
A instituição que deveria ser o maior exemplo de moralidade e transparência do país está em frangalhos. E não é por causa de apenas um Ministro. Memória curta, a sociedade brasileira quase não se lembra que o ministro Dias Toffoli anulou provas, investigações e condenações da Operação Lava Jato, em maio deste ano.
Em seu editorial de quarta-feira, 2/8, o jornal Folha de S. Paulo cobra a renúncia do Ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal. Como a renúncia não faz parte do costume de autoridades brasileiras, sugere outros caminhos, com uma advertência triste: “… Sem gesto de desprendimento, restará ao Senado fazer tramitar processo de impeachment; não há muito o que esperar da PGR, infelizmente…”, já que “… O procurador Paulo Gonet, que descaradamente pediu a nulidade do relatório policial, surge emaranhado na teia de afinidades do Master…”.
Só uma reforma drástica do judiciário, começando pela forma da escolha de Ministros do Supremo e Procuradores, poderá devolver a credibilidade às instituições brasileiras. Sim, porque o STF e PGR, na teoria, deveriam fiscalizar, julgar e punir quando for o caso, membros do Executivo e Legislativo.
E este escândalo Banco Master mostra o tanto quanto é complicada a situação do Brasil, já que os dois principais lados protagonistas da nossa política estão envolvidos da cabeça aos pés. Por isso a urgência do surgimento de uma terceira via nestas eleições.
Sob o título “A Moraes cabe a renúncia” o editorial da Folha diz dentre outras coisa que “… Não há mais lugar no Supremo Tribunal Federal (STF) para Alexandre de Moraes. Se o ministro não renunciar, restará ao Senado, por meio de um processo de impeachment, livrar a corte desse fardo. O limite da tolerância com a promiscuidade entre o juiz e o mafioso Daniel Vorcaro havia sido tangenciado com o que se sabia antes das últimas revelações. O contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da mulher de Moraes e as comunicações com o ministro à véspera da prisão do delinquente, numa modalidade que apaga o que foi dito, deixavam pouca dúvida sobre a gravidade da relação… No relatório policial que investigou o caso, o ministro aparece como editor do contrato multimilionário com o escritório da esposa, que negociou mais um acordo, este de R$ 50 milhões, com uma outra empresa de Vorcaro.
Graças à persistência da PF, da imprensa e do ministro André Mendonça, está seriamente ameaçado o pacto de impunidade que tem mantido Moraes isolado de prestar contas. Não há muito o que esperar da Procuradoria-Geral da República (PGR), infelizmente. O procurador Paulo Gonet, que descaradamente pediu a nulidade do relatório policial, surge emaranhado na teia de afinidades do Master…”
Daí a importância do voto em 4 de outubro: só um presidente da república sério, sem suspeições e radicalismos, com um Congresso de maioria igualmente séria, para promover as urgentes reformas que o país precisa, começando pelo judiciário!





