Funcionários da Turi não recebem vale-alimentação e empresa aponta dificuldades; serviço pode parar

Funcionários da Turi denunciam que a empresa não realizou o pagamento do vale-refeição, programado para o final do mês e não descartam uma paralisação dos serviços. A viação, que retomou o controle administrativo após 40 dias de intervenção total, afirma que não tem recursos e ainda disse que há outras obrigações financeiras em abertos que não foram pagas durante a gestão pelo município.

Foto: Filipe Felizardo
Foto: Filipe Felizardo

Lideranças do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário da cidade (SINTTROSET) confirmaram que o débito com os trabalhadores deveria ser quitado no último sábado (25), de acordo com convenção coletiva, e que a resposta recebida da Turi era que não há recursos financeiros, sem previsão de creditar o valor.

Procurado pelo SETE DIAS, a empresa confirmou que está com estoques de óleo diesel acabados e que tem dificuldade em comprar mais combustível. Na nota, a Turi ainda aponta que o sistema atual do transporte público de Sete Lagoas tem “um problema estrutural” e ainda pede “com urgência” novas formas de complementar o financiamento, como subsídios (ver nota abaixo).

A Prefeitura de Sete Lagoas também foi procurada pela reportagem e aguarda retorno.

Veja nota da Turi na íntegra:

A TURI informa que, neste momento, seus estoques de óleo diesel estão esgotados, mantendo a operação apenas com o combustível remanescente nos tanques dos veículos em circulação.

Além da dificuldade para aquisição de combustível, a empresa também enfrenta outras obrigações financeiras em aberto, incluindo despesas que permaneceram sem quitação durante o período de intervenção administrativa, o que agrava ainda mais a situação operacional.

Caso não haja uma solução emergencial, há risco concreto de interrupção dos serviços.

A empresa reforça que essa situação evidencia um problema estrutural do transporte coletivo de Sete Lagoas: a arrecadação proveniente exclusivamente da tarifa paga pelos passageiros não é suficiente para cobrir os custos reais da operação, tornando o modelo financeiramente insustentável. Por isso, o sistema de transporte público municipal necessita, com urgência, de fontes complementares de financiamento, como subsídios já adotados em diversas cidades brasileiras, garantindo a continuidade e a qualidade de um serviço essencial à população, independentemente de quem seja o operador.

Fim da intervenção

A crise do transporte público de Sete Lagoas continua: há cerca de uma semana, a Prefeitura de Sete Lagoas decidiu encerrar a intervenção operacional total na Turi, devolvendo à empresa a gestão completa do transporte coletivo, mas mantendo sob responsabilidade do município o controle da arrecadação tarifária, da bilhetagem eletrônica e da fiscalização financeira e tecnológica. O decreto 7.870 revoga a intervenção ampla iniciada em junho, mas preserva todos os atos realizados durante o período, como auditorias e relatórios, além de manter ativo o processo administrativo que apura as causas da crise e possíveis responsabilidades da concessionária.

Segundo o prefeito Douglas Melo (PSD), a intervenção foi necessária para impedir a paralisação do serviço após atrasos salariais e garantir o pagamento dos trabalhadores. Durante os 40 dias de gestão direta, a Prefeitura aportou R$ 1,635 milhão para custear salários, benefícios, manutenção da frota e fornecedores, além de repassar R$ 400 mil à Cooperseltta. Esses valores, segundo o prefeito, serão cobrados da Turi posteriormente.

Com o fim da intervenção total, a Turi reassume integralmente suas obrigações contratuais, trabalhistas e operacionais, enquanto o município passa a controlar a arrecadação e distribuir os recursos entre as operadoras. A administração afirma que esse novo modelo fortalece a fiscalização e evita problemas como os que levaram à crise recente, incluindo suspeitas de retenção indevida de receitas tarifárias e falhas operacionais.

A Prefeitura também anunciou uma proposta de apoio financeiro permanente ao transporte coletivo, com aporte mensal de R$ 550 mil e isenção de ISS, totalizando cerca de R$ 750 mil por mês, desde que os recursos sejam destinados ao pagamento dos trabalhadores e à manutenção do serviço. O governo municipal reforça que não aceitará novas paralisações e que a fiscalização seguirá rigorosa para garantir a continuidade e a qualidade do transporte público.