Por Chico Maia
Primeira mulher a presidir a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB -, Subseção Sete Lagoas, em novembro de 2024, com 84,91% dos votos, a Dra. Dayanne Giacomini de Figueiredo está conseguindo atingir os seus objetivos à frente da entidade, começando pela valorização da advocacia e fortalecimento institucional da OAB como voz da cidadania, que vai além do trabalho interno, já que envolve a defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e dos direitos fundamentais da população.
No primeiro ano de sua gestão, em dezembro do ano passado, a categoria teve concretizada a realização de antigo sonho: a inauguração da sede social/clube da OAB Sete Lagoas, na Av. Alberto Moura, 1331, no Distrito Industrial.

Ela deu um tempo em sua concorrida agenda para responder às perguntas do Sete Dias:
SD: Como foi o primeiro ano do mandato de presidente da OAB Sete Lagoas?
Dra. Dayanne – Foi um ano de muito trabalho, escuta e construção coletiva. Assumimos com o compromisso de valorizar a advocacia, fortalecer as comissões e aproximar ainda mais a instituição da sociedade. Tivemos avanços importantes na qualificação profissional, no diálogo com o Judiciário e demais instituições, além de ações voltadas à defesa das prerrogativas e à cidadania. Foi um início intenso, mas extremamente produtivo e com resultados concretos para a advocacia de Sete Lagoas e região.

SD – Neste tempo você se tornou mãe. Mudou muito a sua rotina?
Dra. Dayanne – Sem dúvida, a maternidade transformou profundamente minha rotina e também meu olhar sobre a vida e o trabalho. É um desafio diário conciliar tantas responsabilidades, mas também é uma experiência que fortalece, humaniza e amplia nossa capacidade de organização e empatia. Tenho buscado equilíbrio com planejamento, apoio familiar e uma equipe comprometida, entendendo que nenhuma mulher precisa dar conta de tudo sozinha. A maternidade não me afastou da gestão, ao contrário, trouxe ainda mais propósito.

SD – Você se surpreendeu positiva ou negativamente com alguma coisa?
Houve desafios naturais da gestão, mas também tivemos muitas surpresas positivas. A participação ativa das comissões, o engajamento da jovem advocacia e a abertura ao diálogo com a sociedade foram pontos que me motivaram muito. Quando a advocacia se une, conseguimos avançar com mais força.
SD – Como vê a participação das mulheres nos diversos segmentos de Sete Lagoas e região?
Dra. Dayanne – Vejo um crescimento consistente e inspirador da presença feminina em espaços de decisão, seja na advocacia, no serviço público, no empreendedorismo ou na sociedade civil. As mulheres têm se qualificado, se posicionado e conquistado protagonismo. Ainda há caminhos a percorrer, mas já vemos uma transformação real em curso, com mais vozes femininas sendo ouvidas e respeitadas.

SD – Machismo, discriminação, preconceitos, ainda são desafios para as mulheres na cidade?
Dra. Dayanne – Infelizmente, ainda são desafios presentes. O machismo estrutural e a desigualdade de oportunidades não são questões superadas. Por isso, precisamos continuar falando sobre o tema, promovendo igualdade e criando ambientes mais justos e respeitosos. A OAB tem papel importante nesse debate, na defesa dos direitos das mulheres e no combate a qualquer forma de discriminação.
SD – Você acha que as mulheres que chegaram ao poder, seja no Judiciário, na política, no mundo empresarial, fizeram ou fazem alguma coisa para ajudar as mulheres em geral, que estão em busca de seus espaços?
Dra. Dayanne – SD – Acredito que muitas mulheres têm, sim, aberto caminhos e servido de referência para outras. A representatividade importa muito. Quando uma mulher ocupa um espaço de poder, ela mostra que outras também podem ocupar. Mas é importante que isso venha acompanhado de compromisso coletivo, de ações concretas para ampliar oportunidades, apoiar redes femininas e incentivar a equidade.
Seguiremos atuando com independência, ética e responsabilidade social. E, especialmente neste mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, reforço a necessidade de continuarmos avançando em igualdade, respeito e oportunidades para todas.





