Ivan Luiz de Souza, 59 anos. Elen Caroline Garcia Souza, 39. Carolina Garcia Souza, 1 ano. Três idades, uma família e a prova de que a vida sempre encontra o tempo certo para surpreender

por Celso Martinelli
Enquanto muitos homens da sua idade já vivem a alegria de serem avôs, o presidente da Câmara Municipal de Sete Lagoas celebra um momento único: a experiência de ser pai pela primeira vez. Ao lado da esposa, Elen, o vereador Ivan Luiz divide a rotina com a pequena Carolina e revela, nesta entrevista especial de Dia dos Pais, como a maturidade, a fé, a superação e o amor transformaram o nascimento da filha no capítulo mais emocionante e significativo de sua história.
SETE DIAS – Aos 59 anos, quando muita gente já pensa em desacelerar, a sua vida ganhou um novo começo. Como é iniciar a maior missão da vida justamente nessa fase?
Ivan Luiz – Aos 59 anos, eu não vejo a minha vida desacelerando; vejo tudo aquilo que vivi ganhando um propósito ainda maior. Minha trajetória não foi simples. Fui usuário de drogas dos 12 aos 25 anos e, por muito tempo, parecia que alguns caminhos já estavam fechados para mim. Mas Deus me concedeu a oportunidade de recomeçar.
Depois dos 40 anos, formei-me em Direito. Aos 53, tornei-me vereador. Aos 58, cheguei à Presidência da Câmara Municipal de Sete Lagoas e, nessa mesma fase, recebi a maior bênção da minha vida: o nascimento da minha primeira filha.
E ser pai nessa idade somente foi possível graças à parceria de vida, ao amor e à confiança que tenho em minha esposa, Elen. Em nenhum momento ela me deixou duvidar de que tudo isso seria possível. Sua segurança, seu companheirismo e sua disposição para construir essa família ao meu lado foram fundamentais para que esse sonho se tornasse realidade.
Assumo a paternidade com maturidade, gratidão e responsabilidade. Hoje compreendo que cada dificuldade enfrentada me preparou para viver este momento. Minha filha representa a renovação da minha vida, e Elen é a companheira que acreditou nesse sonho e o tornou possível comigo. As duas são a prova de que nunca é tarde para mudar, construir uma nova história e receber de Deus um novo começo.
SD – O que a chegada da sua filha mudou na sua forma de enxergar o tempo? Hoje ele parece passar mais rápido ou você aprendeu a aproveitá-lo melhor?
Ivan Luiz – A chegada da minha filha mudou completamente a minha relação com o tempo. Hoje, eu sinto que ele passa mais rápido, porque cada fase dela é única e não volta. Ao mesmo tempo, aprendi a valorizar mais os momentos simples: um sorriso, um olhar, um abraço e cada nova descoberta.
Minha trajetória me ensinou que muito tempo pode ser perdido quando não encontramos um propósito. Agora, como pai, procuro estar verdadeiramente presente. Quero acompanhar o crescimento dela, construir boas lembranças e deixar não apenas um patrimônio, mas principalmente valores e um exemplo de superação. Ela me fez compreender que o tempo não deve ser apenas contado; precisa ser vivido com amor, responsabilidade e gratidão.

SD – Você acredita que ser pai aos 59 anos traz mais vantagens ou mais desafios? O que a maturidade oferece que talvez faltasse na juventude?
Ivan Luiz – Ser pai aos 59 anos traz desafios, é claro, principalmente porque exige energia, disposição e uma preocupação maior com o futuro. Mas acredito que a maturidade também oferece vantagens muito importantes. Hoje tenho mais paciência, equilíbrio e consciência da responsabilidade de criar e educar uma filha.
Na juventude, eu ainda lutava para encontrar o meu próprio caminho. Passei por momentos muito difíceis e precisei reconstruir a minha vida. Talvez, naquela época, eu não tivesse a estrutura emocional e a clareza necessárias para compreender plenamente a dimensão da paternidade.
Também existe um equilíbrio muito especial na relação com minha esposa, Elen. A maturidade e a experiência que adquiri ao longo da vida se unem à vitalidade, à energia e à confiança que ela, por ser mais jovem, traz para o nosso relacionamento e para esta fase que estamos vivendo. Não enxergo a diferença de idade como um obstáculo, mas como uma forma de nos complementarmos. Construímos nossa família com diálogo, companheirismo, respeito e confiança recíproca.
Hoje, recebo minha filha com o coração preparado e com uma história que me ensinou muito sobre escolhas, consequências e recomeços. Ao lado da Elen, sinto-me mais seguro e fortalecido para enfrentar os desafios da paternidade. Quero oferecer à nossa filha presença, segurança, bons valores e, acima de tudo, amor. A maturidade não elimina os desafios, mas, quando acompanhada de uma relação equilibrada e de uma verdadeira parceria, ajuda a enfrentá-los com mais serenidade, disposição e sabedoria.
SD – Existe algum medo que só apareceu depois que você se tornou pai? E, ao mesmo tempo, qual foi a maior alegria que essa experiência lhe trouxe?
Ivan Luiz – Depois que me tornei pai, surgiu um medo que antes eu não conhecia com essa intensidade: o de não ter tempo suficiente para acompanhar todas as fases da vida da minha filha. Ser pai aos 59 anos desperta naturalmente essa preocupação e aumenta ainda mais o meu desejo de cuidar da saúde, estar presente e aproveitar cada momento ao lado dela.
Ao mesmo tempo, a maior alegria foi descobrir um amor completamente novo, puro e transformador. O nascimento da minha filha deu um sentido ainda maior à minha trajetória e aos recomeços que Deus me permitiu viver. Quando olho para ela, sinto gratidão e também uma responsabilidade enorme de ser um bom exemplo.
Ela me fez querer viver mais e melhor. Quero vê-la crescer, participar de suas conquistas e deixar para ela não apenas lembranças, mas valores, fé e a certeza de que, por mais difícil que seja a caminhada, sempre é possível recomeçar.
SD – Quem convive com você percebeu mudanças? Você ficou mais emotivo, mais paciente, mais cuidadoso? Como a paternidade transformou o Ivan Luiz?
Ivan Luiz – Quem convive comigo certamente percebeu mudanças. A paternidade me deixou mais emotivo, mais paciente e muito mais atento aos pequenos detalhes. Sempre tive uma trajetória marcada por desafios e recomeços, mas o nascimento da minha filha despertou em mim uma sensibilidade diferente.
Hoje penso mais antes de agir, valorizo ainda mais a família e compreendo melhor a importância de estar presente. Também fiquei mais cuidadoso com a minha saúde, com as minhas escolhas e com o exemplo que transmito, porque sei que agora existe uma criança que vai crescer observando minhas atitudes.
A paternidade me transformou ao acrescentar ternura à experiência que a vida já havia me dado. Minha filha me tornou mais humano, mais responsável e ainda mais determinado a deixar um legado de amor, honestidade e superação.
SD – A política exige tempo, dedicação e muitas cobranças. Como fazer para que o presidente da Câmara não roube o tempo do pai de primeira viagem?
Ivan Luiz – A política exige muito tempo, dedicação e responsabilidade, especialmente na Presidência da Câmara. Por isso, procuro estabelecer limites e organizar a rotina para que o presidente da Câmara não ocupe todo o espaço do pai de primeira viagem. Quando estou com a minha filha, busco estar verdadeiramente presente, porque sei que cada fase do crescimento dela é única e não volta.
Também tenho a felicidade de contar com uma equipe competente, responsável e de minha inteira confiança, que me assessora e contribui diretamente para a boa administração da Câmara. Essa equipe organiza as demandas, acompanha os trabalhos e faz com que as questões cheguem até mim de forma clara e bem encaminhada, facilitando a análise e a tomada de decisões. Além disso conto com uma base de Vereadores e Vereadoras que confiam no meu trabalho e me ajudam nessa difícil lição de cuidar da Câmara.
Isso não diminui a minha responsabilidade como presidente, mas torna a gestão mais eficiente e permite conciliar melhor a vida pública com a paternidade. Aprendi que liderar não significa fazer tudo sozinho, mas confiar, delegar e acompanhar. Dessa forma, consigo exercer a Presidência com dedicação sem abrir mão de viver plenamente esse momento tão especial ao lado da minha filha.

SD – Se daqui a 20 anos sua filha ler esta entrevista, o que você gostaria que ela soubesse sobre o pai que a esperou por quase seis décadas?
Gostaria que ela soubesse que foi muito esperada, mesmo antes de eu compreender que a esperava. Durante quase seis décadas, percorri uma trajetória difícil, com erros, quedas, aprendizados e muitos recomeços. Hoje entendo que cada etapa me preparou para receber o maior presente da minha vida.
Quero que ela saiba que sua chegada transformou o meu coração e deu um novo sentido a tudo o que construí. Desde o primeiro momento, procurei ser um pai presente, amoroso e digno de seu orgulho. Talvez eu não seja perfeito, mas quero que ela tenha a certeza de que nunca lhe faltaram amor, cuidado e dedicação.
Daqui a 20 anos, espero que ela olhe para a minha história e compreenda que o passado de uma pessoa não determina o seu futuro. Que veja em mim um exemplo de que sempre é possível vencer as dificuldades, reconstruir a vida e encontrar um novo propósito. Acima de tudo, quero que ela saiba que foi a minha maior bênção, o meu recomeço mais bonito e a missão mais importante que Deus confiou a mim.





