O Cavalo Amarelo - Agatha Christie flerta com o sobrenatural 

12/01/22 - 14:28

Imagem: literaturapolicial.com
Imagem: literaturapolicial.com

Wellberty Hollyvier D’Beckher

Começo a escrever esta crítica às 12h40, do dia 12 de janeiro de 2022, e esta é uma data muito importante, pois no dia 12 de janeiro de 2021 estreava minha coluna semanal aqui no site do Jornal Sete Dias, um ano já.

Escrevo sobre cinema desde 1997 em um jornal impresso de Sete Lagoas, o Tribuna. Era época de Oscar quando comecei e, naquele ano, o grande vencedor foi Titanic, que levou para casa 11 estatuetas douradas.

Quero agradecer ao Jornal Sete Dias, por me receber tão bem, a Celso Martinelli pelo convite, a Roberta Lanza pela parceria e paciência comigo, e a você, leitor, que é para você e por você que estamos todos aqui. MUITO OBRIGADO.

Agradecimentos feitos, vamos à resenha da semana, O Cavalo Amarelo, produção da BBC de Londres. A minissérie em três capítulos foi criada por Sarah Phelps, que adaptou outras obras da rainha do crime para a TV. Eu já fiz uma crítica sobre outra produção dela aqui, Assassinatos em Dublin, portanto a minissérie tem pedigree.

Na série acompanhamos Mark Easterbrook (Rufus Sewell), o dono de um antiquário cuja sua primeira esposa foi encontrada por ele morta, eletrocutada na banheira. Em pouco tempo ele se casa de novo e, em uma noite de amor com a amante, a encontra morta no outro dia, se limpa e vai para casa, como se nada tivesse acontecido. Como se não bastasse, seu nome aparece em uma lista no sapato de uma mulher morta, com nomes de pessoas que já morreram e algumas que vão morrendo, e Mark se torna o principal suspeito. Com isso, Mark passa a investigar por conta própria e acaba descobrindo o Cavalo Amarelo, uma casa em vilarejo onde moram três supostas bruxas. Dizem na cidade que elas usam magia negra para se livrar de parentes ricos, mas não de sua herança.

O primeiro episódio pode parecer à primeira vista confuso, cheio de imagens desconexas e cenas sem sentido, mas não é. Tenham paciência, aos poucos tudo vai fazendo sentido para o expectador. Estamos falando de uma obra baseada em um livro de Agatha Christie, então nada é o que parece ser, tudo e todos parecem suspeitos mas, à medida que avançamos, vamos nos perdendo ainda mais. Tudo parece indicar uma coisa e Mark acha a solução, mas não se esqueçam, a rainha do crime prega peças o tempo todo na gente.

A minissérie em três episódios é muito bem executada, sua reconstituição de época é perfeita (a série se passa entre 1960 e 1961), a produção de arte é bem executada, figurinos e cenários competentes, e iluminação e trilha sonora condizentes com a história. Tecnicamente é uma série irretocável, os atores estão bem nos seus personagens e a direção é segura. É uma minissérie bonita de se ver e, por se tratar de uma adaptação, toma certas licenças poéticas. Algumas funcionam, outras não. A trama da segunda esposa, por exemplo, é mal conduzida, tinha potencial para mais. O detetive responsável pelo caso quase não tem tempo de tela, ao contrário do livro, onde ele tem um papel de destaque. Mas livro é livro e TV é TV, há de se respeitar as diferenças narrativas.

No geral, a minissérie agrada até aos fãs mais xiitas da autora, é competente na sua proposta e na execução. Não é 100% fiel ao livro, mas não foge muito da trama original, suas qualidades são inúmeras, contra um ou outro desacerto. É para fãs ou para quem nunca leu um livro da autora, agrada aos dois públicos.

A série está disponível na Globoplay. Nota 8,5\10

Começo a escrever esta crítica às 12h40, do dia 12 de janeiro de 2022, e esta é uma data muito importante, pois no dia 12 de janeiro de 2021 estreava minha coluna semanal aqui no site do Jornal Sete Dias, um ano já.

Escrevo sobre cinema desde 1997 em um jornal impresso de Sete Lagoas, o Tribuna. Era época de Oscar quando comecei e, naquele ano, o grande vencedor foi Titanic, que levou para casa 11 estatuetas douradas.

Quero agradecer ao Jornal Sete Dias, por me receber tão bem, a Celso Martinelli pelo convite, a Roberta Lanza pela parceria e paciência comigo, e a você, leitor, que é para você e por você que estamos todos aqui. MUITO OBRIGADO.

Agradecimentos feitos, vamos à resenha da semana, O Cavalo Amarelo, produção da BBC de Londres. A minissérie em três capítulos foi criada por Sarah Phelps, que adaptou outras obras da rainha do crime para a TV. Eu já fiz uma crítica sobre outra produção dela aqui, Assassinatos em Dublin, portanto a minissérie tem pedigree.

Na série acompanhamos Mark Easterbrook (Rufus Sewell), o dono de um antiquário cuja sua primeira esposa foi encontrada por ele morta, eletrocutada na banheira. Em pouco tempo ele se casa de novo e, em uma noite de amor com a amante, a encontra morta no outro dia, se limpa e vai para casa, como se nada tivesse acontecido. Como se não bastasse, seu nome aparece em uma lista no sapato de uma mulher morta, com nomes de pessoas que já morreram e algumas que vão morrendo, e Mark se torna o principal suspeito. Com isso, Mark passa a investigar por conta própria e acaba descobrindo o Cavalo Amarelo, uma casa em vilarejo onde moram três supostas bruxas. Dizem na cidade que elas usam magia negra para se livrar de parentes ricos, mas não de sua herança.

O primeiro episódio pode parecer à primeira vista confuso, cheio de imagens desconexas e cenas sem sentido, mas não é. Tenham paciência, aos poucos tudo vai fazendo sentido para o expectador. Estamos falando de uma obra baseada em um livro de Agatha Christie, então nada é o que parece ser, tudo e todos parecem suspeitos mas, à medida que avançamos, vamos nos perdendo ainda mais. Tudo parece indicar uma coisa e Mark acha a solução, mas não se esqueçam, a rainha do crime prega peças o tempo todo na gente.

A minissérie em três episódios é muito bem executada, sua reconstituição de época é perfeita (a série se passa entre 1960 e 1961), a produção de arte é bem executada, figurinos e cenários competentes, e iluminação e trilha sonora condizentes com a história. Tecnicamente é uma série irretocável, os atores estão bem nos seus personagens e a direção é segura. É uma minissérie bonita de se ver e, por se tratar de uma adaptação, toma certas licenças poéticas. Algumas funcionam, outras não. A trama da segunda esposa, por exemplo, é mal conduzida, tinha potencial para mais. O detetive responsável pelo caso quase não tem tempo de tela, ao contrário do livro, onde ele tem um papel de destaque. Mas livro é livro e TV é TV, há de se respeitar as diferenças narrativas.

No geral, a minissérie agrada até aos fãs mais xiitas da autora, é competente na sua proposta e na execução. Não é 100% fiel ao livro, mas não foge muito da trama original, suas qualidades são inúmeras, contra um ou outro desacerto. É para fãs ou para quem nunca leu um livro da autora, agrada aos dois públicos.

A série está disponível na Globoplay. Nota 8,5\10

imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.