Por Filipe Felizardo
Uma figura querida do bairro Boa Vista, em Sete Lagoas, está há meses com uma campanha em prol de sua saúde: Dario Viana Lima, do tradicional Bar do Ceará, está realizando vaquinhas e, no próximo dia 1° de março, uma feijoada beneficente para arrecadar fundos para seu tratamento com a ajuda de amigos e clientes.

De pai mineiro, desde cedo Dario aprendeu o ofício que lhe dá características únicas; foi atrás do balcão que ele fez sua fama e o gosto da clientela sete-lagoana com os tira-gostos por ele preparados. Nascido no interior do Ceará, o comerciante mantém há 25 anos o bar, que hoje está em frente à Igreja Santana, emprestando o charme único da cidade em movimento com a tranquilidade do interior. Mas numa noite pouco após o expediente, há cerca de um ano e meio, a sua vida mudou. “Recordo que foi numa sexta-feira. Cheguei 9h da manhã, abri o bar, trabalhei o dia inteiro até 22h. Eu discuti com minha esposa e surtei. Depois disso não lembro de mais nada: peguei meu carro e estava em Três Marias”, relata.
Das dificuldades que ele passou durante sua vida de comércio, a saúde foi o baque mais forte: “O médico falou que era excesso de serviço e muita informação”, relata Ceará, que ainda sofre com alguns episódios de falta de memória e dores de cabeça. Atualmente, ele toma 14 medicamentos, durante o dia. “Sinto minha cabeça pesada e um vazio. É ruim demais: acordo, sinto [a cabeça] pesar, depois que vou entrar em si”. Dario apresentou outros sintomas como alteração de humor, depressão e síndrome do Pânico. Com o estado de saúde fragilizado, alguns clientes acabaram se afastando, tornando a vida um pouco mais difícil para Ceará, que pouco a pouco retorna ao comando do bar. Com isso, ele precisa da ajuda da esposa Ana Flávia e do filho.

De consultas e consultas, Dario descobriu o procedimento chamado eletroconvulsoterapia (ECT), que consiste em choques elétricos controlados para transtornos mais severos. Para as sessões realizadas no Hospital André Luiz, em Belo Horizonte, o comerciante precisa ser sedado e, após um tempo de observação, liberado. Dez sessões já foram feitas, todas ao custo de R$ 2 mil por procedimento. Porém, ele necessita continuá-las, já que a última terapia foi feita em outubro de 2025 – esta nova bateria consiste em realizar mais dez sessões de ECT. A grande dificuldade que se esbarra é a financeira, já que o procedimento é particular e demanda um dia inteiro de cuidados.
Para quem gosta de bar, o Ceará é um achado de Sete Lagoas: no coração de um dos bairro mais tradicionais da cidade, o local está perto de tudo e serve diversos tira-gostos, todos estes feitos pelo próprio Dario, como a almôndega, carne cozida e joelho de porco, por exemplo. Em um tempo que a reportagem esteve no local, os clientes se sentam na calçada generosa que dá a vista para a Igreja Santana para ver a vida acontecendo – para quem deseja maior privacidade, há mesas na parte interna do bar, além de um espaço para as crianças brincarem. Uma das coisas que chateavam Ceará e família era o afastamento dos clientes por conta do seu estado de saúde. Recentemente, com a divulgação da situação e as promoções sobre as atividades do bar, velhos clientes retornaram, trazendo movimento ao lugar e avivando a esperança de um dos locais com excelentes histórias da região.

Vaquinha
Há pouco mais de cinco meses, uma vaquinha foi criada na internet para ajudar na arrecadação dos valores para a terapia de ECT do comerciante, mas a campanha acabou empacando. E com a urgência de voltar ao tratamento, clientes e amigos estão a realizar uma feijoada beneficente no próximo mês de março com a adesão no valor de R$ 20, que podem ser adquiridas no estabelecimento, que fica na Rua Santana, 256. Por conta das dificuldades, ainda não será possível degustar o prato no bar, sendo feita apenas a retirada dos marmitex no dia 1° de março, um domingo – Ceará garante também que terá a venda durante o dia.
Mas a campanha de arrecadação ainda não acabou e falta muito para que o Ceará possa retornar com o tratamento, já que recentemente teve uma piora da sua condição. Os interessados podem realizar suas contribuições através das chaves PIX: 023.482.356-92 ou 5774615@vakinha.com.br. O bar continua aberto, todos os dias das 9h às 21h, servindo o que há de melhor – e como diz um dos quadros presentes no estabelecimento, cada cliente é um amigo, em que ele agradece sempre pela presença.





