da Redação
No primeiro dia do governo do prefeito Douglas Melo (PSD), Flávio Henrique Ferreira da Mata assumiu um desafio profissional com forte apelo pessoal. Filho do saudoso Geraldo Magela da Mata, o mais lembrado presidente do Serviço Autônomo de Água (SAAE) de maneira positiva, assumiu o cargo com a missão de colocar a autarquia nos eixos.

A tarefa não é fácil, o SAAE tem mais de 500 funcionários e, no início da gestão, sua capacidade de investimentos estava abaixo de zero. Depois de 15 meses, o cenário mudou na empresa que cuida do fornecimento de água e do saneamento de Sete Lagoas. Medidas estratégicas e urgentes foram tomadas como um programa para acabar coma inadimplência de cerca de 20 mil clientes e reduzir a conta de energia em até R$ 7 milhões por ano.
O SAAE também registra indicadores positivos em sua prestação de serviço, o principal deles uma queda de mais de 80% nas reclamações de falta de água. Na entrevista a seguir, Flávio da Mata fala de projetos, mais desafios e revela segredos de sua gestão.
SETE DIAS – O SAAE é praticamente uma prefeitura à parte, uma estrutura enorme e complexa que é um “para-raios” da administração municipal. Porque você decidiu assumir esse desafio mesmo tendo experiência somente na iniciativa privada?
Flávio da Mata – Encarei com um desafio pessoal. Meu pai foi presidente do SAAE e construiu uma bela história aqui dentro. Além disso, gosto muito de trabalhar na área de saneamento onde estou há mais de 20 anos. Chegou a hora de, efetivamente, ajudar a cidade. E considero tudo uma via de mão dupla, pois estou aprendendo muito a cada dia. Lido com pessoas de setores diversos e os métodos de gestão são muito diferentes entre o público e o privado.
SD – Seu pai Geraldo Magela da Mata é um dos gestores mais respeitados do SAAE. Por esta posição referencial, inclusive, entre servidores de carreira, sua responsabilidade aumenta?
Flávio do Mata – Meu pai prestou serviços ao SAAE por mais de 20 anos e não tem como fugir de comparações e expectativas. Não tenho dúvida de que a responsabilidade é maior até pelo respeito que ele conquistou e história que construiu.
SD – Já no seu primeiro ano de gestão, em 2025, o SAAE demonstrou capacidade de investimento. Qual foi a fórmula para mudar esta realidade que era crítica no início do governo?
Flávio da Mata – A primeira medida foi reduzir os custos fixos. O consumo de energia era o principal fator entre os gatos e conseguimos uma economia anual entre R$ 5 milhões e R$ 7 milhões somente com a mudança de operação no sistema, reduzindo o funcionamento de unidades. Replanejamos tudo, garantindo o fornecimento de água constante podendo parar equipamentos quando necessário. Além disso, buscamos novas tarifas no mercado livre de energia e conseguimos um ótimo contrato com a própria Cemig.
SD – A inadimplência também era um problema que afetava o equilíbrio financeiro?
Flávio da Mata – Outra linha de atuação foi exatamente neste sentido. Quando assumimos, o SAAE tinha cerca de 20 mil clientes inadimplentes, um número absurdo que já reduzimos em mais de 50%. Ressalto que o SAAE oferece oportunidades de negociação e parcelamentos de débitos vencidos, quem se encontra nesta situação deve procurar nosso atendimento. E, em caso de corte, assim que existe a negociação a religação ocorre imediatamente. Outras ações que reforçam o faturamento é o processo de expansão de redes de água e esgoto para novos clientes e também a aquisição de equipamentos que aperfeiçoam serviços como o trabalho de pavimentação e tapa-buracos.
SD – O by-pass, conhecimento popularmente como “gato”, ainda é uma realidade em Sete Lagoas?
Flávio da Mata – Temos muito. E esta é mais uma ação que podemos colocar na recuperação de caixa. O by-pass se encaixa na redução de perda de água, assim como os vazamentos. Ligação sem passar pelo hidrômetro é irregular e gera multa de mais de R$ 3 mil. Infelizmente, é uma questão cultural e os flagrantes são registrados em todos os bairros da cidade. Muitas pessoas ainda acreditaram que, por não termos Copasa e o SAAE ser ligado à Prefeitura, a água não precisa ser paga. Todos devem entender que a autarquia não tem fins lucrativos, o que é arrecadado deve retornar em investimentos para a população.

SD – O início de operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) concluída na gestão anterior também foi um grande feito desta administração.
Flávio da Mata – A ETE entrou em operação do ano passado graças à atuação do prefeito Douglas Melo junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Conquistamos a Licença de Operação e, com isso, já estamos tratamento 60% de todo esgoto coletado na zona urbana do município. Já é um ganho ambiental enorme, mas vamos fazer muito mais. A obra da nova elevatória de Wenceslau Braz está em ritmo acelerado e vamos concluir os interceptores até a ETE. Assim vamos chegar a 100% de tratamento. Os benefícios ambientais para Sete Lagoas e toda bacia do Rio da Velhas são incalculáveis. Também já teremos benefícios relativos ao ICMS Ecológico, quando o Município recebe recursos em função de sua atuação em prol do meio ambiente.
Como um dos principais prestadores de serviços públicos, o SAAE deve receber muitas demandas de vereadores. Como está a relação com a Câmara Municipal?
Flávio da Mata – Transparente e isonômica. Atendemos todos os vereadores de maneira igualitária. Tudo dentro dos limites, mas já atendemos pedidos de extensão de redes, melhorias de abastecimento com novos poços, reservatórios e pavimentações. Dentro desse propósito, já atuamos em regiões estratégicas com projetos de grande alcance.
SD – Os relatórios apresentados pelo SAAE mostram que as reclamações de falta de água caíram mais de 80%. Qual é o segredo deste resultado e é possível zerar este índice?
Flávio da Mata – Hoje temos uma média de dez reclamações de falta de água por dia em um universo de mais de 93 mil ligações. Mesmo assim são registros pontuais provocados por problemas no imóvel ou operações emergenciais na rede. Atravessamos o período mais crítico de seca sem maiores consequências neste sentido. Investimentos mais de R$ 1 milhão em reforma de reservatórios, otimizados manobras, ativamos e vamos construir novos poços e agora vamos fazer mais um reservatório de 10 milhões de litros. Falta de água será coisa do passado.





