por Renato Alexandre
A advogada Karine Araújo Ribeiro é natural de Sete Lagoas, tem 34 anos, e desde o dia 9 de janeiro de 2024 está à frente da Secretaria Municipal da Mulher. Ela assumiu o desafio de comandar uma pasta criada pela primeira vez na história na Prefeitura de Sete Lagoas e a missão está sendo bem cumprida, o governo mudou e o trabalho continua. Na entrevista a seguir, faz um balanço das ações, avalia o cenário atual para a mulheres destacando conquistas, desafios e projetos.

SETE DIAS – Neste Dia Internacional da Mulher temos motivos para comemorar?
Karine Araújo Ribeiro – Sim, temos motivos para celebrar conquistas históricas, avanços em direitos e o protagonismo crescente das mulheres em todos os espaços da sociedade. Mas, 8 de março, no qual é celebrado em todo o mundo o Dia Internacional da Mulher, é também um momento de reflexão e compromisso, pois ainda enfrentamos desigualdade salarial, sobrecarga de trabalho, violência e preconceito.
Eu entendo que é uma data importante para comemorarmos os avanços, mas principalmente para reafirmarmos que ainda há muito a ser feito, e que homens e mulheres têm responsabilidade direta nessa transformação.
Por isso, sempre faço questão de lembrar que não é possível evoluirmos sem a participação masculina na busca pela equidade.
SD – Qual o foco da Secretaria nestes primeiros anos de trabalho?
Karine Araújo – O foco tem sido estruturar políticas públicas permanentes para as mulheres de Sete Lagoas, saindo do campo apenas simbólico e avançando para ações concretas.
Trabalhamos em três pilares principais: Enfrentamento à violência; Fortalecimento da autonomia econômica; Promoção da igualdade e da cidadania.
O nosso compromisso é garantir que a pauta da mulher seja política pública contínua, e não apenas ações pontuais.
SD – Como está a realidade em relação à violência contra as mulheres em Sete Lagoas?
Karine Araújo – A violência contra a mulher é uma realidade que ainda nos preocupa, não só em Sete Lagoas, mas em todo o Brasil. Os números mostram que precisamos fortalecer cada vez mais a rede de proteção e incentivar a denúncia. Considero que a nossa cidade está à frente da grande maioria, pois possui muitos mecanismos de defesa para as mulheres, e são motivos de muito orgulho.
Também é importante destacar que o aumento de registros nem sempre significa aumento da violência, mas sim que mais mulheres estão tendo coragem de denunciar – e isso é resultado de informação, acolhimento e confiança nas instituições.
Nosso papel é garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha.
SD – Quais são as ações e políticas públicas que a Secretaria da Mulher vem realizando para fortalecer o combate à violência?
Karine Araújo – Estamos atuando de forma integrada com toda a rede de proteção.
Entre as principais ações estão:
Implementação e fortalecimento da Casa de Acolhimento para Mulheres em Situação de Violência e Seus Dependentes; Campanhas educativas permanentes; Implementação da Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, que conta com a participação do Ministério Público, Judiciário, Delegacia da Mulher, Guarda Municipal, Defensoria Pública, Núcleo de Práticas Jurídicas, dentre outros atores; Realização de parcerias com empresas para oferecimento de empregos e cursos de capacitação para as mulheres atendidas; Realização de mutirões de emprego voltados às mulheres; Ações em escolas e comunidades sobre prevenção da violência; Acolhimento, atendimento psicológico e orientação jurídica na Secretaria da Mulher; Ações de conscientização sobre a Lei Maria da Penha, que é um marco na proteção das mulheres no Brasil.
SD – Sobre mulheres que sofrem preconceitos múltiplos: lésbicas, transexuais, travestis, prostitutas e mulheres negras. Qual o trabalho da Secretaria?
Karine Araújo – A Secretaria da Mulher trabalha com o princípio da equidade. Sabemos que nem todas as mulheres enfrentam os mesmos desafios. Mulheres negras, mulheres LGBTQIA+, mulheres em situação de rua, de prostituição e outras que vivem vulnerabilidades sociais sofrem violências atravessadas por racismo, preconceito e exclusão. Nosso trabalho é garantir atendimento sem julgamento, com respeito e dignidade. Atuamos com:
Atendimento humanizado e capacitado, e após análise realizamos o encaminhamento para políticas de saúde e assistência. Possuímos parcerias com movimentos sociais. Contamos com ações de conscientização contra o racismo e a LGBTfobia. Importante pontuar que realizamos emissão de documentos, orientação jurídica e encaminhamentos à Defensoria Pública para retificação de nome e gênero.
Nosso compromisso é com todas as mulheres.
SD – Sete Lagoas conta com uma casa de acolhimento. Quais mulheres são atendidas nesse espaço?
Karine Araújo A Casa de Acolhimento atende mulheres de Sete Lagoas, em situação de violência doméstica e familiar que não estejam sob risco iminente de morte, muitas vezes acompanhadas de seus filhos. É um espaço acolhedor e estruturado para garantir cuidado temporário, pelo período de 90 dias, e oferece suporte psicológico e orientação para que essa mulher possa reorganizar sua vida com segurança e autonomia. Nosso objetivo não é apenas proteger, mas reconstruir trajetórias.
No caso de atendimento de mulheres em risco, encaminhamos para fora da cidade, a fim de que ela tenha segurança, inclusive os filhos se tiverem. Na Secretaria analisamos caso a caso e realizamos o encaminhamento necessário, mas não deixamos nenhuma mulher sem acolhimento.
SOS MULHER
= Secretaria Municipal da Mulher
Rua Major Castanheira, 194, 3º andar, Centro.
(31) 3157-6611 – Instagram: @mulhersetelagoas
= Delegaria Especializada de Atendimento à Mulher
Rua Jovelino Lanza, 1.316, Jardim Arizona
= Defensoria Pública de Sete Lagoas
Rua Professora Tarcyla dos Santos, 66, Cedro e Cachoeira
(31) 3774-0104
= Ministério Público de Sete Lagoas
Rua José Duarte de Paiva, 795, Santa Luzia
(31) 3774-9045
= Central de Atendimento da Mulher
Ligue: 180
= Polícia Militar
Ligue: 190
= Guarda Municipal de Sete Lagoas
(31) 92004-5153





