
Durante uma semana a Igreja celebra o Domingo da Páscoa. Isso mesmo: do domingo da Ressurreição até o domingo seguinte, a liturgia católica convida os fiéis a celebrarem uma semana que repete o domingo da grande notícia. São oito dias intensos de renovação do vigor e da fé para glorificar a Deus pela maior notícia da vida: Jesus Ressuscitou dos mortos! As orações próprias, os votos de Feliz Páscoa, o canto do Glória e os relatos do Evangelho da aparição do ressuscitado para seus discípulos.
Para os cristãos não existe um momento mais forte e um acontecimento tão grandioso. Logo, não há outro evento na história da salvação que supere a realização da grande promessa. A antiga páscoa dos judeus torna-se inspiração, mas é limitada diante da grande libertação que agora não é da escravidão e exploração humana, e sim, a libertação do pecado e da morte.
Logo que passa a chamada oitava da Páscoa, essa longa semana que refaz o domingo da vida nova, o Evangelho conta da sempre presente dúvida humana. Depois de aparecer para os discípulos e anunciar a vitória, Tomé, nosso irmão gêmeo, questiona e pede provas concretas. Ele não estava quando Jesus apareceu. Por isso, quer tocar nas feridas, deseja sentir nas mãos, no toque, a presença viva de Jesus.
Inaugura-se com essa narrativa o tempo da jornada que segue entre os crentes com uma constante fragilidade existencial: estamos sempre a procura de provas e racionalidades justificativas quando nossa experiência é insuficiente. Provavelmente o entendimento de Tomé esteja diretamente ligado ao seu desejo de compreender aquilo que antes havia dito, “Não sabemos para onde vais. Como conheceremos o caminho?” É desejo profundo como o de muitos entre nós, sobretudo os jovens que nos apresentam questionamentos e dúvidas para uma confiança que seja fruto de profunda reflexão e renovadora visão de mundo.
Há ainda um outro fato interessante: antes da morte de Jesus, quando Ele vai para Betânia ao receber a notícia da morte de Lázaro, alguém afirma que os judeus queriam a pouco apedrejá-lo, e agora Ele quer voltar? Nesse momento Tomé diz: “Vamos para morrer com Ele”. Aqui a conexão fica incrível: quero tocar, sentir, por o dedo na ferida para que minha entrega e minha fé estejam fundamentalmente ressignificadas. O seguimento é maduro. Se escolhemos morrer com Ele, dar também nós, a vida, como Ele nos ensinou, preciso estar inteiramente consciente da minha responsabilidade, missão e papel no anúncio. Minha vida precisa dizer: Ele vive!





