Colunista Convidado – Mensagens de flores e bom dia deixando de ser bregas em 3, 2, 1…

por Martin Henkel – Especialista em Mercado e Consumo 60+, fundador da SeniorLab Inteligência em Longevidade. Pesquisador e palestrante sobre o impacto da longevidade no comportamento e nas novas formas de viver, morar e consumir no Brasil.

Existe um idioma silencioso, construído muito antes das redes sociais, que ainda hoje se infiltra nos nossos celulares nos primeiros minutos da manhã. São as mensagens de bom dia, os pensamentos positivos, as imagens floridas que muitos jovens chamam de bregas ou piegas. Mas por trás desse formato existe algo mais profundo do que estética: existe história emocional.

Nossos pais e avós 60+ foram educados em um mundo onde afeto raramente vinha em forma explícita. Não se falava de vulnerabilidade, não se discutia saúde mental, não se perguntava “como você está de verdade?”. O afeto era sugerido, não declarado. A comunicação era parcimoniosa, mediada por cartas, rádio, visitas esporádicas. Amar, para aquela geração, era garantir presença mesmo à distância — e qualquer ferramenta servia, desde um cartão de Natal guardado por anos até uma prece enviada todas as manhãs.

Quando os anos passaram, encontraram no celular uma maneira simples de continuar exercendo esse amor. As imagens com flores e frases motivacionais prontas não são sinal de ingenuidade; são continuidade de um repertório afetivo construído ao longo de décadas. É a tentativa de permanecer parte da vida de alguém num tempo em que tudo parece rápido demais e onde a solidão avança com velocidade silenciosa. O que soa piegas para uns, para eles é a verdade emocional inteira: “eu estou aqui, estou pensando amorosamente em você”.

Se conseguirmos ouvir o gesto sem julgar o formato, percebemos que aquele bom dia encaminhado não é uma formalidade ou falta do que fazer, mas um pedido de presença, de lembrança, de reciprocidade. É o modo como uma geração inteira comunica aquilo que nunca pôde dizer de peito aberto. É a forma encontrada para lhe dizer: “Esta é a forma que encontrei de dizer que amo você”.

E é dessa compreensão que nascem novas soluções para viver e conviver na maturidade. O Serrana Living, por exemplo, transforma esse impulso ancestral de conexão em experiências reais de comunidade — onde o vínculo não depende de uma mensagem matinal, mas floresce diariamente em encontros, rotinas e novos sentidos de proximidade. Entendendo quem são e dando espaço para o jeito de ser.

No fim, talvez o aprendizado seja simples: antes de rir da mensagem, leia o sentimento. Tenha certeza que muitas vezes o que interpretamos como brega é apenas a maneira mais sincera que alguém encontrou para continuar pertencendo ao mundo de quem ama.