A Copa que era pra ser da integração socioeconômica e política da América do Norte está sendo a Copa do afastamento e da falta de diplomacia. Não tem cabimento o Irã ter quer pegar avião imediatamente após os jogos e retornar para a sua base, em Tijuana, no México.
O desgaste de um jogador em uma partida de futebol é gigante, físico e psicológico. O governo dos Estados Unidos está sendo rigoroso demais nessa questão. Os jogadores iranianos cobraram do presidente da FIFA, Gianni Infantino, que foi visita-los no vestiário. Não teve o que falar.
Mais exageros
Por outro lado, também está havendo exagero em determinadas críticas, devido à falta de informação: a “geral” que a segurança costuma dar nas delegações na chegada e saída dos locais de treinamento é padrão por aqui. Com cães farejadores e outros aparatos intimidatórios. De africanos (Senegal) a europeus (Bélgica), e sul-americanos (Uruguai), que tomaram; de volta e meia eles fazem isso, até no cotidiano. imaginem numa Copa do Mundo, em que a segurança tem que ser muito maior.
Rússia x Catar x EUA
Não há termos de comparação entre a receptividade oferecida em 2018, 2022 e 2026 pelos governos Putin, Emir Tamim bin Hamad Al Thani e Trump, respectivamente, às torcidas e imprensa. Quem tinha ingresso ou era credenciado FIFA era beneficiado por passes livres para transportes públicos urbanos e de longa distância, além de todas as facilidades diplomáticas possíveis para entrar no país.
México e Canadá amaciaram as regras; EUA, nem pensar!
Só um jogo
Na primeira rodada já caiu treinador: o tunisiano Sabri Lamouchi, cuja seleção tomou de 5 a 1 da Suécia. Para substitui-lo, foi chamado às pressas o francês Hervé Renard, que comanda agora a terceira seleção numa Copa do Mundo: Marrocos, em 2018 e Arábia Saudita, em 2022.
Só o Parreira
Até então apenas Carlos Alberto Parreira tinha sido demitido durante uma Copa. Foi em 1998, pela Arábia Saudita, porém, depois de duas derrotas na primeira fase: 1 a 0 pela Dinamarca e 4 a 0 pela França, anfitriã do torneio.
O que é o futebol!
De ilustre desconhecido a uma das maiores personalidades mundiais da mídia, em poucas horas, por uma “simples” partida de futebol. O goleiro Vozinha, de Cabo Verde, tinha menos de 50 mil seguidores no Instagram (vozinha1), antes de fechar o gol contra a Espanha. Quando eu escrevia essa coluna, quarta-feira, estava com mais de 13 milhões.
Aos 40 anos de idade, vai começar ganhar dinheiro agora com bola e com contratos milionários de publicidade de todo tipo de produto, do mundo inteiro.
A FIFA não vê!
Depois do jogo, Vozinha contou que a mãe dele não pode estar no estádio porque não tinha visto pra entrar nos Estados Unidos. E chorou, pois foi criado pelos avós, e eles já morreram. Vozinha é um apelido de infância, por causa dos avós. O nome dele é Josimar, homenagem ao ex-lateral do Botafogo e da Seleção Brasileira de 1986.
Aliás, o Josimar original está com 64 anos, mora no Rio onde é promotor de eventos.
Outro exagero
Por questões meramente políticas, a Virgínia (que eu nem sabia quem era até essa Copa) tomou e continua tomando porrada de muita gente por aceitar trabalhar como repórter para o programa do Luciano Hulk durante o período. Especialmente vários veteranos, colegas de imprensa se “revoltaram”, mas se esqueceram que essa moda começou em 1994, aqui mesmo nos Estados Unidos, quando grandes veículos de comunicação convidaram celebridades de vários ramos, para comparecer e escrever sobre as suas especialidades. A diferença é que a tecnologia mudou tudo na comunicação, e qualquer agitador de redes sociais costuma ter mais audiência que veículos inteiros da imprensa.
No caso dessa aí, certamente o namoro de seis meses com o Vinícius Jr., ajudou na soma de seguidores no Instagram.
Danusa a Chico

Que honra poder dividir bancada na final da Copa, no Rose Bowl, em Pasadena, simplesmente com Danusa Leão, convidada pelo saudoso Jornal do Brasil para escrever sobre moda, falando sobre os trajes das seleções, jogadores, dirigentes e outros famosos que estavam naquela Copa. A Folha de S. Paulo trouxe o colunista José Simão, um gozador de primeira, para escrachar com tudo e todos, bem à sua maneira. A Globo chegou com a turma do Casseta & Planeta, que foi um sucesso. Em 1998, tive o prazer de tomar umas cervejas com ninguém menos que Chico Buarque, coincidentemente sentado ao meu lado, durante a final da Copa, em que o Brasil tomou de 3 a 0 da França. Foi para lá a convite do Estadão. Gilberto Gil também foi convidado, mas preferiu ver a Copa do sofá da casa dele, em Salvador. Sem falar que Jô Soares fez seus programas daqui também, dos Estados Unidos, durante toda a Copa.
Deixou a desejar
Na estreia da Copa 2026, a seleção do Carlo Ancelotti ficou muito abaixo do esperado. Sabia-se que este seria o jogo mais difícil dessa primeira fase, mas ninguém esperava um futebol tão fraco. O Brasil tem um time bom do meio pra frente, mas o sistema defensivo é vacilante, nada confiável.
Vaidade e dinheiro
Atualmente, bobo no futebol só mesmo o torcedor, que paga ingresso, paga assinatura de TV especializada, paga por camisas e outros souvenirs e quinquilharias. A maioria dos jogadores da seleção brasileira tem assessoria própria de imprensa, cabeleireiro, estilista de moda e etecetera e tal. Nessa Copa, quase todos trouxeram os seus à tira colo.
Globo x SBT x Cazé
A disputa da Copa na mídia: antes, a Globo era quase que monopolista das transmissões, mas com as novas tecnologias as coisas mudaram. Surgiu a Cazé TV pra agitar o mercado e fazer a Globo se virar. O perfil Bastidores da Mídia fez uma enquete pra saber quem foi melhor no primeiro jogo da seleção brasileira. @bastidoresdm: “Nesse primeiro jogo do Brasil na #CopaDoMundoFIFA, o que vocês acharam da transmissão do SBT com Galvão Bueno?”
O Guilherme Frossard, que já foi da Globo (e saiu para montar o seu próprio @canaldofrossard), foi o primeiro a comentar lá: “Copa do Mundo é com o homem, não tem jeito. Bem demais.”

Direto da Alemanha
Como estou aqui e não assisti as transmissões, não opino. O experiente jornalista alemão Gerd Wenzel, que mora no Brasil a muitos anos comentou @gerdwenzel: “Estou assistindo os jogos da Copa do Mundo pelas TVs públicas alemãs. Narração sóbria sem gritaria e comentários de alto nível. E o melhor de tudo: sem propaganda nem incentivo de bets. Ou seja: áudio e imagens dedicadas 100% ao futebol.”
Já o comentarista do meu blog, chicomaia.com.br, Fred Bh, desceu a lenha: “A transmissão da Copa na Globo está ridícula, um monte de palhaços conversando com gírias, querendo fazer o negócio ficar divertido. Cazé TV é a mesma coisa, os parças tentando ser engraçados.
Na SporTV é impossível assistir com aquele Felipe Melo que só sabe conversar gritando.
Nunca fui muito fã do Galvão Bueno. Mas pra mim, a melhor transmissão da partida foi no SBT. Galvão está mais velho e sem filtro, mas leva a sério a narração. E ainda tem o ótimo Mauro Betting comentando futebol e não a vida amorosa dos atletas.”
Posse de bola
Esse 0 a 0 entre Espanha e Cabo Verde mostra novamente a bobagem que é alardear que um time foi melhor, dominou o jogo e merecia ter vencido porque teve mais “posse de bola”. Bobagens ao vento. A Espanha teve simplesmente 74% de posse de bola e não conseguiu superar o Vozinha e o esquema defensivo do técnico de Cabo Verde, que também precisa ser exaltado. E, o mais importante: sem porrada, já que Cabo Verde cometeu apenas uma falta, a menor quantidade por uma seleção em uma partida da Copa do Mundo da FIFA registrada desde 1966.
Só enxerga quando quer
Supremacismo, racismo, discriminação e todo tipo de covardia contra a dignidade humana têm sido verificados nesta Copa, principalmente nos Estados Unidos. Mas a Fifa só enxerga o que quer e quando quer, fazendo lembrar a justiça brasileira. A seleção de Costa do Marfim não teve torcida na vitória sobre o Equador, porque ninguém lá conseguiu visto para entrar aqui. Situação semelhante à do Irã, Haiti e Senegal.
Ao contrário de outros países que sediaram a Copa, aqui a FIFA aceita tudo, caladinha.
Apenas mais um
Como o futebol passou a movimentar bilhões, todo tipo de empreendedor entrou e continua entrando no meio. Aventureiros, aos montes, e a vaidade humana também. Nisso, o que era chamado antigamente como a “imprensa esportiva”, ficou pra trás. Agora, o que vale é bizarrice, dancinha e fofoca envolvendo jogadores, treinadores e dirigentes. O colunista de celebridades Leo Dias informou que o presidente da CBF trouxe a esposa e a amante pra cá. A titular ele deixou na Cidade do México e a “outra” está aqui em Nova Iorque.
Nada de anormal no mundo da bola, desde que a CBF ainda era CBD.
Vão querer o deles
E Léo Dias voltou à carga: disse que os “gastos do presidente da CBF, Samir Xaud, estão gerando desconforto e incômodo nos bastidores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, e que “jogadores e membros da comissão técnica consideram os valores das despesas incompatíveis com o momento financeiro da confederação e avaliam que o caso causa desgaste à imagem da entidade”.
Conversa fiada puríssima. Certamente eles estão é preparando terreno pra reivindicar melhores premiações e diárias aqui. Neste país, hipocrisia é mato!
A mais chique, porém, a pior

A tribuna de imprensa do suntuoso estádio MetLife é muito interessante. A melhor e também a pior que já fiquei.
O estádio onde a seleção brasileira estreou, Nova Jersey/Nova Iorque é fantástico. Voltei lá, terça-feira, pra assistir França e Senegal. A final será lá também, dia 19 de julho.
Prático, de fácil acesso, fácil e rápido escoamento e muito requintado.
A tribuna de imprensa é impressionante: confortável, funcional, um luxo danado. Mas, não é para futebol. Parece que estamos cobrindo uma ópera ou exibição da sinfônica de Nova Iorque. Não dá para escutar o barulho das torcidas. Parece que estamos num estúdio de rádio ou TV.

Não dá prá enxergar a torcida na parte de cima das arquibancadas.
Do lado de cá dos corners há pontos cegos, que nos obrigam a nos levantar para ver quem vai bater, e o ar condicionado é frio demais, pra gripar qualquer um. Tipo 15 graus, e lá fora mais de 30.
Ah, também tem umas barras de alumínio que nos obrigam a ficar movimentando o pescoço pra saber quem deu um passe ou recebeu uma bola em velocidade. Não dá tempo de ver e aí temos que esperar a reprise do lance nos muitos aparelhos de TV à disposição.






