Direita, Esquerda ou Centro: quem deve governar?

19/11/21 - 11:34

Dr. Silvio de Sá

Ao escrever o livro - “As Leis”, em 437 a.C, o filosofo Platão sustentou a tese de que a governança ou a condução do Estado deveria ficar a cargo dos sábios, cabendo aos ignorantes apenas segui-los. Pois bem, esse era o pressuposto fundamental da teoria da política, idealizada por Platão. 

Em síntese, Platão centralizava toda a sua teoria política em apenas uma única pergunta, ou seja: Quem deve governar o Estado? A partir dessa proposição teórica, apresentada em 437 a.C, Platão problematizou um tema que permanece presente no debate político até os dias atuais.

Ora, é claro que, em face da pergunta formulada por Platão, é provável que as pessoas tenham uma tendência de responder nos seguintes termos: “os mais sábios”, “o estadista”, “os capitalistas”, “os trabalhadores”, “o Povo”. Em outros grupos sociais podemos encontrar respostas como: “A vontade geral”, “a esquerda”, “a direita”, “o centro”, ou até mesmo, “o ditador”!  

Para sair desse contexto o debate político, na atualidade, fala que é preciso sair da polarização entre esquerda, direita ou centro e buscar uma “terceira via” para promover a governança do Estado. Entretanto, a chamada “terceira via”, assim como a esquerda, centro ou a direita, são vertentes ideológicas que servem aos pressupostos teóricos formulados por Platão, ou seja, o debate político permanece centrado na pergunta “quem deve governar o Estado”. 

Isso significa que, em pleno século XXI, as teses de Platão permanecem sólidas, firmes e ainda pautam o debate político da atualidade. A propósito, foi a premissa centrada na pergunta: quem deve governar o Estado, que levou humanidades à divergência infindáveis e cisões políticas nefastas à vida humana. 

Contudo, poucos perceberam que a questão central na teoria política não é “quem deve governar o Estado”, mas “como podemos organizar as instituições políticas de modo que os governantes, bons, maus ou incompetentes, possam ser impedidos de fazer demasiados estragos”. Em nosso entender, essa é a premissa central que deveria pautar o debate político nas democracias modernas.  

A explicação é bastante simples: embora em política devemos sempre buscar o melhor, precisaremos, entretanto, nos preparar ao máximo para o pior. A política é o espaço natural da sedução, do interesse, da retórica e da persuasão, de modo que não será difícil encontrar “lobos” transvestidos de político: caridoso, bondoso, sábio, ignorante ou ditadores. 

A tese do controle do poder, pela via das instituições políticas, pressupõe que um sistema de governo será democrático, quando permite que às pessoas do Povo possam livrar dos seus governantes sem a necessidade de derramamento de sangue. Nesse ponto, por exemplo, seria necessário que as instituições estatais proporcionem eleições regulares pelas quais os governantes possam ser destituídos pelos governados, sem a necessidade do uso da força. Mas não é apenas isso, ou seja, as eleições, que assegura a efetividade de uma democracia política. 

Podemos dizer que em uma democracia - isso é o mais importante - a existência de instituições democráticas devem estar vinculadas - condicionadas - à resolução de problemas objetivos que afetam a implantação de uma vida digna para todos (direitos fundamentais). Portanto, não importa que o governante possua uma vertente ou um rótulo determinado. O que realmente importa, na Democracia, é a capacidade do governo em explicitar - de forma objetiva - como a sua governança pretende se valer das instituições para implantar, ainda que gradativamente, uma forma de vida digna para todos. 

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