Grupo de Intervenção Estratégica reúne Ministério Público, polícias e Judiciário para identificar alvos prioritários e combater a reincidência criminal em Sete Lagoas

Uma nova estratégia de combate à criminalidade começou oficialmente a funcionar em Sete Lagoas. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) lançou nesta quinta-feira (02/07), em sua sede no município, o Grupo de Intervenção Estratégica (GIE), uma força-tarefa permanente que reúne Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Poder Judiciário e órgãos estaduais para compartilhar inteligência, definir alvos prioritários e agilizar ações contra criminosos de maior impacto na região.
A declaração mais contundente do evento foi feita pelo comandante da 19ª Região da Polícia Militar, coronel Helvécio Fraga dos Santos, ao afirmar que o foco será retirar de circulação criminosos reincidentes. “Criminosos reincidentes podem colocar a barba de molho. Estão com os dias contados.”
Segundo Fraga, estudos das forças de segurança demonstram que a maior parte dos crimes é praticada por um grupo reduzido de pessoas. “A prática de crimes é executada por um percentual muito pequeno da população. Vamos identificar os alvos prioritários, aqueles que vêm reincidindo na prática de delitos e impactando diretamente as estatísticas e a sensação de segurança da população. Precisamos que todas as instituições agilizem seus processos para prender — ou manter presos — aqueles que vêm incomodando nossa sociedade”, explicou.
O comandante também fez questão de afastar rumores sobre organizações criminosas nacionais atuando na cidade. “Posso afirmar que não há presença ou atuação de facções criminosas de nível nacional em Sete Lagoas. O que existe é a atuação de criminosos locais”, completou Fraga.
Integração para agir com mais rapidez
Idealizador da iniciativa pelo Ministério Público, o promotor André Luiz Nolli Merrighi explicou que o GIE nasce para suprir uma necessidade histórica: ampliar a integração entre os órgãos responsáveis pela segurança pública.
Segundo ele, cada instituição desempenha bem suas funções, mas o compartilhamento permanente de informações permitirá respostas mais rápidas. “O Grupo busca maior articulação entre os órgãos da segurança pública, desde o compartilhamento de informações de inteligência até o acompanhamento dos alvos mais relevantes e o planejamento estratégico do combate à criminalidade, visando reduzir os índices de violência na região.”
Ainda conforme o promotor, reuniões periódicas servirão para discutir casos específicos e acelerar decisões conjuntas. “Cada órgão faz muito bem seu trabalho. O que faltava era uma articulação maior para que as coisas fluíssem com mais agilidade e eficiência.”
Polícia Civil: 80% dos crimes são cometidos pelos mesmos indivíduos
O delegado regional da Polícia Civil, Alexandre Viana Corrêa, afirmou que Sete Lagoas sofre influência direta da criminalidade oriunda de Belo Horizonte e da Região Metropolitana, favorecida pela malha rodoviária que liga as cidades.
Apesar disso, revelou que boa parte dos autores já é conhecida pelas forças de segurança. “Os mesmos indivíduos praticam cerca de 80% dos crimes. Precisamos acabar com a sensação de impunidade”, afirmou,
O delegado destacou que os recentes homicídios registrados no município estão sendo investigados e já resultaram em prisões. Segundo ele, a maioria desses casos está ligada ao tráfico de drogas. “Isso tranquiliza o cidadão de bem, porque esses homicídios não atingem diretamente a população em geral. São conflitos relacionados ao tráfico. A Polícia Civil está preparada e trabalhando intensamente”, completou.
Representando a Polícia Penal, o diretor da 19ª Região Integrada de Segurança Prisional, Edson Peixoto, explicou que o sistema penitenciário mineiro possui protocolos específicos para presos ligados a organizações criminosas. Segundo ele, sempre que identificados, esses detentos são imediatamente transferidos para unidades prisionais preparadas para esse perfil, reduzindo riscos de articulação criminosa dentro do sistema.
Como funcionará o GIE
O Grupo de Intervenção Estratégica atuará como um fórum permanente de inteligência e planejamento, reunindo periodicamente representantes do Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Poder Judiciário e demais instituições parceiras.
A proposta é compartilhar informações, definir criminosos prioritários, integrar investigações e acelerar medidas judiciais e operacionais, concentrando esforços nos autores de crimes de maior impacto para reduzir a reincidência e aumentar a sensação de segurança da população de Sete Lagoas e região.






