por Janayna Bhering (@janaynabhering)
Engenheira com Mestrado em Ciência e Tecnologia; Especialista em Estatística Aplicada a Processos (Six Sigma Black Belt) e Gestão da Inovacao; Doutoranda em Inovação e Tecnologia pela UFMG.

Entre 19 e 21 de maio de 2026, Sete Lagoas foi o centro gravitacional da inovação florestal no Brasil. A primeira edição da Expo Minas Florestal, realizada no Parque de Exposições da cidade, consolidou o que os especialistas do setor já sabiam: o coração da siderurgia verde bate aqui, no centro de Minas Gerais.
Os números falam por si. Mais de 7.400 visitantes, representantes de 19 estados brasileiros e 14 países passaram pelo Parque de Exposições em três dias. Não se trata apenas de uma feira comercial, trata-se de um ecossistema de negócios, ciência e tecnologia que escolheu Sete Lagoas como sede de sua primeira grande manifestação pública.
O foco da feira foi preciso e estratégico: inovações em maquinários para plantio, tecnologias para o setor madeireiro e produção de carvão vegetal. Para quem acompanha o setor de fomento à inovação, é impossível não enxergar aqui a materialização de anos de investimento público e privado em P&D florestal. A cadeia produtiva do eucalipto, da semente ao carvão, ganhou um espaço de visibilidade que faltava.
Dois eventos técnicos paralelos merecem destaque especial. O Viveirotech, dedicado à inovação em viveiros florestais, reuniu pesquisadores e produtores em torno de práticas que definem a competitividade da próxima geração de florestas plantadas. Já o Carvão Verde Brasil posicionou Minas Gerais no debate global sobre descarbonização industrial, tema central para a siderurgia verde e para o cumprimento de compromissos climáticos do setor.
Do ponto de vista da inovação sistêmica, a Expo Minas Florestal representa um salto de maturidade. Quando um evento de estreia atrai profissionais de 14 países, sinaliza que a inteligência do setor reconhece nesta região uma concentração única de competências: produção florestal de escala, tecnologia de carbonização, demanda industrial qualificada e infraestrutura logística. Esse conjunto não é replicável facilmente, e Sete Lagoas deve tratá-lo como ativo estratégico.
Para os gestores públicos e empresários locais, o recado é claro: o ambiente está pronto. O próximo passo é estruturar mecanismos permanentes de atração de investimentos em inovação, editais regionais, parcerias com ICTs, programas de aceleração, que transformem o protagonismo conquistado nessa primeira edição em vantagem competitiva duradoura.
Sete Lagoas não apenas sediou um evento. Declarou uma vocação.





