Esta é uma principais metas de Vinícius Guimarães, novo Chefe-Geral da empresa

por Chico Maia
Ele vai completar um mês como o novo Chefe-Geral na próxima segunda-feira, 1º de setembro, mas já fez contatos com órgãos, entidades e pessoas, dos setores públicos e privados que têm a ver com o agro, além de participar de vários eventos em Sete Lagoas e região.
Defensor do diálogo, tem a convicção de que a “Embrapa só cumpre o seu papel quando está conectada com quem faz o agro no dia a dia”. Para ele, esse contato inicial “tem sido muito rico para entender melhor as demandas e, ao mesmo tempo, mostrar que a Embrapa Milho e Sorgo está de portas abertas para construir soluções junto com todos os atores do setor”.
Com um currículo e trajetória exemplares, Vinícius Pereira Guimarães conversou com o Sete Dias sobre as suas experiências profissionais, pessoais e os seus planos à frente da nossa unidade da Embrapa.
SD – Como você encontrou a Embrapa aqui e o que pretende implementar como prioridade?
VINÍCIUS: Encontrei uma instituição sólida, com uma equipe altamente qualificada e com resultados de impacto reconhecidos no Brasil e no exterior. A Embrapa Milho e Sorgo tem um legado enorme de contribuições para a agricultura nacional, e isso é motivo de orgulho. Mas também encontrei desafios: precisamos modernizar processos, dar mais visibilidade ao trabalho e fortalecer a integração entre pesquisa e o setor produtivo.
Minha prioridade é ampliar parcerias, aproximar ainda mais a pesquisa da realidade do campo e investir em áreas estratégicas como bioinsumos, sistemas de baixo carbono e diversificação produtiva. Além disso, quero valorizar as pessoas — os nossos pesquisadores, técnicos, assistentes e colaboradores — porque são elas o grande patrimônio da Embrapa.
SD – A busca por alimentos com menor uso de insumos químicos é algo que você pretende desenvolver em sua gestão?
VINÍCIUS: Sem dúvida, essa é uma meta importante, mas eu gosto de olhar o tema de forma mais ampla. O consumidor hoje pede alimentos mais saudáveis, produzidos com menos impacto ambiental. Isso passa, sim, por reduzir o uso de químicos, mas também por adotar práticas sustentáveis, investir em biotecnologia, em bioinsumos e em sistemas produtivos mais inteligentes.
Acredito que podemos acelerar essa transição aqui, apoiando tanto o grande produtor quanto a agricultura familiar, para que todos tenham acesso a tecnologias que melhorem a produção sem abrir mão da sustentabilidade.
SD – Baseado no potencial do que as cidades da região já produzem, é possível detectar possíveis avanços, onde a Embrapa pode contribuir?
VINÍCIUS: Sim, é possível ver avanços claros. A região já é muito forte na pecuária leiteira e na área florestal. O papel da Embrapa é apoiar com tecnologias que possam trazer opções para os sistemas produtivos, que aumentem a produtividade, mas também a rentabilidade e a sustentabilidade.

Vejo oportunidades em bioinsumos, irrigação eficiente, recuperação de áreas degradadas, sistemas integrados, diversificação de culturas, armazenamento de grãos, etc.
Na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) temos a possibilidade de ampliar os sistemas integrados para aumentar a sustentabilidade e a rentabilidade das propriedades. Na Agricultura de Baixo Carbono precisamos fomentar práticas que sequestrem carbono e gerem créditos para o produtor. Na Irrigação Sustentável: aproveitar a expertise da Unidade para otimizar o uso da água, recurso cada vez mais estratégico.
A Embrapa Milho e Sorgo será uma parceira fundamental para transformar esse potencial em realidade.

A Embrapa, em todo o país, sofre muita pressão para desenvolver produtos, soluções e alternativas nas diversas áreas do agro?
VINÍCIUS: Essa pressão existe, sim, mas eu prefiro enxergar como uma responsabilidade positiva. A Embrapa é referência mundial porque entrega ciência transformada em resultado para o campo. Isso cria uma expectativa de que a gente esteja sempre à frente, antecipando desafios e propondo soluções.
É um desafio grande, porque o agro se transforma muito rápido — novas tecnologias, mudanças climáticas, novas exigências de mercado. Mas é justamente essa dinâmica que nos move. Para dar conta disso, precisamos trabalhar em rede: universidades, setor privado, órgãos públicos e produtores, todos juntos. Essa é uma visão que eu trago comigo da minha experiência internacional, em que a integração entre pesquisa e sociedade sempre foi chave para o sucesso.

SD – Apesar de jovem, você é um profissional já experiente, pois morou nos Estados Unidos, na França, no Ceará e teve um projeto de pesquisa no Benin – África. Como essas experiências foram assimiladas e são utilizadas no seu dia a dia?
VINÍCIUS: Essas vivências foram fundamentais para minha formação, tanto profissional quanto pessoal. Elas me mostraram a importância de compreender diferentes culturas, realidades e formas de produzir. Hoje, aplico esse aprendizado no meu dia a dia, valorizando a diversidade de ideias, construindo pontes entre pessoas e instituições, e sempre buscando adaptar o conhecimento científico às diferentes condições regionais.
No Ceará, aprendi muito sobre a convivência com o semiárido e a importância de soluções adaptadas a condições climáticas extremas. Nos Estados Unidos e na França, pude conhecer de perto sistemas produtivos altamente tecnificados e políticas públicas muito estruturadas de apoio à inovação. Já na África, especialmente no Benim, vi de perto os desafios da agricultura em condições de vulnerabilidade, mas também a força da resiliência dos agricultores locais.
Tudo isso me ensinou a valorizar a diversidade e a buscar soluções que realmente façam sentido para cada realidade. Hoje, na Embrapa, tenho a seguinte visão: precisamos de tecnologias de ponta, mas também de soluções simples, acessíveis e práticas para diferentes perfis de produtores.
SD – Do que você tinha saudade de Sete Lagoas e região, que agora, volta ou voltará a curtir?
VINÍCIUS: De muita coisa! Da família, dos amigos, do jeito acolhedor das pessoas daqui e, claro, da boa comida mineira. Sete Lagoas é muito especial para mim pois passei parte da minha infância e adolescência. Poder voltar e viver novamente esse ambiente é muito motivador.
Voltar a caminhar pelos lugares que fizeram parte da minha história, reencontrar pessoas queridas e sentir de novo esse clima de pertencimento. Isso tudo me inspira e me dá ainda mais vontade de trabalhar com dedicação pela região.

Perfil
Pesquisador Vinícius Pereira Guimarães, estudou na Escola Estadual Ulisses Vasconcelos, Regina Pacis e fez o segundo Grau no Colégio João Herculino. Graduou-se em Zootecnia e, paralelamente, em Administração com foco em Comércio Exterior, em Viçosa-MG.
De Viçosa foi para os Estados Unidos para fazer parte do Doutorado, acompanhado da esposa, Patrícia Coelho. Ao retornar ao Brasil foi para Sobral/Ceará para prestar uma consultoria de seis meses à Embrapa, onde ficou por 11 anos.
Com fluência em inglês, francês e espanhol, de Sobral foi para a França, onde ficou três anos e meio, residindo com a esposa e filhos em Montpellier, no Sul do país.
No mestrado e doutorado, especializou-se em modelagem e avaliação econômica de sistemas produtivos, com período sanduíche na Texas A&M University (EUA), onde recebeu o prêmio Joseph Fontenot Appreciation Club.

Iniciou a carreira como consultor do programa BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)/Agrofuturo/Embrapa em gestão de P&D e, posteriormente, atuou como professor em cursos de graduação em Direito, Administração e Medicina Veterinária na área de Economia. Ingressou na Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE) em 2010 onde assumiu funções estratégicas, como supervisão do Setor de Transferência de Tecnologia (SIPT), Chefia de Pesquisa e Desenvolvimento e Chefia de Transferência de Tecnologia, liderando a reestruturação da agenda da Unidade e criação do Centro de Inteligência e Mercado.
Destacou-se na cooperação internacional, representando o Brasil em projetos com FIDA (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola), IGA (International Goat Association) e FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), além de liderar projeto no Benin (África). Em 2019 assumiu a coordenação do escritório da Embrapa na Europa (Labex Europa), onde atuou como representante legal da Embrapa junto à Comissão Europeia e ponto de contato no Brasil do Programa Horizonte Europa. Responsável pela representação da Embrapa em território europeu e articulação de parcerias internacionais. Integrou conselhos científicos de projetos europeus (MILKEY, MELS, DAIRY MIX) e é o primeiro pesquisador fora da Europa a fazer parte do conselho do Instituto Leibniz de Bioeconomia (ATB) na Alemanha.