Fábrica de laticínios da Coopersete encerra atividades, mas diretoria garante: cooperativa segue firme e forte

A Coopersete anunciou nesta segunda-feira (28) o encerramento das atividades da fábrica de laticínios que operava desde 1965 e detinha a marca Sete. A decisão foi tomada após a cooperativa registrar prejuízo em 2025 e não conseguir reverter a situação mesmo com apoio de consultorias de mercado. Reuniões internas e uma assembleia geral extraordinária definiram pela extinção da unidade, que funcionará até esta quarta-feira (30). 

Em entrevista ao SETE DIAS, o diretor comercial da Coopersete, Maurílio Vaz de Mello, afirmou que a medida não afeta a captação de leite dos cooperados. O insumo continuará sendo destinado à CCPR, que repassa a produção para a Itambé.  Segundo o dirigente, a cooperativa permanece sólida e seguirá atuando normalmente. “Infelizmente a questão econômica falou mais forte, mas a Coopersete continua firme e sólida e espero que por mais 100 anos”, declarou.

Maurílio Vaz de Mello, diretor comercial da Coopersete / Foto: Filipe Felizardo

SETE DIAS – Como foi a decisão de encerrar as atividades da fábrica de laticínios?

Maurílio Vaz de Mello – A gente vem amadurecendo essa ideia ao longo de um tempo. Em nossas assembleias os nossos cooperados têm ponderado sobre essa questão. E visto que economicamente o laticínio não estava trazendo resultados, a gente convocou uma Assembleia Geral Extraordinária e os cooperados acharam por bem encerrar as atividades.

É uma pena, porque que um produto como o Sete é de qualidade, mas em função desse impacto financeiro que ele estava trazendo negativamente, a gente encerrou as atividades para a cooperativa ficar mais forte ainda. A Coopersete é uma empresa de 78 anos, é sólida, tem vários clientes, cooperados, amigos aqui na cidade, é uma empresa que vai sobreviver por muito tempo ainda. Então eu vim tranquilizar vocês que é um ramo de negócios que a gente está deixando atividade nesse momento e estamos priorizando as outras que temos, que é a venda de ração, de insumos, uma loja que está sendo reformada; um posto de gasolina muito conceituado aqui na cidade.

Somos parceiros da CCPR e os nossos produtores não serão impactados em nada, porque o leite que a gente capta, mandamos para a Central, que envia para a Itambé.

O comércio de maneira geral e a população também, num primeiro momento, vai ter que se adequar ao não ter o produto Sete. Até pedimos desculpas por isso, mas infelizmente a questão econômica falou mais forte e a gente teve que encerrar as atividades, mas a Coopersete continua firme e sólida e espero que por mais 100 anos.

SETE DIAS – E qual o motivo dos prejuízos? A concorrência com grandes empresas afetou a marca?

Maurílio Vaz de Mello – Bom, o ano passado nós fechamos no negativo, mas a gente ponderou e tentou resolver essa situação esse ano, contratando uma consultoria para nos orientar em vários aspectos, mas não fluiu. O mercado é uma coisa mais intrínseca e hoje os players de laticínio são grandes empresas e os pequenos laticínios estão se sentindo sufocados pelos players maiores. E como o produto nosso é de uma qualidade superior e o valor agregado dele é um pouco maior, para competir no mercado hoje é mais complicado.

Então, em função disso, optamos por encerrar as atividades. Esse é o contexto que a gente tem para falar para vocês e tranquilizar, que a cooperativa está firme e sólida aqui para atender todos vocês da região também.

E isso não foi feito de uma hora para outra. Isso foi uma ideia que foi amadurecida, passou por um conselho, passou por uma assembleia dos cooperados, que também foram determinantes para que a tomássemos essa decisão. E nós, como os dirigentes da cooperativa, temos a responsabilidade de zelar pelo dinheiro dos cooperados nossos. Em função disso, resolvemos encerrar as atividades.

E agradecer muito a vocês que nos auxiliaram esse tempo todo, que são clientes do produto Sete, aos nossos parceiros, supermercados, padarias. A gente entende a dificuldade que vocês vão ter em arrumar um produto de qualidade como o nosso, mas a gente agradece muito a vocês pela parceria que vocês tiveram ao longo desses anos com a gente. Foi muito legal a forma que vocês receberam o Sete na sua casa, com todo o carinho.

SETE DIAS – E o que muda para o cooperado? O maquinário da fábrica será alienado?

Maurílio Vaz de Mello – Para os cooperados não muda nada. Os leites deles vão ser captados normalmente. Não tem nada de impacto financeiro para eles, nem econômico, continuando a receber o leite deles normalmente todo dia 15.

E a questão dos equipamentos, vamos negociar. A gente tem players querendo comprar esses equipamentos da gente. E no futuro nada impede também que a gente faça um laticínio compacto, mais moderno, com menos custo operacional. Isso é uma questão econômica. O futuro, enfim, pode-se concretizar outro tipo de negócio em relação ao leite.

SETE DIAS – Maurílio, após o anúncio do fechamento da fábrica, vocês têm recebido uma enxurrada de comentários, perguntando sobre o porquê. Vocês perceberam que o público setelagoano e da região, tem um carinho não só pela cooperativa, mas também pelos produtos Sete?

Maurílio Vaz de Mello – Claro. A população de Sete Lagos e região tem um carinho muito grande, tanto com a marca Sete, como também pela cooperativa. E a gente fica muito satisfeito com isso, e triste ao mesmo tempo de ter que parar uma marca tão conceituada.

Mas a Coopersete vai continuar com vocês aqui, com vento em popa. Estamos reformando a nossa loja, ano que vem ela vai ficar pronta para atender melhor os clientes cooperados e amigos de toda a população de Sete Lagos e região. Enfim, a Coopersete está se modernizando e cada vez mais está se inserindo no mercado.

A Coopersete não está parada no tempo. Apesar de ser uma cooperativa que tem 78 anos, a gente se renova a cada dia, porque o mercado exige isso.