por Filipe Felizardo
* O repórter viajou para Pouso Alegre a convite do Iveco Group

Em um movimento agressivo para manter a liderança entre as marcas utilitárias e pesadas, o complexo industrial da IVECO em Sete Lagoas será um dos principais destinos do ciclo de R$ 1 bilhão em investimentos do grupo controlador no Brasil até 2028. A operação mineira, que concentra a maior fábrica da montadora no mundo, receberá recursos para modernização da produção, atualização de projetos e desenvolvimento de novos veículos e tecnologias.
Um dos inestimentos dentro desta nova estratégia da empresa inclui o novo Centro de Distribuição de Peças inaugurado na última sexta-feira (11), em Pouso Alegre, no Sul de Minas. O empreendimento recebeu R$ 93 milhões, possui cerca de 20 mil metros quadrados e foi apresentado pela companhia como parte da estratégia de ampliação da eficiência logística e da capacidade de atendimento da rede de concessionárias.

O novo espaço, de acordo com as lideranças globais da empresa durante o evento de inauguração, representam um novo marco para a montadora: em um universo de marcas globais brigando por espaço, a IVECO quer concentrar no pós-venda e relacionamento direto com clientes o seu diferencial. “O relacionamento com nossos clientes não se apoia à venda de um veículo ou motor, apenas. Uma operação de peças autônoma amplia nossa capacidade de dar o suporte adequado a cada cliente durante toda a vida útil do produto, com respostas mais eficientes e previsíveis”, destaca Karel Novak, chefe de Qualidade e Operações da IVECO Group para a América Latina.
A escolha do município foi estratégia: grande entroncamento no Sudeste, está próximo de São Paulo (atendendo tanto por rodovias ou pelos aeroportos) e ao mesmo tempo da fábrica de Sete Lagoas. “Em uma indústria cada vez mais complexa, a competitividade não é definida apenas pela capacidade de fabricar excelentes produtos, mas também pela capacidade de garantir disponibilidade, continuidade e qualidade ao longo de toda a jornada do cliente. O novo Centro de Distribuição de Peças de Pouso Alegre reforça nossa resiliência industrial e cadeia de valor integrada”, completa Domenico Nucera, liderança da Qualidade e Operações a nível global.
Fábrica de Sete Lagoas
Para além do novo centro, a IVECO afirma que o foco do investimento de R$ 1 bilhão está justamente no complexo industrial de Sete Lagoas. Segundo a companhia, os recursos serão aplicados na modernização de processos industriais, atualização de projetos existentes e no desenvolvimento de novos veículos e tecnologias, além de iniciativas relacionadas à segurança do trabalho, economia circular e redução das emissões no processo produtivo.

A fábrica já começa a refletir parte desse novo ciclo por meio da ampliação de turnos de trabalho e renovação do portfólio produzido na cidade. Para o SETE DIAS, Márcio Querichelli, presidente da IVECO para a América Latina, citou o desenvolvimento dos modelos 8×2 e 8×4 e a nova linha Daily, fabricada em Sete Lagoas e também exportada para a Argentina. Segundo ele, os novos projetos ajudam a manter a produção da unidade estável e com perspectiva de crescimento.
O investimento também alcança diretamente a FPT Industrial, fabricante de motores da montadora que mantém operação no complexo na cidade. Dos R$ 1 bilhão previstos pelo grupo, R$ 250 milhões estão destinados à FPT, de acordo com Bernardo Brandão, presidente da empresa para a América Latina. Os recursos serão direcionados para novas tecnologias, desenvolvimento de processos, melhorias na fábrica e projetos futuros ainda mantidos sob sigilo pela companhia.
Parte dessa transformação passa pela estratégia de multienergia adotada pelo grupo. A FPT trabalha no desenvolvimento de soluções a diesel, gás, etanol e eletrificação, considerando as diferentes necessidades dos setores de transporte, agricultura e construção: “Apostamos na multienergia; não focamos em uma tendência de descarbonização. Acreditamos que a junção de diversas tecnologias diferentes vai permitir que o cliente avance para um futuro mais verde mas que funcione para o projeto dele”, completa o líder da fábrica de motores.
No segmento elétrico, a avaliação da empresa é de que a tecnologia tende a ganhar espaço principalmente em aplicações leves, médias e urbanas, enquanto veículos pesados ainda encontram limitações relacionadas à autonomia e às longas distâncias percorridas no Brasil e em outros países latino-americanos. A estratégia, portanto, não prevê uma única solução de descarbonização, mas a combinação de diferentes fontes de energia de acordo com cada aplicação. A mesma linha foi destacada por Querichelli. O presidente da IVECO afirmou que a montadora trabalha globalmente com veículos elétricos, gás natural, gás natural liquefeito, células de hidrogênio e motores a diesel. Para o executivo, a matriz energética brasileira abre espaço para diferentes combustíveis alternativos e deve influenciar os próximos produtos oferecidos no país.






