
A Doutrina Espírita nos ensina que somos espíritos muito antigos. Já estivemos encarnados no seio das mais diversas culturas, religiões…
Se assim é, por que ainda somos tão atrasados moralmente?
Desde as civilizações mais antigas, os homens se ocuparam, prioritariamente, em erguer monumentos ao triunfo pela força, para a derrota e submissão do semelhante.
Depois da vinda de Jesus, começamos a falar e a ensinar o amor e o perdão, mas avançando pouco além do discurso. Aqueles que optaram pela vivência do amor e do perdão, hoje não se encontram mais na Terra; subiram aos mundos felizes, aqui comparecendo apenas com intuito de nos estimularem a seguir-lhes o exemplo.
Um conto do “Irmão X” ilustra bem o que dizemos.
Certa ocasião, há muitos séculos, encontrava-se ajoelhado à porta de um famoso templo um beato, tido como santo, por ali permanecer horas a fio orando.
Um dia, ao seu lado estava um pecador a lhe pedir conselhos, na tentativa de deixar a vida irregular.
A certa altura da conversa, ambos perceberam uma luz que descia do Alto e que, ao se aproximar deles, tomou a forma de um belo e iluminado jovem.
O espírito angelical dirigiu-se ao santo: – Amigo, necessito do seu concurso fraternal. Preciso que me ajude a socorrer uma criança que agoniza dentro de um prostíbulo.
O santo, contrariado, respondeu: – Não posso me aproximar de ambientes impuros.
O anjo voltou à carga: – Há também um homicida que faleceu e necessita ser sepultado.
O santo, mal contendo o desconforto, disse: – Não suporto a aproximação com os criminosos.
Uma vez mais o anjo insistiu: – Temos próximo daqui uma mulher que embriagou-se e está em perigo de vida.
E o santo, sem refletir, respondeu: – Meus princípios não me permitem o contato com prostitutas.
Triste, o anjo olhou para o pecador que, humilde, lhe falou: – Servo do Senhor, sou um pecador, é verdade, mas pode dispor de mim, se eu puder ser útil!
O anjo segurou a mão do pecador e desapareceram ambos na poeira da estrada.
Dois séculos depois, agora desencarnado, lá permanecia o beato, na entrada do templo, na mesma postura.
Olhando para o alto, viu uma luz que se aproximava. A luz tomou a forma humana. Abismado, constatou tratar-se do antigo pecador, agora envolvido em luz dourada.
– Meu filho, onde foi que você arranjou tanta luz? Perguntou o santo.
Acariciando com ternura a cabeça do beato, o ex-pecador respondeu simplesmente: – Caminhei, caminhei…





