda a série, se especulava que ela era a única que havia sobrevivido, não é, especulava-se também que a nova negociadora, a agente Sierra, era a mulher do Berlin, Tatiana, não é, e se tinha a crença que o Professor fosse imbatível, o que também não é verdade. A quinta temporada, pelo menos a primeira parte, não diz a que veio, uma pena para os fãs da série.

A série pode ser vista na Netflix. Nota da quinta temporada 4\10
 

imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.

Veja Mais