Você CLAMA ou RECLAMA?

25/06/22 - 09:00

Depois de observar intrigado alguém que tinha o “dom” da reclamação, me agucei a aprofundar sobre o tema, na procura do que motivaria algumas pessoas a dedicarem parte do seu precioso tempo para enaltecer seus aborrecimentos.
Sim, porque é isso que acontece quando se reitera algo já apontado negativamente: reforçar uma insatisfação.
Confesso que minha curiosidade surgiu em um segundo momento. Antes veio o incomodo e a quase repulsa causada por ouvir tanto murmúrio, ao invés de ser apontado as soluções ou as causas do problema. Mas tomado pelo relampejo de um pequenino remorso, decidi tentar compreender as dores do “reclamão”, ao invés de rejeita-lo de imediato.

Comecemos pela etimologia da palavra: Ela vem do Latim RECLAMARE, “gritar, protestar contra”, formado por RE, intensificativo, mais CLAMARE, “gritar”.  
Então temos aí uma derivação. Reclamar é o mesmo que clamar denovo, mas de uma forma insatisfeita, por não ter acontecido algo da forma como gostar-se-ia.

O clamor, por si só, já é algo naturalmente intenso. Clamar é um pedido de tom elevado, quase que uma súplica. Reclamar então é dar mais volume, com timbre de contrariedade a algo que já é vigoroso.
A questão é: Reclamar resolve? Faz com que a súplica seja atendida?

Pode ser que em determinados momentos, a reclamação surta algum efeito produtivo, como por exemplo quando se reivindica pelo direito desrespeitado.
Só que nessas situações existem os meios próprios, como as vias judiciarias, que é a forma de formalizar o protesto.
Se falando da mera murmuração e queixa reiterada, não consigo achar nada de produtivo nas reclamações.
Pelo contrário.  Enquanto clamar é um voto de confiança, externado em um pedido sincero, reclamar é a demonstração de sentimentos contraproducentes e características pejorativas, como a impaciência, ingratidão, vitimíssimo e falta de auto responsabilidade.

É dar ênfase aos descontentamentos, ao invés de enaltecer as graças recebidas. Reclamar do desemprego, do clima, das condições financeiras, da aparência, dos vizinhos, do barulho, do calor, da chuva ou do que quer que seja é renegar a vida, a saúde, a moradia, o conforto ou tudo de maravilhoso que já tem.

Além do que, não conheço quem aprecie a companhia dos que gostam de reclamar. Porque a reclamação não acrescenta valor algum, e deferia ser digerida, ao invés de proferida:

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação, de acordo com a necessidade, a fim de que comunique graça aos que a ouvem. ” (Efésios 4:29)

Por outro lado, clamar, seja diretamente a alguém ou através de oração, é pedir a benção para que algo de bom aconteça. Contudo, junto ao pedido, vem a ação, esforços, determinação, sacrifícios e principalmente a fé de que o clamor será atendido, no momento oportuno.
Uma deixa o entorno pesado, estagnado e não resolve absolutamente nada. A outra, dá ânimo, gera uma esfera positiva e faz perceber que apesar da demanda e dos esforços, ainda assim existem motivos para sorrir e agradecer.
E você? A partir de agora, prefere CLAMAR ou RECLAMAR?