Um quarteirão da Rua Floriano Peixoto, no centro de Sete Lagoas, continua isolado pela Polícia Militar após membros da entidade União Colegial ocuparem um imóvel que é utilizado pela Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) desde a manhã deste sábado (4). Representantes jurídicos das duas entidades estiveram no local e a Justiça é aguardada para saber com quem fica a casa, disputada há anos.

Cerca de 30 pessoas ligadas à União Colegial chegaram no imóvel por volta das 8h – imagens obtidas pelo SETE DIAS mostram os integrantes no espaço, tendo a presença de crianças, idosos e cadeirantes. Uma das manifestantes disse pelas redes sociais que o lugar servia para assistência a pessoas, com aulas de reforço a crianças e à população carente. Integrantes afirmam que a propriedade do imóvel é da União Colegial, apresentando certidão de registro no cartório de imóveis.
Porém, fontes ouvidas pelo SETE DIAS apontam que o espaço é ocupado pela SSVP com funcionamento ativo há cerca de 15 anos a pedido de moradores da região no intuito de revitalização do local. Representantes do Conselho Central Santa Paulina, que funciona no espaço, estiveram por lá e relataram o arrombamento do portão de entrada e de outros cômodos. Há processo que corre na 1ª Vara Cível de Sete Lagoas onde se pede a usucapião do imóvel (ver detalhes abaixo).
Desde o início da ocupação, a Polícia Militar faz o isolamento da área e garante a segurança no local. A reportagem esteve presente por volta das 16h e os militares contaram da tranquilidade da situação, sem necessidade de intervenção. Mas os manifestantes afirmam que não sairão do local e ainda denunciam que a energia elétrica foi desligada.


De quem é área?
O imbróglio sobre quem deve ficar com o imóvel na Rua Floriano Peixoto é antigo. A União Colegial, que aponta a propriedade sobre o bem, funcionou há décadas no espaço. Representantes da entidade relatam que cederam o espaço para a Sociedade São Vicente de Paulo mas agora buscam sua devolução. Em 2024, a SSVP solicitou na justiça a usucapião do imóvel; uma dos argumentos é que de a União Colegial era uma organização extinta e que a entidade já tinha há anos assumido a posse do imóvel.
Ainda na tarde deste sábado, representantes das duas organizações e a Polícia Militar fizeram uma reunião acerca da situação em um vídeo no qual o SETE DIAS teve acesso: os integrantes da União Colegial afirmaram que não vão sair do imóvel e a PM continuará com o isolamento até que haja decisão da Justiça, que será cumprida pela corporação. Além disso, ficou acertado de que manifestantes que saíssem da casa não poderiam retornar.
O SETE DIAS solicitou a membros da União Colegial e do Conselho Central Santa Paulina um contato de representantes legais para responder os questionamentos e aguarda retorno. O espaço segue aberto. A reportagem procurou a Polícia Militar que informou ainda não haver registro já que a ocorrência continua em andamento.





