O anúncio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Finep sobre a liberação de R$ 3,3 bilhões em recursos não reembolsáveis para projetos alinhados à Nova Indústria Brasil (NIB) marca um dos movimentos mais relevantes da política de inovação recente no país. Mais do que volume financeiro, o pacote sinaliza uma tentativa concreta de reposicionar a indústria brasileira em bases tecnológicas, sustentáveis e menos dependentes do exterior.

A estruturação de 13 editais de subvenção econômica, acessíveis a empresas de todos os portes, dialoga diretamente com um gargalo histórico: a dificuldade do setor produtivo em assumir riscos tecnológicos em estágios mais avançados de desenvolvimento. Ao cobrir despesas como pessoal qualificado, equipamentos, consultorias e insumos, o instrumento reduz barreiras reais à inovação empresarial.
Outro ponto relevante é o alinhamento temático aos seis setores estratégicos da NIB — cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional. Trata-se de uma escolha que combina vocações nacionais, desafios estruturais e oportunidades globais, reforçando a lógica de políticas orientadas por missões, cada vez mais adotadas internacionalmente.
Os números acumulados também chamam atenção. Segundo o MCTI, entre o início da atual gestão e o final de 2025, R$ 44,3 bilhões já foram investidos em projetos vinculados à NIB. O novo pacote amplia esse esforço, com destaque para áreas críticas como transição energética, que receberá R$ 500 milhões, além de saúde, tecnologias digitais, defesa e cadeias agroindustriais.
No entanto, o anúncio traz consigo um desafio conhecido: transformar recursos disponíveis em projetos bem estruturados, executáveis e com impacto real. A experiência recente mostra que a assimetria não está apenas no acesso ao capital, mas na capacidade das empresas — especialmente médias e pequenas — de formular estratégias tecnológicas consistentes, estruturar projetos, formar parcerias e navegar pelos instrumentos públicos de fomento.
Nesse sentido, o sucesso dessa iniciativa dependerá menos do volume anunciado e mais da qualidade dos projetos submetidos, da articulação com universidades, ICTs e startups, e da capacidade de execução e acompanhamento dos resultados. A subvenção não deve ser vista como fim, mas como meio para fortalecer competências, gerar aprendizado tecnológico e aumentar a competitividade sistêmica.
O pacote de R$ 3,3 bilhões é, sem dúvida, uma grande oportunidade. Nesse contexto, iniciativas de apoio especializado ganham relevância. O Orbi Conecta, hub de inovação aberta e ICT especializada em IA, passa a contar com uma frente dedicada a fomento e financiamento à inovação, liderada por Janayna Bhering, com foco no diagnóstico de maturidade e aderência de projetos, na identificação da fonte de fomento mais adequada e no apoio à estruturação, elaboração e submissão de propostas. A atuação busca ampliar as chances de aprovação, reduzir riscos e apoiar empresas na transformação de recursos públicos em inovação aplicada e resultados concretos. Para mais informações: contato@orbiconecta.com.br

por Janayna Bhering
@janaynabhering
Engenheira com Mestrado em Ciência e Tecnologia; Especialista em Estatística
Aplicada a Processos (Six Sigma Black Belt) e Gestão da Inovacao;
Doutoranda em Inovação e Tecnologia pela UFMG.





