por Amauri Artimos (@amauriartimos)
Promotor de Justiça aposentado, Vice-presidente do CMDCA/SL e presidente do Coral Dom Silvério

Ao caminhar pela Rua Monsenhor Messias (antiga Silva Jardim), em direção à Praça Alexandre Lanza, transportei-me a um passado não tão distante. Ignorando as placas que encobrem as construções, revi a arquitetura e o comércio antigos de nossa cidade, ainda vivos na memória. Década de 1950: Farmácia e Drogaria São João, Loja e Oficina Esperança, Agência Aquino, Sapataria Dornas, Casa Neder, Farmácia Santa Efigênia, Gráfica Sete Lagoas, Casa Moura, Bar e Restaurante São Geraldo … Nos anúncios, pura criatividade: “A Vovozinha se expande, contando para o Valdino, a história da “Sorte Grande”, que ganhou na Agência Aquino! Habilite-se na Agência Aquino e, como a vovozinha, conte mais tarde a história do seu premiado. Agência Aquino: a mais antiga e tradicional casa lotérica da cidade” (REVISTA ACAIACA, pág. 108. Belo Horizonte: Agosto de 1954). O momento faz-me recordar o Dr. João Avellar e o seu Casarão, situado na Rua Monsenhor Messias, 163, tema de um dos artigos desta coluna, que despertou a atenção de sua bisneta Maria Eunice (“Dr. Avellar na Sete Lagoas antiga”, 27-02, p. 12). A pedido da própria Maria Eunice, publico a carta por ela enviada:
“CASA DA FAMÍLIA AVELLAR, na Rua Monsenhor Messias. Em 01 de março de 2026. Estamos sensibilizados pelo interesse altruísta do Dr. Amauri Artimos, que expressa também a vontade da família do Dr. Avellar de preservação de sua casa, com idealizada instalação de um centro cultural da cidade. Esclarecemos as condicionantes que a família está tendo na administração deste imóvel. A Tia Lúcia, última filha moradora, faleceu em dezembro de 2009 e deixou o imóvel, sempre preservado por ela, para 28 sobrinhos. Hoje, passados 16 anos, somos 102 herdeiros, com diferentes percentuais de participação, a maioria residindo fora de Sete Lagoas, e vários deles com idade acima de 90 anos. Até 2014, o COMPAC, sob a presidência do então Secretário de Cultura Márcio Vicente da Silveira Santos, tentou, sem sucesso, a viabilização, pelo município, de um centro cultural no local. Por fim, neste ano, o COMPAC aprovou a preservação parcial da casa (as três salas frontais, com o correspondente volume de telhado visto da rua) e autorização de demolição da parte posterior da edificação. Assim definido, vimos tentando a comercialização do imóvel, que possui uma área de 807,60m2, no centro comercial. A construção vem se deteriorando, apesar de ações emergenciais na sua estrutura, e hoje está ruinosa. Os 102 herdeiros não conseguem viabilizar sua preservação total e a venda seria a solução para a preservação da parte inventariada.
‘Em 2017, a Promotoria de Justiça da Comarca de Sete Lagoas, enxergando risco de desmoronamento, embargou a venda do imóvel e exigiu dos herdeiros a prévia reconstrução da parte inventariada. Essa ação judicializada teve seu desfecho agora, em janeiro de 2026, com a homologação do TAC- Termo de Ajuste de Conduta, que obriga os herdeiros à reconstrução parcial do volume na fachada e autoriza a demolição do restante da casa. Como a edificação é sem laje, sobre barrotes, estruturada em madeira, apodrecida, atacada por cupins, e com tijolos de adobe, também a parede frontal na Rua Monsenhor Messias, já com inclinação, deverá ser demolida e reconstruída conforme a fachada original. Segundo a ordem judicial, teremos até dezembro deste ano para executar a obra e somente após seu término poderemos continuar tentando sua comercialização. Assim sendo, após a obtenção de licenciamentos na Prefeitura e no COMPAC, já solicitados, iniciaremos as demolições, com acompanhamento permanente de engenheiro indicado pelo Ministério Público.
‘Solicitamos ao Dr. Amauri Artimos a divulgação desses esclarecimentos, na sua coluna do Jornal Sete Dias, com agradecimento pelo seu interesse e grande sensibilidade pela história de Sete Lagoas. Maria Eunice de Avelar Marques, representando os herdeiros de Lúcia Victoria de Avellar”. Foto: Publicidade da Casa Moura (Fonte: Retalhos do Passado).





