Dois especialistas da UFSJ aprimoram técnica da Epamig-Caldas, que une clima e solo da região, propícios à produção de vinhos finos

A região de Sete Lagoas revela um potencial interessante para a vitivinicultura de inverno, consolidando um modelo inovador que vem transformando a realidade do Sudeste brasileiro. A excelência na produção de vinhos finos nessa localidade não é obra do acaso, mas sim o fruto de uma combinação precisa entre o clima regional e a aplicação de técnicas agronômicas de vanguarda.

O grande divisor de águas desse processo é a técnica da dupla poda. Ao inverter o ciclo natural da videira, o manejo “reprograma” o relógio biológico da planta, transferindo a colheita — que tradicionalmente ocorreria no verão chuvoso — para o inverno. Essa mudança encontra no inverno mineiro o cenário perfeito: um período de estiagem, com alta incidência solar e baixa umidade. Essas condições inibem drasticamente o surgimento de doenças fúngicas e promovem uma maturação lenta e sadia. Aliada a isso está a excelente amplitude térmica da região.
Enquanto os dias quentes impulsionam a doçura e a concentração de aromas, as noites frescas preservam a acidez e a elegância — o equilíbrio exato exigido pelos grandes vinhos. O terroir de Sete Lagoas se completa com seus solos bem drenados, que evitam o encharcamento das raízes e permitem que a planta expresse toda a tipicidade do local nas taças. Com isso, uvas clássicas, a exemplo da Syrah e da Sauvignon Blanc, alcançam um patamar de sanidade e qualidade excepcionais.
Alto potencial enológico e grande resistência a doenças fúngicas
Neste cenário onde a tecnologia supera as limitações do clima tropical, a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) assumiu a vanguarda onde foi implantado em 2022 um vinhedo experimental no Campus Sete Lagoas.

Com o engenheiro agrônomo João Paulo Rocha (especialista em vitivinicultura de dupla poda) e o professor José Carlos Rufini, apoiados pelo Grupo de Estudo em Fruticultura, o Campus de Sete Lagoas trabalha com pesquisas sobre a ecofisiologia da videira e agora dá um passo além rumo à sustentabilidade: a introdução das uvas PIWI. Tratam-se de variedades com alto potencial enológico e grande resistência a doenças fúngicas, o que permite uma drástica redução no uso de defensivos agrícolas, abrindo portas para uma viticultura focada na agricultura regenerativa. Outros projetos de sucesso na região corroboram o potencial da técnica de dupla poda, localizados no município de Jequitibá e Funilândia. Tamanho avanço científico e produtivo atraiu a atenção do Governo Federal. Em recente visita técnica ao polo da UFSJ, o Ministro da Educação, Camilo Santana, expressou sua admiração pela iniciativa. Surpreso com a qualidade dos vinhos e a excelência das pesquisas, o ministro fez questão de incentivar o desenvolvimento dessa tecnologia inovadora. É a prova incontestável de que Sete Lagoas uniu o clima, a terra e a ciência para gravar seu nome no mapa dos grandes vinhos brasileiros.


MEMÓRIA EMPRESARIAL
Em 1995, na Avenida Raquel Teixeira Viana, 510, no Canaã, onde hoje é a Gerais Veículos, quase em frente ao Hotel Roma e Carnes & Afins, funcionava a Toca, um pequeno bar que se tornou ponto de referência para os apreciadores da cerveja “até trincando”, histórias de fazer os presentes rolar de rir e as melhores massas da cidade, com destaque para o nhoque, com molhos como ragu de costela e quatro queijos. Tudo por causa do Bolão (Ricardo Mileo, ao centro), ótimo na cozinha e boa prosa, junto com o filho Renatão Filizzola, queridos por toda a cidade. Segundo os mais antigos, o inventor do “macarrão gourmet” por aqui.

À direita, um dos frequentadores mais assíduos, o Marcão, já falecido, concunhado do ex-prefeito Mário Márcio Maroca. Ao lado do Bolão, o garçom Charopinho, peça rara.
A Toca durou 10 anos e o Bolão se foi aos 73 anos, em 2018, vítima de um câncer de rim.





