Especial Síndrome de Down – Uma história de amor e inclusão que encanta Cachoeira da Prata

Em uma cidade pequena, onde os laços são fortes, a trajetória de Aline e seu filho Luiz Fernando se tornou símbolo de afeto e de como o acolhimento pode transformar vidas

Aline e Luiz Fernando

Em Cachoeira da Prata, uma história de amor, superação e acolhimento emociona moradores e visitantes. Aline Santos Silveira, tradicional comerciante à frente do Bar da Prata, divide sua rotina entre o trabalho e os cuidados com o filho Luiz Fernando (19 anos), que se tornou uma figura querida por toda a comunidade.

Diagnosticado com trissomia do cromossomo 21 — a síndrome de Down (CID Q90) — Luiz Fernando apresenta também comprometimento cognitivo, alterações comportamentais, como impulsividade e agressividade, e aspectos afetivos que exigem acompanhamento contínuo. Sua trajetória é marcada por desafios, mas, sobretudo, por uma rede sólida de amor, cuidado e dedicação.

Aline relembra que a gestação foi tranquila e cheia de expectativas. “Foi uma gravidez muito tranquila, fiz o pré-natal certinho. Nunca me preocupei, estava tudo bem”, conta. A descoberta da síndrome aconteceu apenas no momento do nascimento. “Foi um susto muito grande. Mas, ao mesmo tempo, o Luiz foi muito bem recebido por toda a família, tanto da minha parte quanto do pai. As irmãs ficaram muito felizes com a chegada dele”, recorda.

Luiz Fernando com as irmãs Maria Elisa e Mariana

Torcedor do Cruzeiro – e também do Galo – Luiz Fernando é fruto de um relacionamento de 15 anos entre Aline e o pai, Fernando Rodrigues Pereira. A família é composta ainda pelas irmãs Maria Elisa e Mariana, que sempre acolheram o irmão com carinho e cumplicidade.

Na cidade, ele foi uma das primeiras crianças com síndrome de Down, o que tornou sua história ainda mais marcante. Desde cedo, conquistou o carinho de todos. “Desde pequeno, ele sempre foi muito aceito e querido. As pessoas têm muito carinho por ele”, afirma Aline.

Luiz Fernando formou em 2025

O cuidado com Luiz sempre contou com o apoio da família, amigos e da rede pública de saúde. Desde os seis meses de idade, ele iniciou acompanhamento na APAE de Sete Lagoas, com transporte garantido pela Prefeitura. Ao longo dos anos, passou por atendimentos multidisciplinares, incluindo terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia, psicologia e musicoterapia, fundamentais para o seu desenvolvimento.

Além disso, também foi assistido pela Associação Ivone e Pedro Lanza, referência regional no atendimento a pessoas com síndrome de Down. Luiz ainda contou com acompanhamento com médica geneticista em Belo Horizonte, realizando exames e avaliações importantes ao longo do crescimento. Com o tempo, devido a mudanças comportamentais, foi encaminhado para acompanhamento psiquiátrico, garantindo um cuidado ainda mais completo.

“Luiz sempre foi muito alegre e feliz. É um menino dócil, sociável e muito querido. Mas teve momentos em que a agressividade e a irritabilidade trouxeram desafios, e por isso o acompanhamento foi fundamental”, destaca a mãe, reforçando a importância do suporte contínuo e especializado.

Hoje, já adolescente, Luiz Fernando formou o ensino médio e segue cercado de carinho — especialmente no Bar da Prata, onde está sempre presente. Entre clientes que se tornaram amigos e uma rotina cheia de afeto, ele conquistou seu espaço e o coração de todos. Sempre sorridente, é recebido com abraços, atenção e respeito.

O QUE PODE MELHORAR

No município, ainda existem desafios importantes a serem superados quando o assunto é inclusão e atendimento às pessoas com necessidades especiais. “Entre as principais demandas está a ausência de espaços de convivência social voltados ao entretenimento e à socialização, como clubes ou ambientes adaptados que promovam integração, lazer e qualidade de vida para esse público e suas famílias”, considera a mãe.

Outro ponto que preocupa é a necessidade de ampliar a formação e qualificação de profissionais de apoio, especialmente na área da educação. Em relação ao preconceito, embora ainda exista na sociedade, há quem enfrente essa realidade com resiliência. “O preconceito existe, mas não me atinge”, finaliza Aline. (CM)