O Homem Das Castanhas - Uma série acima da média de suspense

18/10/21 - 20:31

Wellberty Hollyvier D’Beckher

Primeiramente gostaria de abrir esta resenha e dizer que não vou fazer uma crítica de Round 6, gostei da série e minha nota para ela é 7\10. Não vou fazer a crítica porque é uma série perigosa de se falar por vários motivos, mas o principal deles é que é uma série com censura 16 anos, mas que está tendo uma visualização muito grande de crianças e pré-adolescentes. Não quero fazer parte disso, em respeito às famílias que me acompanham nas redes sociais e no jornal SETE DIAS. 

Dito isto, vamos ao que interessa, a série O Homem das Castanhas. O nome pode parecer incomum, mas não deixe se enganar, pois a série é ótima. Lançada recentemente pela Netflix, foi eclipsada por outras séries de mais apelo popular, dentre elas a própria Round 6 e Missa da Meia-Noite. Mas nem por isso deixa de ser uma série bem interessante, muito bem elaborada e que por ter apenas 6 episódios de 50 minutos cada, dá para ver rapidamente.

Trailer:


A série começa em 1985, com diversos assassinatos de membros de uma mesma família, onde há apenas uma garotinha sobrevivente. Ela avança para 2021 e temos um assassinato de uma mulher, que tem uma das mãos decepadas e ao lado do corpo é encontrado um boneco de castanha com as digitais de uma pré-adolescente presumidamente morta há um ano. A série é focada na violência contra a mulher e o descaso das autoridades com isso.

Para resolver este caso de assassinato, são designados os policiais Naia Thulin (Danica Curcic) e Mark Hess (Mikkel Boe Folsgaard). Naia começa a série pedindo ao chefe para ser transferida para o trabalho burocrático para ter mais tempo para ficar com a filha, que é cuidada pelo seu padrasto, Mark. Ela só está no caso para cumprir um rebaixamento como punição por um erro anterior. A série dinamarquesa tem um tom político forte, já que a mãe da menina que foi assassinada um ano antes, e tem suas digitais no boneco de neve, é uma ministra do governo da Dinamarca. Este tipo de entrelace de histórias com certo teor político é típico das produções europeias.

O elenco principal é pequeno e bem coeso, a série não aposta em subtramas, tudo é focado em descobrir o assassino das castanhas e o que a menina morta há um ano tem a ver com isso. Um novo crime acontece, uma nova mulher é assassinada. Agora a polícia mais do que nunca se vê pressionada. A imprensa começa a fazer barulho com o caso e Naia e Mark, que são policiais de modos opostos, estão sendo pressionados por todos os lados, e cada um reage à pressão ao seu modo. Naia vê sua filha cada vês mais distante dela e Mark começa a desmoronar, seu passado começa a realmente pesar nas suas decisões.

A fotografia da série é excelente, assim como seu designer de produção, sua trilha sonora é muito eficiente, e seu elenco principal é muito competente. A medida que a trama avança e mais violências contra as mulheres vem sendo mostradas em tela, mais ficamos perto do assassino e suas motivações que, embora tenha um motivo nobre, nada justifica seus fins. O assassino parece sempre estar um passo à frente da força policial, que vê alguns de seus planos frustrados, e isso tem um impacto forte sobre os personagens. A sensação do “quase” permeia a série, os pais da garotinha morta há um ano lidam de maneira diferente com o luto, a mãe segue em frente, o pai começa a achar que a filha não foi assassina, embora o assassino tenha confessado, o que pesa na sua decisão é que o corpo da menina nunca foi encontrado e suas digitais aparecendo na cena de assassinatos. Parecem querer atingir a mãe da garota que faz parte do governo e que no passado tomou decisões questionáveis. A série é surpreendente, tem polts muito bons e um final bem interessante. Se você quer uma boa série de suspense, está é a ideal para você.

A série pode ser vista na Netflix. Nota 9\10
 

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Wellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.

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