por Celina Queiroz Almeida
Poetisa e professora aposentada

Ontem, 30/03/26, após a Santa Missa, no Santuário e a meditação do Santo Rosário com um grupo bem antigo de bons amigos, saí cantando o Salmo, tranquilamente, de volta pra casa. Trajava uma calça vermelha e havia colocado um tênis branco, que há muito não usava. E seguia cantando!
Na mão direita, uma bolsa onde se lê: “Só por Ti, Jesus” e um Terço com a imagem de São João Paulo II – ainda Beato – presente de um grande amigo, que no país dele estivera. Na mão esquerda, trazia a Liturgia Diária.
De repente, algo me joga ao chão! Bati fortemente os dois joelhos e, com um tremendo estrondo, o queixo! Ali na horizontal, literalmente, olhei para a minha bolsa que fora lançada um pouco à frente e minha mão, sangrava: nela, o Terço vermelho, partido em três pedaços. Reuni-os e me levantei.
Um senhor para o carro, rente à calçada:
_ Nossa! A senhora se machucou?…
_ Não, senhor. Obrigada!
_ A senhora está bem?
_ Sim. Muito obrigada!
O carro se foi e eu, tentando dar um passo, olhei para os meus pés: estavam as minhas pernas amarradas em algo, que procurei tirar para conseguir andar; dei três passos e olhei para trás: era um pequeno quadrado, dessas fitas que a gente usa para lacrar caixas – parece que era isto! Atravessei a rua, estava bem, andando normal, os joelhos doíam um pouco, a mão sangrava e um forte gosto de sangue na boca.
Fiquem tranquilos, dentistas da família! Era o lábio inferior, todo cortado pelos dentes inferiores, o que pude constatar depois. Só uma coisa me incomodava: devia ter tirado aquilo de lá, para que não acontecesse o mesmo com outras pessoas. À noite pensei: vou ver amanhã; quem sabe ainda consigo resgatá-lo?
Hoje, saí bem cedo; dei a volta, passei por lá! Com outras ninharias de lixo, lá estava ele, o malvado, não na calçada; agora já na rua, imundo, e… pasme! Um quadradinho com um palmo de cada lado! Quem pôde me amarrar naquilo?!
Está ali fora: vou queimá-lo!





