
Ao iniciarmos a Semana Santa com a rica liturgia do domingo de ramos e todas as solenidades e ritos de muita fé vivida nas celebrações, lembramos Jesus entrando em Jerusalém, rumo a Cruz, e a Ressurreição. É sempre um momento forte na vida das comunidades cristãs a vivencia de uma semana de intensos encontros, celebrações e memórias do Evangelho. Para muitos, é uma grande catequese, um tempo especial para o envia à missão.
Quem está na caminhada com Jesus, por meio da vida comunitária, sabe que não é uma semana teatral, uma representação daquilo que Jesus passou. Os movimentos pastorais e litúrgicos preservam a pedagogia pelo mistério. Ajudam a fazer a memória, ou seja, revivemos cada passo, convictos de que tudo está acontecendo, o tempo todo, no testemunho cristão hoje.
Assim sendo, a memória de Cristo entrando em Jerusalém, saudado pelas multidões, com hinos de hosana, faz lembrar a esperança de tantas famílias entrando em programas habitacionais carregando o sonho: casa própria. A ceia e entrega do pão e do vinho na celebração da páscoa dos judeus entre os discípulos, é vivida em tantas casas, em torno de inúmeras mesas, agradecidos pela casa, pelo teto.
E as memórias vivas e revividas segue resgatando o Cristo da agonia no Horto, procurado pelos que o condenavam, nas noites de preocupação, angústia, medo de não ter para onde ir com a família quando bate à porta o desemprego, atrasam-se as prestações do financiamento, e muitas outras situações colocam em risco os sonhos por falta de trabalho. O grito torna-se mais forte como no alto da cruz, “perdoa, eles não sabem o que fazem”, quando a ganância e a especulação imobiliária inviabilizam a dignidade da moradia, da vida em comunidade, da garantia do direito de terra, teto e trabalho.
A esperança cristã não termina na cruz. Ela está sempre viva quando a Igreja levanta a voz em uma Campanha da Fraternidade por políticas públicas de moradia digna para todos. É a memória do sepulcro vazio, das mulheres que correm alegres para anunciar a vida nova, nova casa, lugar para morar.
Que essa semana santa, a Semana Maior de 2026, seja de olhar atento, comunhão e compromisso com o Reino da Vida, nestes dias em que o Evangelho de Jesus é mais uma vez realidade que afirma: “Ele veio morar entre nós” (João 1,14)





