por Élida Gontijo, escritora
Sempre a sala de aula foi uma caixa de surpresas, mas na verdade um baú. Vivendo já há 34 anos em salas de aulas percebo muito bem isso.


Abril – Texto dedicado ao aluno Bernardo Kretzer Baldin.
Estes dias estava na sala de aula dando monitoria quando visualizei uma cadeira de rodas adentrando a sala. Nela estava o nosso aluno Bernardo Kretzer Baldin, que há mais de um ano não frequentava a escola, um tumor mudou totalmente a sua vida e da família também. Todos nós do colégio ficamos rezando e torcendo por sua recuperação e cura. Ele sempre foi um aluno muito inteligente e dedicado.
Não tenho palavras para expressar a emoção que tive ao vê-lo com todo esforço entrar na sala ajudado por sua mãe, Fabíola, a orientadora Shirley e a disciplinária Luciene. Todas com um brilho nos olhos, cheios de amor e aconchego para receber alguém tão especial. Estava fazendo revisão de um conteúdo bem poético, figuras de linguagem .
Bernardo ainda fraco seguia com os olhos a explicação e tinha sede de saber, vontade de aprender tudo que havia perdido e olha que gosta mais das exatas. Sempre me chamava em sua cadeira para tirar suas dúvidas. Na hora da correção acertou todos os exercícios. Meus braços arrepiaram, senti a professora mais feliz do mundo, consegui tocar e ensinar aquele coração jovem , aquele adolescente guerreiro.
Bonita não eram as figuras de linguagem que estampavam o poema no quadro e nas folhas impressas , mas a poesia da vida, a hipérbole do amor maior que é ensinar. Meus olhos contiveram as lágrimas deixei pra chorar em casa , aquele momento não era de tristeza, não sei como seriam interpretadas minhas lágrimas. Em minhas preces agradeci a Deus o dom de ensinar, ao Bernardo a oportunidade de ter esperança numa educação onde mais aprendemos que ensinamos. Que assim seja.





