Procura por atendimento especializado cresce no município; referência municipal em Saúde Mental explica como funcionam os três CAPS, quem deve procurar cada serviço e como a rede atua diante de situações de crise
Celso Martinelli
Sete Lagoas registra uma demanda crescente por atendimento em saúde mental. Somente nas três unidades do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) mantidas pelo município, são realizados, em média, 25,4 mil atendimentos por ano. O número reúne os serviços prestados pelo CAPS Adulto II, CAPS AD (Álcool e Drogas) e CAPS Infantojuvenil, que atendem diferentes públicos e necessidades.
O volume de atendimentos acompanha uma realidade que ganhou ainda mais visibilidade nos últimos anos: cada vez mais moradores procuram ajuda diante de situações de sofrimento psíquico, depressão, ansiedade, transtornos mentais, crises e problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

Segundo a Dra. Isabela Oliveira, referência municipal em Saúde Mental e superintendente da Rede Ambulatorial Especializada de Sete Lagoas, a procura pelos serviços aumentou especialmente depois da pandemia e continua crescendo. Para ela, esse movimento também está relacionado à maior conscientização da população sobre a importância de cuidar da saúde mental e procurar ajuda antes que o sofrimento se agrave.
Mas uma dúvida ainda é comum: quando procurar um CAPS e quando buscar atendimento em uma UBS? E diante de uma crise, qual é o caminho mais adequado? Como a rede municipal acolhe uma pessoa com pensamentos suicidas? Quem são os pacientes atendidos em cada uma das unidades?
Em entrevista ao Sete Dias, a Dra. Isabela responde a essas questões, explica o funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial em Sete Lagoas e reforça a importância de identificar o serviço adequado para cada situação. “Cada vez mais pessoas têm compreendido que a saúde mental é parte fundamental da saúde” Confira na íntegra:
Sete Dias – Quantas pessoas são atendidas atualmente pelos CAPS de Sete Lagoas? Esse número aumentou nos últimos anos?
Dra. Isabela Oliveira – Em Sete Lagoas, a rede conta com três unidades: CAPS Adulto II, com média de 8.600 atendimentos por ano; CAPS AD (Álcool e Drogas), com média de 8.500 atendimentos por ano; e CAPS Infantojuvenil, com média de 8.300 atendimentos por ano.
Somadas, as três unidades realizam, em média, 25.400 atendimentos por ano. A demanda pelos serviços dos CAPS vem aumentando nos últimos anos, acompanhando a maior procura da população por atendimento e acompanhamento em saúde mental.
Sete Dias – Quantos atendimentos relacionados a crises suicidas ou tentativas de suicídio foram registrados pelo CAPS recentemente?
Dra. Isabela Oliveira – Não é possível apresentar e afirmar esses dados de maneira concreta.
Sete Dias – Existe um perfil predominante entre os pacientes atendidos em situações de risco, como faixa etária ou sexo?
Dra. Isabela Oliveira – O perfil dos pacientes pode variar de acordo com a modalidade de CAPS e com as características da população atendida em cada serviço. O CAPSi é destinado especificamente a crianças e adolescentes, enquanto o CAPS AD atende pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, havendo predominância de homens com idade acima de 30 anos.
Já o CAPS Adulto apresenta uma demanda mais diversificada, atendendo tanto homens quanto mulheres, com diferentes faixas etárias dentro da população adulta. Assim, embora seja possível observar determinados perfis predominantes em cada serviço, as situações de crise e de risco podem ocorrer em diferentes faixas etárias e em ambos os sexos, sendo necessária uma avaliação individualizada de cada caso.
Sete Dias – Quais são os principais motivos ou situações que levam os moradores a procurar o CAPS?
Dra. Isabela Oliveira – Os CAPS atendem pessoas em sofrimento psíquico intenso, transtornos mentais graves ou persistentes e, no caso do CAPS AD, problemas relacionados ao uso prejudicial de álcool e outras drogas. Os CAPS são serviços de cuidado multiprofissional, acolhimento de crises, atendimento individual e em grupo e apoio às famílias.
Na prática, as demandas podem envolver: crises ou agravamento de transtornos mentais; depressão e outros transtornos do humor; ansiedade quando há maior gravidade ou necessidade de cuidado especializado; pensamentos ou comportamentos suicidas; surtos e alterações importantes de comportamento; sofrimento psíquico intenso; e problemas relacionados ao álcool e outras drogas.
É importante fazer uma distinção: nem toda depressão ou ansiedade deve necessariamente ser tratada no CAPS. Casos leves e moderados devem ser acompanhados pela Atenção Primária, enquanto o CAPS é direcionado às situações de maior complexidade.
Sete Dias – O CAPS tem percebido aumento nos casos de sofrimento psíquico, depressão, ansiedade ou outras condições relacionadas à saúde mental?
Dra. Isabela Oliveira – Sim. Há sinais claros de aumento da demanda por cuidados em saúde mental nos CAPS, tanto no Brasil quanto, especificamente, em Sete Lagoas.
Os CAPS tiveram um aumento significativo na demanda por cuidados em saúde mental, especialmente após o período da pandemia. Nesse contexto, houve um crescimento dos casos relacionados a sofrimento psíquico, ansiedade, depressão e outras condições que necessitam de acompanhamento e cuidado especializado.
Mesmo após o período mais crítico da pandemia, essa procura não diminuiu; pelo contrário, continuou crescendo. Cada vez mais pessoas têm compreendido que a saúde mental é parte fundamental da saúde e que situações de sofrimento psíquico também necessitam de atenção, acompanhamento e cuidado.
Essa maior conscientização contribui para que as pessoas busquem os serviços de saúde mental com mais frequência e reconheçam a importância de procurar ajuda antes que o sofrimento se agrave.
Sete Dias – Como funciona o atendimento de uma pessoa que chega ao CAPS apresentando pensamentos suicidas ou em uma situação de crise?
Dra. Isabela Oliveira – Quando uma pessoa chega ao CAPS apresentando pensamentos suicidas ou em uma situação de crise, o atendimento deve priorizar o acolhimento, a escuta e a avaliação do risco, sem julgamento e buscando preservar a pessoa no território sempre que isso for seguro.
O CAPS é um serviço de “porta aberta”, portanto pode receber a pessoa diretamente, sem necessidade de agendamento para o primeiro acolhimento.
Assim, o usuário será acolhido, passará por atendimento pela referência técnica e, se necessário, posteriormente pelo atendimento médico psiquiátrico.
Será, ainda, elaborado um Projeto Terapêutico Singular, que será norteador para o cuidado do sofrimento mental.
O QUE É O CAPS: Centro de Atenção Psicossocial
Os CAPS são serviços especializados do Sistema Único de Saúde (SUS) destinados ao atendimento de pessoas em sofrimento psíquico e/ou com transtornos mentais, incluindo situações relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. O atendimento é realizado por equipes multiprofissionais e envolve acolhimento, acompanhamento contínuo, atendimento individual e coletivo e apoio às famílias, conforme a necessidade de cada usuário.
ONDE PROCURAR AJUDA EM SETE LAGOAS?
- ESF, UBS e Atenção Primária
São a porta de entrada para as questões de saúde mental, especialmente nos casos leves e moderados, além de fazerem a continuidade do cuidado dos pacientes após a alta do CAPS. As unidades estão distribuídas por todo o território municipal.

- CAPS Adulto II
Destinado ao acompanhamento de pessoas com transtornos mentais graves e necessidade de cuidado psicossocial especializado. Rua Floriano Peixoto, 66 – Centro.

- CAPS AD
Voltado ao acompanhamento de pessoas com necessidades relacionadas ao uso abusivo de álcool e outras drogas. Rua Milão, 15 – Jardim Europa.

- CAPS Infantojuvenil
Atende crianças e adolescentes com necessidades relacionadas à saúde mental. Rua Floriano Peixoto, 259 – Centro.
- SAMU – 192
Em situações de emergência, incluindo tentativa de suicídio ou quando existe risco imediato, o SAMU deve ser acionado.





