Foi a minha 11ª cobertura presencial de Copas do Mundo. Se somarmos a Copa feminina na França em 2019, são 12. Sempre que perguntado, tenho dificuldade em dizer qual foi a melhor, e tinha a mesma dificuldade para falar qual a pior.
Agora não terei mais dúvidas: essa nunca será citada entre as melhores. Por causa de fatores alheios ao futebol: a não permissão para a delegação do Iran nem ao menos dormir nos Estados Unidos após suas partidas; a barração discriminada de torcedores de vários países; a barração no aeroporto de um árbitro convocado pela FIFA, o somali mesmo ele tendo um visto diplomático; a subserviência do presidente da FIFA ao presidente dos Estados Unidos, que chegou ao cúmulo de anular os efeitos do cartão vermelho ao atacante Balogun, que deveria cumprir suspensão automática nas quartas de final, contra a Bélgica. Este absurdo foi tão grande que pesquisa divulgada pela imprensa norte-americana, sobre a aceitação do popular no país mostrou que 89% das pessoas ficaram contra essa intervenção indevida, mesmo concordando que a expulsão do jogador foi injusta.
Que desastre, dizem que o treinador do Congo, Sebastian Desabre, não sabia que seu pai havia falecido durante o jogo entre seu time e a Inglaterra. O responsável pela imprensa esperou o fim da coletiva para dizer: “Como não há mais perguntas, anunciamos a morte do pai do treinador… Nossas condolências mais sentidas” O treinador pareceu chocado na hora, foi assim que o informaram!
Nossos comerciais, por favor!
A importação de hábitos do futebol americano, basquete e baseball, que têm vários intervalos para que haja a inserção de mais comerciais durante as partidas, foi outra coisa lamentável, em prejuízo técnico, motivo de reclamação de vários treinadores e jogadores. Jogos de quatro tempos, sob a justificativa de que são pausas para hidratação, mesmo em estádios climatizados, com temperatura ambiente de 21 graus.
Faturamento recorde da FIFA e a questão técnica que se dane. Com tendência da moda ser implantada no mundo todo. Intervalo de meia hora na final, para shows e mais faturamento, outro fato lamentável.
Tratamento ao torcedor e imprensa
Em toda Copa e Olimpíada, o país e principalmente as cidades anfitriãs procuram facilitar a vida dos torcedores que compram ingressos antecipadamente e imprensa. Na Rússia 2018 e Catar 2022, por exemplo, trens para as cidades, metrô e ônibus, eram de graça. E havia ônibus à vontade para a imprensa, de pontos determinados no centro até os estádios. Dessa vez, poucos ônibus.
O lado bom
O aumento de 32 para 48 seleções participantes foi aprovado pela maioria de quem cobriu a Copa. Tivemos ótimas partidas, muitos gols, destaques coletivos e individuais, estádios sempre cheios.
Uma boa final
Alguns companheiros mais velhos da imprensa disseram que Espanha e Argentina fizeram o jogo mais feio da história das finais das Copas. Não devem ter assistido Brasil x Itália em 1994, nos Estados Unidos; ou Alemanha x Argentina, na Itália, em 1990. O primeiro tempo dessa, realmente foi muito ruim, mas o segundo e a prorrogação foram ótimos, com o detalhe negativo histórico, de a Argentina não ter chutado nenhuma bola ao gol espanhol no tempo normal.
Só oito
Das 48 participantes, apenas oito seleções tinham todos os seus jogadores nascidos no próprio território, sem necessidade de naturalização: África do Sul, Arábia Saudita, Áustria, Brasil, Colômbia, Panamá, República Tcheca e Suécia. Elanga, 24 anos, o negro da Suécia, nasceu em Malmö, perto da fronteira com a Dinamarca e tem origem camaronesa. O pai, também conhecido no futebol como Elanga, disputou a Copa da França em 1998, pela seleção de Camarões.
Passeio em Porto Alegre
Vitória incontestável do Cruzeiro no Beira Rio e salto para a sétima posição na tabela.
O que se previa uma partida das mais difíceis foi transformada em tranquila pelo Cruzeiro, que teve uma excelente atuação durante todo o tempo.
Com essa vitória o Cruzeiro subiu para a sétima colocação, com 27 pontos, e domingo recebe o Botafogo, no Mineirão.
Um absurdo
No dia 2 de julho o Cruzeiro anunciou a contratação do Gabriel Pec, que estreou muito bem, dia 20, quarta-feira. Mas, sofreu uma fratura, depois de falta violenta do Victor Gabriel, que tomou cartão vermelho. Contratação mais cara nessa janela de transferências: 12 milhões de dólares, quase R$ 70 milhões. Prejuízo para o Cruzeiro e principalmente para o jogador, que tem que enfrentar as consequências da interrupção da sua carreira.
A legislação deveria prever, que num caso desses, o agressor ficasse sem jogar o mesmo tempo que o agredido. O agressor alega que não teve a intenção de machucar o colega de profissão, mas, e o excesso de força? E o pé alto na falta? Na canela do adversário? Uma punição rigorosa inibiria esse tipo de entrada criminosa.
O Cruzeiro deveria aproveitar o momento e levantar essa bandeira, que certamente beneficiaria a quem sabe jogar futebol e a quem gosta do futebol bem jogado e limpo. Além de proteger os altos investimentos como este que foi feito na aquisição de um jogador de qualidade.
Mais do mesmo
O mesmo Atlético de antes da Copa tropeçou nas limitações do elenco no 1 a 1 em casa contra o Bahia. O público, melhor que o esperado: 31.018 pagantes na Arena. E certamente não foi por causa de coxinha à venda a 13 reais, motivo de alarde besta, sem a menor necessidade. A torcida compareceu na esperança de ver um time mais eficiente que o do primeiro semestre, mesmo que não tenha chegado nenhuma contratação para gerar esperanças.
Dureza é ter que ouvir e ler na imprensa esse jargão bobo, “lei do ex”, toda vez que um ex-jogador de um time faz gol no antigo patrão. Não foi diferente quando o Ademir Fumacinha empatou para o Bahia. “Menos, gente; muito menos”, como diria o mestre Rogério Perez, saudoso jornalista que abominava determinados vícios da profissão.
O técnico Eduardo Dominguez, sem opções no banco para melhorar o desempenho, errou ao tirar Bernard, que era um dos melhores em campo. Como disse o Eduardo Madeira na transmissão da 98 FM, “ficou de muito bom tamanho esse empate”, mesmo sendo em casa!
Próximo adversário, o Palmeiras, domingo, em São Paulo.
E lá se foi o Lalau!
Com que tristeza recebi essa notícia, segunda-feira, postada na página “Post de Moradenses in Memoriam”, do facebook: “Comunicamos com pesar o falecimento de Venceslau Raimundo Oliveira Moura (Lalau), ocorrido hoje, 19/07/26. Nossas condolências aos familiares e amigos em especial aos irmãos Zé Olinto e Alice…

Quem partiu segue vivendo na nossa saudade e com muito carinho na nossa memória.”
Lalau morou em Sete Lagoas durante a juventude, no Bairro Eldorado. Uma figura humana sensacional, que fazia o “bem sem olhar a quem”, e dedicou grande parte da sua vida em defender a causa animal, dos cães em especial. Foi colaborador do Sete Dias, e em meados dos anos 2000 voltou a morar em Morada Nova de Minas, sua terra natal. Lamentavelmente, nos deixou aos 55 anos de idade, vítima de um infarto.
Descanse em paz, caro Lalau, e até um dia!

Obrigado ao nosso amigo em comum, Wellington, atualmente residente em Aracaju, que nos enviou a triste informação.

Missão cumprida – Credencial oficial da FIFA, minha companheira 24 horas, em todo lugar, não só nos ambientes da Copa. Nos Estados Unidos de Trump, andar sem documento pode significar detenção e ida para uma prisão que não é informada a ninguém. Até que se apure a condição legal do sujeito, o risco de morte ou deportação sumária é altíssimo. É o atual país da “maior democracia do mundo”. Totalmente diferente da primeira Copa que eles receberam, em 1994
Ecos do Passado – ESPECIAL

Em 2012, nos preparativos do Brasil para receber a Copa de 2014, tive o prazer de ser moderador de seminários promovidos pelo SEBRAE em várias cidades do Brasil. Um desses, em Nova Lima, que tinha na época o ex-zagueiro do Atlético, Cruzeiro e seleção brasileira, Luizinho, como Secretário de Esportes e Turismo, e o Carlos Alberto Parreira era o palestrante principal. Essas fotos me foram enviadas pela Juliana Rocha, assessora de imprensa da Prefeitura de Nova Lima, na época.

Ausência sentida nesta Copa do Mundo 2026, Parreira, atualmente com 83 anos de idade, agradeceu aos inúmeros convites, da FIFA, e de vários veículos de imprensa, para ser comentarista, presencialmente. Certamente se não estivesse enfrentando sérios problemas de saúde ele estaria lá, nos estádios e camarotes oficiais.
Grande ser humano, excelente treinador, comandante do tetracampeonato nos Estados Unidos em 1994, Parreira luta contra um linfoma de Hodgkin (câncer no sistema linfático), diagnosticado em 2023. A situação estava controlada, porém, a doença voltou, e ele teve que ser internado semanas antes da Copa, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde segue em tratamento.
Força a ele, que se recupere bem e continue prestando grandes serviços ao futebol.





