por Amauri Artimos (@amauriartimos)
Promotor de Justiça aposentado, Vice-presidente do CMDCA/SL e presidente do Coral Dom Silvério

O título deste artigo mostra “um ligeiro histórico” de J. FRANCISCO sobre a história do cinema na cidade, publicado no Jornal “Mensagem”, em 11-01-1967, transcrito por JOVELINO LANZA em sua obra “História de Sete Lagoas (Subsídios)”, que tentarei resumir (pág. 157). O autor, porém, já noticiara, em suas “Crônicas”, que o primeiro cinema de “Sete Lagoas foi montado por Braz Filizzola, tendo Sô Moreno como sócio. Funcionava nos fundos da fábrica de copos de papel Festin, dando frente para a Avenida Teófilo Otoni. Era um barracão sem qualquer conforto, mas bem ventilado, pois não tinha paredes.” (JOVELINO LANZA, Minha Sete Lagoas, Crônicas, pág. 40. Belo Horizonte: Carneiro e Companhia Editores, 1958, 204 páginas). “O piso era terra natural, o suporte da música, uma mesinha tosca, e, quem quisesse se sentar, trouxesse cadeira, banco ou o caixote de casa” (J. FRANCISCO, Jornal “Mensagem”, 11-01-1967). Em 1914, antes da Primeira Guerra Mundial, quando tinha sete anos de idade – conta J. FRANCISCO – o público vibrou com o filme ali exibido, “nada menos do que os funerais do Barão do Rio Branco – José Maria da Silva Paranhos, herói da contenda de limites com a Argentina, a Guiana Francesa e o Uruguai na questão do Acre”. O aparelho de som era o gramofone, que tocava um disco da Casa Edison. O segundo cinema – lembra – também surgiu por iniciativa de Braz Filizzola e João Moreno, que fundaram o Cine Meridiano. Ficava ao lado da Sorveteria Nevada, atual Lanchonete Onassis. No local, foi construído o prédio do Banco do Brasil. O charme da população era assistir aos filmes italianos. “O cinema era mudo, mas uma orquestra enchia os ares do ambiente executando peças de acordo com o tipo do filme: se comédia, música alegre; se drama, música triste”. Era o que também ocorria no “Cinema Lux, do Edmundo Cordeiro, na esquina da rua Lassance Cunha com Avenida Teófilo Otoni, bem em frente ao Banco Agrícola. Da orquestra faziam parte: Zequita, Geni Libório, depois esposa de Zequita, porque se casaram ao som da música, e também as meninas de Sá Jove do Zé Branco, como eram conhecidas. Aí, vez por outra tínhamos palco” (JOVELINO LANZA, Minha Sete Lagoas, Crônicas, pág. 40).
“Depois” – continua J. FRANCISCO – veio “o Cine Teatro Luso Brasileiro, fundado pelos Srs. Castilho e Campelo e outros”, cuja direção era de José Estevam Raposo. Exibiu o primeiro faroeste na cidade, com George Walsh, em “Brutalidade”, e algumas peças teatrais. Porém, não suportando a concorrência do Cine Meridiano, acabou por fechar as portas. Mais tarde, formou-se uma sociedade anônima para exploração de cinema e teatro por um grupo de amigos, sendo criado o Cine Teatro Trianon. Foi inaugurado em 1925, com o filme “Paraíso Achado”, estrelado por Wilma Banky e Ronald Colman, ainda no cinema mudo. A sessão só teve início às 22h, porque o filme não chegou no trem das 15h10min e teve que ser buscado de carro. Coube ao Cine Trianon exibir o primeiro filme falado, por meio do sistema vitafone, que era um projetor de filmes equipado com um toca-discos. Contudo, de vez em quando, os diálogos ficavam truncados: os homens com voz de mulher e as mulheres com voz de homem, o que levava o público ao delírio. O Cine Trianon também fechou, pois não conseguiu concorrer com o Cine Meridiano.
Os Irmãos Ferrari – Pepino (José) e Renato, vindos da Itália em 1922, tornaram-se sócios de Braz Filizzola no Cine Meridiano, e, posteriormente, donos do cinema. Antes, arrendaram-no, como fizeram com o Cine Teatro Trianon. Em 03-09-1957, José e Renato inauguraram o Cine Rivello, em frente ao fórum antigo, com o filme “O Céu por Testemunha”. Em 1964, o Cine Teatro Trianon encerrou as atividades. Dez anos após o surgimento do Cine Rivello (12-01-1967), Renato Ferrari inaugurou o Cine Pepino, na Praça Alexandre Lanza, exibindo “Como Matar sua Esposa”, agora, sem o irmão José, que falecera e não pudera participar do evento. O ingresso custava Cr$ 1.000,00 e a renda foi doada ao Hospital Nossa Senhora das Graças. Finaliza, assim, J. FRANCISCO, uma bela história do cinema sete-lagoano, ainda não concluída. Não perca as cenas do próximo capítulo!





