CHICO MAIA – França 2026/Brasil1982

Mais uma atuação impecável da seleção comandada por Didier Deschamps, que atropelou a Suécia, 3 x 0, mas poderia ter sido por mais de cinco. O goleiro sueco é excelente e evitou um placar mais dilatado.É quas e unânime entre os jornalistas que a França é a maior favorita. Faz lembrar o clima criado em torno da ótima seleção do Telê Santana na Copa da Espanha, favorita absoluta, principalmente depois que atropelou a Argentina no meio do caminho.

Foi parada pela Itália, que andava mal, vivia crise interna, mas jogou demais no estádio Sarriá, e se aproveitou de erros individuais e coletivos do Brasil.

Aguardemos!

Chico Maia acompanhou França 3, Suécia 0

Estádio Nova Iorque/Nova Jersey, momentos antes da entrada dos times Gostei do lugar onde fiquei na área de imprensa neste jogo. 

Mais longe do gramado, calor de 32 graus, porém, no clima da torcida e do ambiente de um jogo de futebol. Bem melhor que na tribuna de imprensa, gelada, parecendo um estúdio de TV ou rádio.

Uma pena!

A maior decepção para mim nessa Copa foi o Uruguai. Campanha ridícula, por conta do grave erro da federação uruguaia que contratou um técnico que já foi muito bom, mas que passou. Hoje é um mal humorado, de mal com a vida, o argentino Marcelo Bielsa. Assim como há jogadores enganadores, há também os treinadores do gênero e Bielsa é um desses casos. Apelidado de “El Loco”, vive até hoje de grandes trabalhos no passado, começando no News Old Boys.

Aliás, grande parte da imprensa e muitas pessoas com poder de decisão adoram um “louco”, de verdade ou que age como tal. E estes saem reproduzindo similares, como o Jorge Sampaoli, cujo maior ídolo e inspirador como técnico é exatamente o Bielsa.  

Ele se tornou o “queridinho” dos argentinos no final dos anos 1990 e a AFA apostou nele para comandar a seleção. Foi um fracasso na Copa de 2002 Coreia/Japão, quando caiu na fase de grupos, ganhando da Nigéria, 1 x 0; perdendo para a Inglaterra, 1 x 0, e empatando com a Suécia, 1 x 1. Ele tinha à disposição uma das melhores safras de grandes jogadores do futebol argentino, tipo: Batistuta, Sorín, Verón, Ortega, Ayala, Diego Simeone, Aimar, Claudio López, Crespo; Cannigia (ainda jogando muito), além de outros que ele não convocou, como Riquelme e Saviola.

Carentes e coitadinhos

O inglês Tim Vickery, do Sportv é um dos melhores analistas do Brasil, como um todo, não só de futebol. Esta semana ele twittou uma ótima questão, motivo de ótimas pautas para a sequência: @Tim_Vickery “Um aspecto do futebol brasileiro, seleção e clubes, que precisa ser estudado; Porque todo mundo acha que está sendo desrespeitado o tempo inteiro?”

Verdade verdadeira. Há pessoas que se dão um valor maior do que realmente têm, e não conseguem se recolher à própria insignificância, quando o momento exige.

Nos últimos tempos o que temos visto de gente se vitimizando, se dizendo injustiçada, desvalorizada, perseguida e etecetera e tal, é de doer. Complexo de inferioridade inacreditável, que dá a impressão de que os sujeitos e sujeitas querem ser tratados como coitadinhos, incompreendios e carentes. É jogador de futebol, treinador, político, blogueiro e agora até jornalistas já bem rodados, numa carência danada.

Como diria o saudosíssimo mestre Rogério Perez: “Menos gente; muito menos!”.

O outro lado I

Durante uma Copa do Mundo acontecem coisas que costumam passar quase que despercebidas, mas que causam comoção em que tem sensibilidade humana. O técnico do Congo, o francês Sebastian Desabre, 49 anos, só ficou sabendo que o pai dele tinha morrido, após a derrota, de virada para a Inglaterra. E mesmo assim, só depois que terminou a sua entrevista coletiva, quando o responsável pela imprensa da seleção pegou o microfone e disse: “Como não há mais perguntas, anunciamos a morte do pai do treinador Desabre. Nossas condolências mais sentidas!”.

Com cara de assustado, e chocado, o treinador olhou incrédulo para o assessor de imprensa e se levantou imediatamente, sem dizer mais nada.

E lá se foi o Careca!

Obrigado ao Átila Kassius, da Fluxo Press, por essa foto maravilhosa do agora saudosíssimo Careca, com o Victor, na substituição durante o jogo das Lendas do Galo, nas celebrações da inauguração da Arena, em julho de 2023.

Careca nos deixou, aos 82 anos de idade.

Dia de treino e bronca do presidente na Vila Olímpica, do Atlético, em 1989. A partir da esquerda, Careca, então treinador de goleiros; Kemel Chequer (preparador físico), presidente Afonso Paulino, técnioco Jair Pereira, preparador físico Cláudio Pereira Café; Mussula, supervisor; médito Dr. Marcos Vinícius dos Santos Lima, Ligeirinho; massagista Belmiro; Dr. Salim Tebit Filho (médico) e eu.

Essa foto, do Célio Apolinário, em 1989, quando o presidente do Atlético era o Afonso Paulino, e eu tive a honra de ser o primeiro assessor de imprensa da história do Galo, além de responsável por montar a primeira assessoria de imprensa de um grande clube no Brasil. A convite do Afonso, que se foi no dia 8 de maio, aos 89 anos. A ele, também a minha gratidão, e à família e amigos, meus lamentos.

Afonso Araújo Paulino foi dono de jornal, o Jornal de Minas. Ele achava um absurdo os clubes não terem assessorias de imprensa, hoje chamadas de diretorias de comunicação. Ele foi da comunidade de informação do Exército, no regime militar dos anos 1960/1970 e se tornou especialista no assunto.

A assessoria era para “ajudar” a imprensa na cobertura do clube no dia a dia. Mas na verdade era mesmo para controlar tudo o que saía de informação, da base ao profissional, evitando muitas perguntas e até a presença dos repórteres na Vila Olímpica, já que o próprio clube poderia passar tudo, ou quase tudo, aos jornalistas.

Logo depois o Corinthians montou a dele; um pouco mais tarde o Cruzeiro montou a sua e a partir daí, todos os clubes criaram os seus departamentos de comunicação. Para controlar tudo. Até chegarmos aos dias de hoje, em que raramente se permite a entrada de jornalistas nos locais de treinos e até nos setores administrativos, já que “não precisa” da presença dos jornalistas, pois o próprio clube oferece vídeos, fotos e textos, com as entrevistas prontas dos jogadores e dirigentes.

Nada de anormal no mundo do futebol. Anormal e absurdo é repórter ficar acomodado e não procurar suas próprias fontes, para dar informações e entrevistas exclusivas, saindo fora do guarda chuvas dos clubes.

Careca, grande ser humano. Sete Lagoas toda chora essa morte. Ele era querido por crianças, jovens, velhos, pobres, ricos, remediados, pretos, brancos, amarelos, pardos, enfim.

Natural de Baldim (35 KM de SL), mas viveu a vida toda em Sete Lagoas, onde começou no Textil, o time da Cedro e Cachoeira, depois Democrata, onde se despontou.

À família e milhões de fãs e amigos, meu abraço.

E como diz o Milton, “qualquer dia a gente se encontra”, caro Jésus Carlos da Silva “Careca.

Cento e Nove – Outra morte lamentadíssima no futebol foi a do Vicente Lage, o “109”, aos 93 anos, no mesmo dia, 29 de junho, que o Careca. Diretor e técnico do Valeriodoce de Itabira, Atlético, Cruzeiro, América e vários outros clubes. Foi técnico do nosso Democrata em 1987. Nessa foto, bravo como sempre, quando se sentia prejudicado pelas arbitragens ou pela Federação Mineira de Futebol, em entrevista a mim (direita, Rádio Capital), e ao Marcos Russo, à esquerda, na época da Rádio Inconfidência. No fim, ele terminou como o “pai do Doca”, um dos grandes donos de bares de Belo Horizonte, ganhador de edições do Comida Di Buteco, meu vizinho, da Av. Silva Lobo, no Grajaú/Nova Granada, em Belo Horizonte.

ECOS DO PASSADO

Não tive o privilégio de ver este Democrata de 1966 jogar, mas quem viu diz que foi um dos melhores da história do nosso Jacaré. A partir da esquerda, o agora saudoso Careca, Alex, Eduardo, Rui, Diná e Catocha; Vaguinho, Tiê, Nízio, Luiz Carlos e Alírio.

Foto publicada pelo José Marcos Gonçalves no Memórias de Sete Lagoas.