Colunista Convidada – O valor da boa vizinhança!

por Celina Queiroz Almeida
Poetisa e professora aposentada

O dia era 20; o mês, janeiro: uma terça-feira. Chovera a noite inteira – e ainda estava chovendo muito! Levantei-me bem cedo, abri a porta, olhei lá fora: como atravessar o rio caudaloso que se formara aqui na rua?… 

Eu queria, como todos os dias, ir à Igreja, mas… como?! Pensei em não ir naquela manhã; dia de São Sebastião, haveria Missa às quinze horas… Porém, como mudar uma programação que já faz parte da rotina há tanto tempo? 

Minutos passando… resolvi chamar Uber. Cheguei a tempo, desci na porta da Capela do Regina Pacis, agradeci, rezei; felizmente, a chuva havia melhorado um pouco; sombrinha aberta, como em dias anteriores, voltei para casa.

Passei pelo supermercado, comprei várias coisas. Fui ao guarda-volumes, pegar minha bolsa, procurei as chaves para já vir com elas na mão; não achei!

Meu Deus! Que fazer?!… Esqueci no Uber! A funcionária que lá estava, muito solícita, tentando ajudar, e, no meu celular, insistia para falar com o motorista. Sem sucesso, apesar de muitas tentativas. Vim para casa desanimada… Coloquei as sacolas no chão… comecei a pensar: que fazer? Campainha, meu esposo não iria ouvir, dorme até tarde. Ai, meu Deus! Ajuda-me, por favor. Uma luz!…

Horrível, chegar em nossa própria casa e não ter como entrar… Que fortaleza! Cerca elétrica, concertinas… Pensei… pensei… bati o interfone da vizinha: uma janelinha se abre: – Sua mãe está aí? – “Está dormindo!” – Tem uma escada? 

Ele veio com uma. – Muito pequena! Tem maior? – “Sim” – Trouxe a outra. Levei as sacolas para lá, subi na escada. Ele, prestativo, segura-a. Lá no portão, na ânsia de entrar, eu havia pensado em uma única possibilidade: se eu conseguir subir até a laje da sauna, eu desço pelo pé de acerola. Eu tinha a certeza de estar destrancada a porta da cozinha, pois todas as manhãs, beijo as Imagens de Nossa Senhora que eu tenho – dentro e fora de casa! 

Alcancei a laje, abracei as ramagens úmidas pelas chuvas e deslizei pelo tronco ao chão! Então, graças às Orações – e à Política da Boa Vizinhança que muito prezo, eu tive a Alegria de entrar em minha casa.

E as chaves só me foram entregues à noitinha!